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Produção agropecuária brasileira deve atingir R$ 1,42 trilhão em 2025, com alta de 10,1%

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O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária brasileira está projetado para alcançar R$ 1,421 trilhão em 2025, o que representa um crescimento de 10,1% em relação ao estimado para 2024. A projeção, divulgada no boletim mensal da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, eleva a estimativa anterior, feita em março, de R$ 1,414 trilhão.

Para 2024, o ministério também revisou sua previsão: de R$ 1,274 trilhão para R$ 1,291 trilhão — um avanço de 0,5% na comparação com o ano anterior. O VBP representa o faturamento bruto dos estabelecimentos rurais e é calculado com base na produção agrícola e pecuária e na média dos preços recebidos pelos produtores em todo o país.

Agricultura representa dois terços do total

Do total projetado para 2025, cerca de R$ 943,4 bilhões devem ser provenientes das lavouras, correspondendo a 66% do valor geral e um incremento de 9,6% sobre o resultado estimado para 2024. Já a pecuária deverá responder por R$ 477,7 bilhões — o equivalente a 34% do total — com alta prevista de 11,1%.

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Segundo o levantamento, em 2024 a agricultura sofreu retração de 3,2%, enquanto a pecuária registrou crescimento de 8,4%.

Café e cacau lideram crescimento nas lavouras

Entre as culturas agrícolas, o maior destaque é o café, com expectativa de crescimento de 43,2% no VBP, atingindo R$ 123,3 bilhões em 2025. O cacau também deve apresentar forte desempenho, com alta de 24,6% e valor bruto projetado de R$ 14,1 bilhões.

A soja, principal cultura do país em valor absoluto, deverá registrar avanço de 9,1%, totalizando R$ 332 bilhões. O milho, por sua vez, deve gerar um VBP de R$ 148,8 bilhões, com crescimento de 16,4%.

Outras culturas com previsão de crescimento incluem a cana-de-açúcar (alta de 3,9%, para R$ 127,5 bilhões), a laranja (alta de 12,8%, para R$ 32,6 bilhões) e o algodão (aumento de 0,6%, para R$ 35 bilhões).

Por outro lado, espera-se queda no faturamento bruto de lavouras como arroz e trigo. O VBP do arroz deve recuar 8,7%, alcançando R$ 23,2 bilhões, enquanto o do trigo deve cair 7,5%, totalizando R$ 9,9 bilhões.

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Bovinocultura lidera alta na pecuária

Na pecuária, o maior avanço é projetado para a bovinocultura, com incremento de 20,3% e valor estimado em R$ 205,7 bilhões. A atividade permanece como a principal fonte de receita dentro do segmento.

A suinocultura também deve crescer, com alta de 7,7% no VBP, alcançando R$ 61,1 bilhões. A produção de frango tem avanço previsto de 6%, chegando a R$ 113,6 bilhões. Já a produção de leite deve gerar receita de R$ 69,2 bilhões, com crescimento mais moderado, de 1%. A avicultura de postura, por sua vez, deve apresentar aumento de 6,2%, atingindo R$ 28,1 bilhões.

As estimativas do VBP são atualizadas mensalmente pelo Ministério da Agricultura, com base em dados de produção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos preços coletados em fontes oficiais. O levantamento contempla 19 cadeias produtivas da agricultura e cinco atividades da pecuária.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Abelhas elevam produtividade da soja em até 18%

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A presença de abelhas nas proximidades das lavouras pode aumentar, em média, 13% a produtividade da soja, segundo estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Em alguns experimentos, o ganho chegou a 18%, resultado obtido sem ampliação da área plantada.

Embora a soja seja considerada uma planta capaz de se autopolinizar, as visitas das abelhas às flores melhoram o processo de fecundação. Os efeitos podem aparecer no aumento do número de grãos por vagem, na redução de vagens vazias e, ao final do ciclo, na quantidade colhida por hectare.

