AGRONEGOCIOS
Preços da laranja caem 20% em junho, aponta levantamento do Cepea
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Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que os preços da maioria das variedades citrícolas acompanhadas pelo órgão recuaram em junho.
Queda de preços na laranja
No caso das laranjas, a principal causa da queda foi o aumento da oferta de frutas precoces, que intensificou a pressão sobre os preços, conforme explicam os pesquisadores do Cepea. Além disso, a concorrência com outras frutas, como a banana, também contribuiu para a redução dos valores.
No acumulado do mês, o preço da laranja pera na árvore caiu 20,2%, encerrando junho a R$ 63,61 por caixa de 40,8 kg. Vale destacar que a safra 2025/26 já está praticamente iniciada com a colheita das frutas precoces.
Tangerina poncã também registra desvalorização
A tangerina poncã também sofreu desvalorização no período. Segundo o levantamento do Cepea, o preço caiu 18%, chegando a R$ 57,62 por caixa de 27,2 kg no final de junho. Essa baixa foi influenciada pelo ritmo mais acelerado da colheita, aliado à oferta limitada de frutas de qualidade superior durante boa parte do mês.
Os dados do Cepea refletem as dinâmicas de oferta e demanda no mercado de citros, mostrando que a temporada de frutas precoces e a competição entre variedades e outras frutas impactam diretamente nos preços pagos aos produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Alta de insumos, frete e diesel com guerra aperta margem e preocupa safra 2026/27
Isan Rezende
“O produtor rural brasileiro define agora, entre maio e agosto, o custo da safra 2026/27 — cujo plantio começa a partir de setembro no Centro-Oeste — com uma conta mais pesada e fora do seu controle. A ureia subiu mais de US$ 50 por tonelada, o diesel segue pressionado e o frete internacional acumula altas de até 20%. Isso aumenta o custo por hectare e exige mais dinheiro para plantar”. A avaliação é de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), ao analisar os efeitos da escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre o agronegócio brasileiro.
Segundo ele, o encarecimento não começou agora, mas se intensificou nas últimas semanas e pesa diretamente nas decisões do produtor. Em lavouras de soja e milho, o aumento dos insumos pode elevar o custo total entre 8% e 15%, dependendo do nível de investimento. “O produtor já vinha apertado. Agora, o custo sobe de novo e o preço de venda continua incerto”, afirma.
O avanço dos custos está ligado à tensão no Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz levou o petróleo a superar US$ 111 o barril, mantendo o diesel em alta. Ao mesmo tempo, fertilizantes nitrogenados, que o Brasil importa em grande volume, ficaram mais caros e instáveis.
Além do custo, há risco de perda de mercado. “O Irã comprou cerca de 9 milhões de toneladas de milho brasileiro em 2025. Se esse volume diminui, sobra produto aqui dentro e o preço cai”, diz Rezende.
Na logística, o impacto já aparece nos números. O frete marítimo para a Ásia subiu entre 10% e 20%, com aumento do seguro e cobrança de prêmio de risco. Na prática, isso reduz o valor pago ao produtor. “Quando o custo de levar o produto sobe, alguém paga essa conta — e parte dela volta para quem está produzindo”, afirma.
O efeito mais forte deve aparecer nos próximos meses, quando o produtor for comprar fertilizantes e fechar custos da nova safra. Se os preços continuarem elevados, será necessário mais capital para plantar a mesma área.
Para Rezende, há medidas que podem reduzir esse impacto. “O governo pode ampliar o crédito rural com juros menores, reforçar o seguro rural e alongar dívidas em regiões mais pressionadas. Um aumento de alguns bilhões na equalização de juros já ajudaria a reduzir o custo financeiro da safra”, afirma.
Ele também aponta que o Brasil começa a dar passos para diminuir a dependência externa de insumos, mas ainda de forma insuficiente. “A retomada da produção de nitrogenados com a reativação da unidade de Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Araucária, no Paraná, ajuda, mas ainda não resolve o problema. O país continua dependente do mercado internacional, especialmente do Oriente Médio. Sem ampliar essa capacidade e melhorar a logística, o produtor segue exposto a choques externos”, conclui.
Fonte: Pensar Agro
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