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Preço do leite ao produtor cai em abril de forma atípica, aponta Cepea
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O preço do leite pago ao produtor caiu 3,3% em abril, chegando a R$ 2,74 por litro na média nacional, conforme pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP. Apesar da redução, o valor ainda é 5,7% superior ao registrado em abril de 2023, considerando a inflação medida pelo IPCA.
Queda atípica justificada pela desaceleração na demanda
A queda no preço ao produtor ocorre em momento incomum e está relacionada ao enfraquecimento da demanda por produtos lácteos no consumidor final. Dados do Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostram que as vendas de derivados lácteos desaceleraram mais que o esperado em abril, especialmente no caso do queijo muçarela, que registrou desvalorização de 3% nas negociações entre laticínios e distribuidores em São Paulo.
Oferta de leite segue firme mesmo com entressafra
Embora o período de entressafra se aproxime — primeiro no Sul e depois no Sudeste e Centro-Oeste —, a captação de leite se manteve firme. O Índice de Captação do Leite (ICAP-L) registrou alta de quase 3% entre março e abril na média Brasil, superando a evolução observada em anos anteriores em várias regiões produtoras.
Esse aumento na oferta é explicado por condições climáticas favoráveis, boa qualidade da silagem e melhores margens na atividade leiteira.
Custos e rentabilidade do produtor
Apesar do aumento persistente nos custos com alimentação, as variações neste ano têm sido menores que em anos anteriores. Mesmo com a redução do poder de compra do pecuarista em relação ao milho, os resultados do primeiro bimestre ainda foram melhores que os observados nos últimos anos, favorecendo investimentos na atividade leiteira.
Expectativa para os próximos meses
A oferta mais estável durante a entressafra, a dificuldade do consumo em acompanhar os reajustes dos preços no campo e a queda na rentabilidade da indústria reforçam a previsão de comportamento atípico nos preços pagos ao produtor, com quedas previstas para o terceiro bimestre de 2025.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Conheça a história da marisqueira que transforma tradição em liderança
A mariscagem atravessa gerações da família de Lucila Lopes e está presente em suas lembranças desde a infância, quando acompanhava a rotina da mãe, da avó, do pai pescador e dos irmãos, que também seguiram o caminho da pesca. Depois da escola, era comum encontrar a mãe trabalhando com mariscos, e foi assim que Lucila cresceu, aprendendo uma atividade que se tornou parte de sua história, no Espírito Santo.
A presença das mulheres na pesca, especialmente em atividades que durante muito tempo tiveram pouca visibilidade, tem um grande peso em sua vida. Para Lucila, embora esse reconhecimento esteja avançando, a comercialização ainda é um dos principais desafios. Ter o produto nem sempre significa conseguir vendê-lo; ampliar os espaços de mercado é essencial para que o trabalho das marisqueiras seja cada vez mais conhecido e valorizado.
É nesse cenário que Lucila também exerce seu papel de liderança entre outras mulheres da pesca. Em Itapemirim, no Espírito Santo, participa de uma associação de mulheres da pesca e atua na organização, no beneficiamento e na divulgação dos produtos do grupo. O trabalho vai além da extração do marisco; as mulheres também produzem filés, linguiças de peixe, bolinhos e outras preparações, unindo conhecimento tradicional e novas possibilidades de aproveitamento do pescado.
Seu maior sonho é ver esses produtos ocupando cada vez mais espaços, chegando às prateleiras, às escolas e à comunidade. Para ela, ampliar a comercialização significa também reconhecer o trabalho das mulheres que atuam na extração e no beneficiamento, fortalecendo uma atividade que faz parte da cultura e da identidade de muitas famílias.
A preocupação com o futuro está ligada diretamente aos jovens, pois, em uma comunidade cuja identidade está fortemente ligada à pesca, ela acredita que manter essa tradição viva depende de novas oportunidades e de fazer com que as novas gerações enxerguem valor na atividade.
A trajetória de Lucila é parte de uma história de mulheres que ajudam a manter viva a cultura pesqueira e buscam novos espaços de reconhecimento para seu trabalho. Entre o aprendizado transmitido pela família e o olhar para o futuro, ela segue defendendo que valorizar a mariscagem é também valorizar as mulheres que fazem dela uma forma de viver.
Matheus Silveira
Ministério da Pesca e Aquicultura
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