Os percentuais não representam uma garantia automática para todas as propriedades. O resultado depende da cultivar, das condições climáticas, da população de polinizadores, da paisagem ao redor da lavoura e das práticas adotadas durante o florescimento. Ainda assim, as pesquisas mostram que a polinização deve ser considerada parte do sistema produtivo, e não apenas um benefício ambiental.

A contribuição econômica das abelhas vai muito além da produção de mel. Um estudo citado pela Embrapa estimou em aproximadamente R$ 43 bilhões o valor anual do serviço de polinização para a produção brasileira de alimentos, com base nos dados agrícolas de 2018.

Entre 141 espécies cultivadas no Brasil para alimentação humana, produção animal, fibras e biocombustíveis, cerca de 85 dependem, em algum grau, da polinização realizada por animais. As abelhas são os principais agentes desse processo. Café, laranja, maçã, melão, maracujá, castanha-do-brasil, canola e algodão estão entre as culturas beneficiadas.

A dimensão desse serviço também começou a ser mais bem compreendida nas áreas de soja. Pesquisa divulgada pela Embrapa em 2026 identificou 53 espécies de abelhas em lavouras e fragmentos de vegetação nativa no sudoeste de Goiás. Desse total, 27 eram novos registros de espécies associadas à cultura na região.

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O levantamento mostra que a soja não recebe apenas a visita da abelha-africanizada, normalmente utilizada na produção comercial de mel. Diferentes espécies nativas também percorrem as flores e participam da polinização. Essa diversidade reduz a dependência de um único polinizador e aumenta a capacidade de o ambiente responder a mudanças de temperatura, umidade e disponibilidade de alimento.

A manutenção de vegetação nativa próxima às áreas produtivas tem papel importante nesse processo. Matas, reservas legais, áreas de preservação permanente, corredores de vegetação e faixas com plantas floridas oferecem abrigo e alimento às abelhas antes e depois da florada da cultura comercial.

Para o produtor, essas áreas podem funcionar como infraestrutura biológica da propriedade. A contribuição será maior quando houver conexão entre os ambientes naturais e a lavoura, permitindo que os insetos encontrem locais para nidificação, água e fontes de néctar e pólen durante diferentes períodos do ano.

A integração também pode abrir uma fonte complementar de renda. Dados da Embrapa indicam que apicultores com bom manejo e colmeias instaladas próximas às lavouras podem obter até 50 quilos de mel por colmeia durante a florada da soja. Ao mesmo tempo que as abelhas encontram alimento, o produtor de grãos recebe o serviço de polinização.

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A convivência, entretanto, exige planejamento. A localização dos apiários precisa ser conhecida, e agricultores, responsáveis técnicos e apicultores devem manter comunicação sobre o calendário da lavoura e as aplicações de defensivos.

O manejo integrado de pragas ajuda a evitar pulverizações desnecessárias. Quando o controle químico for indispensável, devem ser respeitados o registro do produto, as orientações da bula, as condições meteorológicas e as técnicas destinadas a reduzir deriva. Sempre que tecnicamente possível, a aplicação deve considerar os horários de menor atividade das abelhas.

O vento, a temperatura e a umidade interferem diretamente na dispersão da calda. Uma pulverização feita em condições inadequadas pode atingir flores, vegetação próxima e fontes de água frequentadas pelos insetos, mesmo quando as colmeias estão fora da área cultivada. Por isso, regulagem do equipamento, escolha correta das pontas e acompanhamento das condições ambientais são medidas decisivas.

Também cabe ao apicultor manter as colmeias identificadas, bem manejadas e instaladas em locais adequados. A comunicação antecipada permite avaliar medidas de proteção sem comprometer as necessidades fitossanitárias da lavoura.

A preservação das abelhas não deve ser tratada como uma obrigação separada da produção. Os estudos mostram que esses insetos participam da formação da safra e podem melhorar o aproveitamento da área já cultivada. Para o produtor, proteger os polinizadores significa conservar um serviço natural capaz de elevar a produtividade, diversificar a renda e fortalecer a estabilidade do sistema agrícola.

Fonte: Pensar Agro

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