AGRONEGOCIOS
Previsão de Estoques Globais de Milho em Mínimos de 12 Anos, Mesmo com Safra Recorde nos EUA
AGRONEGOCIOS
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê uma redução significativa nos estoques globais de milho, que devem atingir os menores níveis em 12 anos durante o ciclo 2025-26. Essa situação reflete uma demanda robusta e destaca a necessidade de uma colheita americana recorde para evitar uma nova queda na oferta.
Safras Recordes: EUA e América do Sul
Os agricultores dos Estados Unidos estão prestes a colher uma safra recorde de milho no ciclo 2025-26, com uma previsão de produção de 15,82 bilhões de bushels, cerca de 6,4% a mais do que no ano anterior. Este aumento depende de uma produtividade média de 181 bushels por acre, que é considerada uma das mais altas já registradas. Além disso, os principais exportadores de milho da América do Sul, como Brasil e Argentina, também devem atingir uma produção histórica, impulsionando a oferta global.
Estoques Globais em Queda: A Preocupação com o Equilíbrio do Mercado
Apesar das expectativas positivas de produção, o USDA estima que os estoques finais globais de milho para o ciclo 2025-26 cairão para 277,8 milhões de toneladas métricas, um valor bem abaixo das previsões anteriores de 297,4 milhões de toneladas. Essa queda representa uma redução de 3% em relação ao ano anterior e de 16% quando comparado a 2023-24, resultando nos menores estoques desde a safra 2013-14. Esse cenário indica uma relação de estoques/consumo de apenas 18,9%, a menor desde 2012-13, evidenciando um risco de desequilíbrio entre oferta e demanda.
A China e o Impacto nos Estoques Globais
A China, tradicionalmente um dos maiores compradores de milho, está contribuindo para a redução dos estoques globais. Embora o país preveja uma safra recorde de milho em 2025-26, o crescimento dessa produção será o mais baixo em cinco anos. Além disso, o USDA projeta que as importações de milho pela China aumentem, o que poderá reduzir ainda mais a oferta global de grãos.
Desafios para os EUA: Concorrência e Demanda
A previsão de uma safra mais apertada nos EUA, com estoques finais de apenas 1,8 bilhão de bushels, levanta questionamentos sobre o futuro do mercado americano de milho. A competição com o Brasil, que terá safras robustas em 2024-25 e 2025-26, poderá impactar as exportações americanas. No entanto, o México, maior comprador de milho dos EUA, deve manter seus níveis de importação estáveis.
Perspectivas para o Cultivo: O Desafio Climático
O sucesso da safra de milho dos EUA depende não apenas da área plantada, que pode atingir até 97 milhões de acres, mas também das condições climáticas. Embora os agricultores estejam trabalhando com eficiência, tendo plantado 62% da área prevista até o início de maio, qualquer evento climático adverso nos próximos meses pode gerar incertezas sobre o fornecimento de milho.
Em suma, o mercado global de milho enfrentará desafios significativos nos próximos anos, com estoques em queda e uma demanda crescente. A safra dos EUA será crucial para equilibrar o mercado, mas fatores como o clima e a competição externa podem determinar a direção do setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%
A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.
Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.
Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.
A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.
Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.
A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.
O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.
A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.
Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.
A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.
A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.
O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.
O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.
Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.
A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.
Fonte: Pensar Agro



