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Oferta limitada e inflação elevada mantêm pressão sobre o mercado de café no Brasil
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Clima extremo prejudica lavouras de arábica
Após um ano marcado por seca severa e altas temperaturas, as lavouras de café das principais regiões produtoras do Brasil enfrentaram queda no potencial produtivo, especialmente no caso do café arábica. O cenário climático impactou diretamente a safra 2025, que mesmo em um ano de bienalidade negativa, deve apresentar crescimento de 2,7% em relação ao ciclo anterior, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
Conilon impulsiona recuperação da safra
Esse crescimento é puxado principalmente pela recuperação da produtividade do café conilon, com alta estimada em 28,3%. A boa performance da variedade conilon também é observada em outros grandes produtores, como Vietnã, Indonésia e Uganda, contribuindo para a queda dos preços futuros do robusta na Bolsa de Londres, que atingiram as mínimas em dez meses.
Sete semanas seguidas de queda para o robusta
Na última sexta-feira (13), o mercado do robusta encerrou sua sétima semana consecutiva de baixa, a sequência mais longa desde o final de 2018. Segundo a analista de mercado da Hedgepoint Global Markets, Laleska Moda, esse movimento reflete a expectativa de alívio nas preocupações com a oferta global da variedade, mas os riscos climáticos ainda podem influenciar os contratos futuros.
Oferta global segue apertada
Apesar da recuperação parcial do conilon, o arábica continua registrando déficits expressivos. Para o ciclo 2025/2026, a Archer Consulting estima um desequilíbrio entre oferta e demanda global de 8 a 15 milhões de sacas. O analista Marcelo Fraga Moreira alerta que uma possível equalização entre oferta e demanda poderá ocorrer apenas a partir da safra 2026/2027, dependendo principalmente do desempenho brasileiro.
Estoques baixos e consumo em queda
De acordo com Fernando Maximiliano, analista da StoneX, o Brasil vem de cinco anos sem uma grande safra de café e, com isso, chega a 2025 com estoques reduzidos. A forte valorização do produto nos últimos anos fez com que a indústria adotasse um modelo de gestão just-in-time, operando com estoques mínimos para atender à demanda atual. A safra de 2025 pode aliviar a escassez, mas não será suficiente para recompor os estoques.
Inflação elevada pressiona o consumo
A escassez de oferta, aliada a uma elevação de 224% nos custos com matéria-prima para a indústria cafeeira, impactou fortemente o consumidor final. Segundo o IBGE, entre abril de 2024 e abril de 2025, o preço do café no Brasil subiu 80%, o que resultou em uma queda de 5,13% no consumo no varejo nos primeiros quatro meses deste ano, comparado ao mesmo período do ano anterior. Em abril de 2025, a retração foi de 15,96% em relação a abril de 2024.
Indústria alerta para impacto no preço ao consumidor
O diretor executivo da ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café), Celírio Inácio da Silva, afirma que a matéria-prima representa cerca de 60% do custo do café torrado e moído. Com a elevação constante dos custos, o repasse ao consumidor tornou-se inevitável. Ainda assim, ele acredita que a tradição do consumo de café no Brasil garantirá certa estabilidade: “Vamos aproveitar a boa produtividade da safra de conilon para tentar evitar novos aumentos de preços ao consumidor”, conclui.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Preço mínimo do algodão sobe para R$ 119,13 por arroba
Com uma produção estimada em 4,06 milhões de toneladas de pluma e apenas 8,1% das lavouras colhidas, o algodão brasileiro entra na fase decisiva da safra 2025/26 com perspectivas de oferta elevada e forte dependência do mercado externo. Nesse cenário, o governo reajustou em 3,82% o preço mínimo que servirá de referência para a comercialização da próxima temporada.
A Portaria nº 934, publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, elevou o preço mínimo do algodão em pluma de R$ 114,58 para R$ 119,13 por arroba. O valor será aplicado à safra 2026/27, com períodos de vigência diferentes conforme a região produtora.
