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Produtores de algodão reforçam combate a pragas e doenças com foco em manejo sustentável nas lavouras
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A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) promoverá, no próximo dia 14 de maio, em Brasília (DF), o Workshop de MIPD, iniciativa voltada ao fortalecimento do manejo integrado de pragas e doenças nas lavouras de algodão brasileiras.
O evento reunirá pesquisadores, consultores, produtores rurais e especialistas nacionais e internacionais para debater soluções voltadas à eficiência produtiva, preservação das biotecnologias e redução dos custos de produção da cotonicultura.
A proposta é ampliar a disseminação de tecnologias e práticas sustentáveis capazes de aumentar a produtividade e reduzir os impactos causados por pragas e doenças no campo.
Manejo integrado ganha força na cotonicultura brasileira
O workshop integra as ações do programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR), criado em 2012 pela Abrapa para incentivar práticas sustentáveis na cadeia produtiva do algodão.
Segundo o gerente de sustentabilidade da Abrapa, Fábio Carneiro, o manejo integrado de pragas é considerado estratégico para o futuro da cotonicultura nacional.
“O uso eficiente de insumos é fundamental para manter a competitividade do algodão brasileiro. As práticas de manejo integrado fazem parte das exigências do programa ABR para os produtores certificados”, destacou.
Uso de bioinsumos avança entre produtores de algodão
Levantamento realizado pela Abrapa em 2025 aponta crescimento significativo da adoção de bioinsumos no setor. O estudo avaliou 470 fazendas certificadas pelo programa ABR e identificou que 79,8% delas já utilizam soluções biológicas no controle de pragas e doenças.
O avanço dos bioinsumos reflete a busca dos produtores por alternativas mais sustentáveis, eficientes e alinhadas às exigências do mercado global de fibras.
Além da redução da pressão química nas lavouras, o uso de biológicos contribui para o manejo de resistência de pragas e para a preservação das tecnologias disponíveis no mercado.
Bicudo-do-algodoeiro e doenças estarão no centro dos debates
A programação do Workshop de MIPD será dividida em três grandes eixos:
- Manejo de bicudo e lagartas;
- Controle de doenças;
- Uso de agentes biológicos.
Entre os principais temas discutidos estão:
- Cenário atual do bicudo-do-algodoeiro nas regiões produtoras;
- Manejo integrado de pragas;
- Destruição de soqueira;
- Manejo de lagartas;
- Fortalecimento das áreas de refúgio;
- Controle de doenças como Ramulariopsis pseudoglycines e Corynespora cassiicola.
O encontro também abordará o uso de ferramentas seletivas e iniciativas colaborativas voltadas à redução dos custos de produção e ao aumento da eficiência no uso de defensivos e bioinsumos.
Especialistas brasileiros e australianos participam do evento
O workshop contará com palestrantes de importantes instituições de pesquisa e ensino, entre elas:
- Embrapa Algodão;
- ESALQ;
- UFPel;
- UFRPE;
- Fundação Bahia;
- Fundação Chapadão;
- IMAmt.
O evento também terá participação de cotonicultores australianos, fortalecendo a troca internacional de experiências sobre manejo fitossanitário e sustentabilidade na produção de algodão.
As apresentações terão tradução simultânea em português e inglês, ampliando a integração técnica entre os participantes.
Sustentabilidade e produtividade são prioridades do setor
A iniciativa reforça o movimento do setor algodoeiro brasileiro em direção a uma produção mais sustentável, eficiente e alinhada às exigências dos mercados internacionais.
Com o aumento dos desafios relacionados à resistência de pragas, pressão de doenças e custos de produção, o manejo integrado vem sendo tratado como uma das principais estratégias para garantir competitividade, produtividade e segurança fitossanitária nas lavouras de algodão do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia
A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.
O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.
Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.
O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.
Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.
A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.
A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.
Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.
Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.
A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.
Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.
No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.
Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.
A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.
O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.
A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.
O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.
Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.
Fonte: Pensar Agro


