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Pressionado pela oferta e baixa demanda, mercado do milho registra quedas e negociações travadas

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A seguir, confira os principais destaques que explicam o atual momento do setor:

Preços do milho seguem em queda acentuada

De acordo com a consultoria TF Agroeconômica, o milho tem registrado forte recuo nos preços, reflexo de uma ampla oferta no mercado. Dados do Cepea apontam uma queda de 0,19% no dia e de 8,99% no mês. O movimento de baixa também se repete na Bolsa de Valores (B3), onde os contratos futuros vêm acumulando perdas. A recomendação da TF é que os produtores fixem os preços o quanto antes, especialmente antes da intensificação da colheita em julho, período sazonalmente marcado por mais pressão sobre os valores. Segundo a consultoria, quem seguiu essa orientação antecipadamente já obteve ganhos de até R$ 14,00 por saca.

Entre os poucos fatores que podem ajudar a conter as quedas, está a valorização dos preços das proteínas animais no Brasil — com alta de 6,14% no frango e de 10,06% no suíno no ano —, o que pode impulsionar a demanda interna por ração. No entanto, o aumento da estimativa de safra divulgado pela Conab, que elevou a produção brasileira de milho de 124,74 para 126,88 milhões de toneladas, segue pesando negativamente sobre o mercado.

B3 e Chicago acumulam perdas na semana

Os contratos futuros de milho encerraram a semana em baixa na B3, pressionados principalmente pela revisão para cima da produção nacional e por problemas sanitários que impactam a demanda. A confirmação de um caso de gripe aviária no Sul do Brasil levou a China, que representa 10,8% do mercado de frango brasileiro, a suspender temporariamente as importações, movimento seguido por outros países. Como o milho é insumo fundamental na ração de aves, a notícia gerou receios sobre a retração da demanda da avicultura.

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Na B3, o contrato para julho de 2025 fechou a R$ 62,01, com queda de R$ 0,46 no dia e de R$ 2,16 na semana. Já o contrato de setembro recuou para R$ 67,15. O indicador Cepea também registrou retração semanal de 0,19%. No mercado internacional, a Bolsa de Chicago (CBOT) fechou a semana com perdas ainda mais expressivas: a cotação de julho caiu 1,11% no dia e acumulou recuo de 6,25% na semana, atingindo US$ 443,50 por bushel. A rápida evolução do plantio nos Estados Unidos, aliada às boas expectativas para as safras na América do Sul e à concorrência com o trigo mais barato, contribuem para o cenário negativo.

Negociações travadas e oferta restrita no Sul e Centro-Oeste

Mesmo com os preços em queda, o mercado físico segue travado em diversas regiões do Brasil. No Rio Grande do Sul, a oferta está concentrada nas mãos de produtores mais capitalizados, o que dificulta as compras por parte da indústria. Os preços no interior variam entre R$ 66,00 e R$ 70,00 por saca, enquanto as fábricas já se anteciparam para garantir o abastecimento de maio e agora planejam os próximos meses.

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Em Santa Catarina, a discrepância entre pedidas e ofertas mantém o mercado estagnado. No Planalto Norte, produtores pedem R$ 82,00 por saca, mas as ofertas não ultrapassam R$ 79,00. Apesar disso, a produtividade surpreendeu positivamente, com rendimento médio de 9.717 kg/ha — a maior da história do estado — e picos acima de 13.000 kg/ha em algumas áreas do Meio-Oeste. Com o avanço da colheita, espera-se que mais volumes entrem no mercado, favorecendo as negociações.

No Paraná, o ritmo das negociações continua lento. Houve queda para R$ 57,00 em Ubiratã, enquanto Castro viu os preços subirem para R$ 70,00. Nos Campos Gerais, o milho disponível atinge até R$ 76,00 FOB. A expectativa é que o fim da colheita da soja impulsione as transações com milho e aumente a oferta.

Já no Mato Grosso do Sul, a proximidade da colheita da segunda safra pressiona os preços, com várias praças apresentando queda. Em Chapadão do Sul e São Gabriel do Oeste, a saca é negociada a R$ 56,00, enquanto em Dourados, Campo Grande e Caarapó o valor permanece em R$ 60,00.

O mercado do milho enfrenta um cenário desafiador, com excesso de oferta, incertezas na demanda e impacto de fatores sanitários e comerciais. A expectativa é que a intensificação da colheita em julho traga ainda mais pressão sobre os preços, exigindo cautela e estratégia dos produtores para minimizar perdas e aproveitar janelas mais favoráveis de negociação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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