No Centro-Oeste, em Minas Gerais e no oeste da Bahia, onde está concentrada a maior parte da produção nacional, o novo preço valerá entre maio de 2027 e abril de 2028. No Sul e no Sudeste, com exceção de Minas Gerais, a vigência começará em março de 2027. Nas demais áreas do Norte e do Nordeste, a referência entrará em vigor em julho do próximo ano.
O governo também aumentou o preço mínimo do algodão em caroço, de R$ 45,83 para R$ 47,65 por 15 quilos. Para o caroço de algodão, utilizado principalmente na alimentação animal e na fabricação de óleo, o valor passou de R$ 6,73 para R$ 7,15, alta de 6,24%.
Os preços integram a Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM). Na prática, funcionam como referência para eventuais operações públicas de apoio à comercialização quando as cotações ficam abaixo do patamar estabelecido. A existência do preço mínimo, porém, não significa que o governo comprará automaticamente a produção. As intervenções dependem de regulamentação, disponibilidade de recursos e decisão das autoridades econômicas.
A atualização ocorre enquanto os produtores começam a retirar do campo uma das maiores safras de algodão da história. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) calcula que foram semeados 2,02 milhões de hectares na temporada 2025/26, redução de 3,2% em relação ao ciclo anterior.
Mesmo com a área menor, a produtividade média da pluma deve aumentar 2,8%, para 2.011 quilos por hectare. A produção está estimada em 4,06 milhões de toneladas, apenas 0,5% abaixo do recorde de 4,08 milhões de toneladas registrado na safra passada.
O trabalho de colheita ainda está no começo nos principais Estados produtores. O Paraná já encerrou as atividades e São Paulo se aproxima do fim, enquanto Mato Grosso, responsável pela maior parcela da oferta brasileira, iniciou a retirada dos primeiros talhões. Na Bahia, segunda maior produtora, áreas de sequeiro já estão sendo colhidas, enquanto parte das lavouras irrigadas permanece em desenvolvimento.
Até o levantamento mais recente, 8,1% da área nacional havia sido colhida. Outros 78,4% das lavouras estavam em maturação e 13,5% ainda se encontravam na fase de formação das maçãs. Chuvas registradas entre maio e junho aumentaram a atenção para doenças e qualidade da fibra em algumas regiões, mas a Conab não identificou, até agora, perdas expressivas no rendimento nacional.
O tamanho da colheita reforça a importância das exportações para a sustentação dos preços. A Conab projeta embarques de 3,38 milhões de toneladas de pluma, volume equivalente a mais de 80% da produção estimada para a temporada. Parte desses embarques também poderá ser atendida pelos estoques acumulados de safras anteriores.
Nos oito primeiros dias úteis de julho, o Brasil exportou 66,4 mil toneladas. A média diária ficou 55,5% acima da registrada no mesmo período de 2025, segundo acompanhamento da Conab. No mercado interno, compradores ainda aguardam a entrada de volumes maiores da nova safra antes de ampliar as negociações.
As cotações permanecem acima do preço mínimo atualmente vigente. Na semana encerrada em 10 de julho, a pluma foi negociada, em média, a R$ 128,35 por arroba em Mato Grosso e a R$ 136,67 na Bahia. A diferença oferece alguma proteção neste início de colheita, mas pode diminuir caso o avanço da oferta pressione o mercado ou as exportações percam ritmo.
O avanço da produção colocou o Brasil na terceira posição entre os maiores produtores mundiais, atrás apenas de China e Índia. No comércio internacional, o país ocupa a liderança e deve permanecer como o maior exportador global de algodão, à frente dos Estados Unidos, conforme as projeções do Departamento de Agricultura norte-americano.
A posição conquistada amplia as oportunidades, mas também deixa a renda do produtor mais exposta ao câmbio, às cotações internacionais e ao comportamento dos compradores asiáticos. Em uma safra superior a 4 milhões de toneladas, o novo preço mínimo representa uma referência de proteção, mas a capacidade de escoar a produção continuará sendo decisiva para as cotações recebidas no campo.
Fonte: Pensar Agro


