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Preço do leite ao produtor sobe 10,5% em março com oferta restrita e maior disputa entre laticínios, aponta Cepea

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O mercado de leite iniciou 2026 com forte movimento de recuperação nos preços ao produtor. Em março, o valor pago pelo litro avançou 10,5% frente a fevereiro, marcando o terceiro mês consecutivo de alta, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).

Com o avanço, a chamada “Média Brasil” atingiu R$ 2,3924 por litro. Apesar da reação, o valor ainda permanece 18,7% abaixo do registrado em março de 2025, considerando os dados corrigidos pela inflação.

No acumulado do primeiro trimestre, o aumento chega a 17,6%, com média de R$ 2,2038/litro — ainda 23,6% inferior ao mesmo período do ano passado, evidenciando que o setor segue em processo de recomposição.

Oferta limitada impulsiona preços no campo

A principal força por trás da alta é a restrição na oferta de leite cru. A menor disponibilidade intensificou a concorrência entre laticínios pela matéria-prima, elevando os preços pagos ao produtor.

O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) recuou 3,9% de fevereiro para março na Média Brasil, acumulando queda de 11,1% no primeiro trimestre. Esse movimento reflete fatores sazonais, como a piora das pastagens, além do aumento dos custos com alimentação animal.

Outro ponto relevante é a postura mais cautelosa do produtor. Após margens apertadas ao longo de 2025, muitos reduziram investimentos, impactando diretamente o nível de produção.

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Custos seguem pressionando a atividade

Mesmo com a valorização do leite, os custos continuam em trajetória de alta. O Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,46% em março, acumulando avanço de 2,11% nos três primeiros meses do ano.

Esse cenário mantém a rentabilidade do produtor ainda pressionada, limitando uma recuperação mais consistente da atividade no curto prazo.

Derivados disparam, mas mercado mostra desaceleração

A menor oferta de matéria-prima também impactou a indústria, restringindo a produção de derivados e elevando os preços no atacado.

Em março:

  • O leite UHT registrou alta de 18,3%
  • A muçarela subiu 6,1%

Os preços seguiram firmes até a primeira quinzena de abril. No entanto, a partir da segunda metade do mês, o mercado começou a mostrar sinais de enfraquecimento, com negociações mais lentas e resistência por parte do consumo.

Importações avançam e limitam altas

Outro fator relevante é o crescimento das importações. Em março, houve aumento de 33% nas compras externas. No acumulado do trimestre, o volume chegou a 604 milhões de litros em equivalente leite, praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025 (-0,9%).

Esse movimento contribui para equilibrar a oferta interna e tende a limitar pressões mais intensas de alta nos preços domésticos.

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Perspectivas: alta perde força a partir de maio

A expectativa do mercado é de continuidade da valorização no curto prazo, especialmente em abril. Contudo, o ritmo de alta deve desacelerar a partir de maio.

Entre os principais fatores estão:

  • Resistência do consumidor aos preços mais elevados nas gôndolas
  • Manutenção de importações em níveis elevados
  • Possível reação gradual da produção

Diante desse cenário, a indústria tende a adotar uma postura mais cautelosa nos repasses ao produtor entre maio e junho.

Impacto para o agronegócio

O comportamento do mercado de leite reforça um cenário típico de ajuste entre oferta e demanda. Para o produtor, o momento é de recuperação parcial de preços, mas ainda com desafios relevantes em custos e rentabilidade.

Já para a cadeia como um todo, o equilíbrio dependerá da evolução do consumo interno, da dinâmica das importações e da capacidade de retomada da produção nos próximos meses.

Resumo: a alta do leite em março reflete um mercado com oferta restrita e custos elevados, mas o avanço dos preços começa a encontrar limites no consumo e na entrada de produto importado, sinalizando um cenário de maior equilíbrio nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preços globais dos alimentos caem em junho com recuo de açúcar, cereais e lácteos, aponta FAO

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Os preços internacionais dos alimentos voltaram a recuar em junho, marcando o segundo mês consecutivo de queda, de acordo com o mais recente levantamento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A redução foi puxada principalmente pelos menores preços do açúcar, dos cereais e dos produtos lácteos, compensando os avanços registrados nos mercados de carnes e óleos vegetais.

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que monitora mensalmente a variação dos preços de uma cesta de commodities agrícolas comercializadas no mercado internacional, atingiu média de 130,3 pontos em junho, abaixo dos 130,8 pontos registrados em maio.

Apesar da retração mensal, o indicador permanece 1,7% acima do mesmo período de 2025, embora ainda esteja 18,7% abaixo do recorde histórico alcançado em março de 2022, quando a guerra entre Rússia e Ucrânia provocou forte turbulência no mercado global de alimentos.

Cereais pressionam índice para baixo

O principal fator para a queda do índice foi o desempenho do grupo dos cereais, cujos preços recuaram 3,5% em relação ao mês anterior.

No mercado de trigo, a pressão veio do avanço acelerado da colheita e das perspectivas favoráveis de produção na região do Mar Negro, aumentando a oferta disponível no mercado internacional.

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Já o milho apresentou desvalorização diante da expectativa de ampla oferta na América do Sul, especialmente após boas safras, além da influência da queda nas cotações internacionais do petróleo, fator que reduz parte da demanda por biocombustíveis.

Em sentido contrário, o arroz registrou valorização de 3,2%, impulsionado pelo aumento da demanda asiática pelo arroz da variedade indica.

Açúcar recua com maior produção brasileira

O açúcar apresentou uma das maiores quedas do levantamento, com retração de 5,7% em junho.

Segundo a FAO, a redução foi favorecida pelo menor preço do etanol no Brasil, o que incentivou as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar, ampliando a oferta no mercado internacional.

Mesmo assim, preocupações relacionadas aos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção na Índia e na Tailândia limitaram uma queda ainda mais intensa das cotações.

Lácteos caem, mas carnes renovam máximas

O segmento de produtos lácteos também registrou recuo, com queda de 1,5%, refletindo o aumento da oferta global.

Na direção oposta, o índice de carnes avançou 0,4%, alcançando novo recorde histórico. O movimento foi liderado pelo mercado de carne de aves, sustentado pela forte demanda internacional e pelo ritmo consistente das importações em diversos países.

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Óleos vegetais seguem valorizados

Os preços dos óleos vegetais voltaram a subir em junho, com alta de 3,8%.

A valorização foi impulsionada principalmente pelas cotações do óleo de palma e do óleo de colza, favorecidas pelo crescimento da demanda da indústria de biodiesel e pelas expectativas de consumo em importantes mercados internacionais.

Impactos para o agronegócio

Embora a leve queda do índice global indique maior equilíbrio no mercado internacional de alimentos, os movimentos seguem distintos entre as diferentes commodities. Para exportadores brasileiros, especialmente dos setores de açúcar, milho e carnes, a dinâmica dos preços internacionais continuará sendo determinante para a competitividade, formação de preços internos e desempenho das exportações ao longo do segundo semestre.

A evolução das condições climáticas, o comportamento da demanda asiática, o mercado de energia e a oferta agrícola nos principais países produtores permanecem entre os fatores que devem influenciar as próximas divulgações do índice da FAO.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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