AGRONEGOCIOS
Produtores discutem soluções para solos restritivos com manejo biológico à base de Microgeo
AGRONEGOCIOS
Na última semana, produtores da região de Piracicaba (SP) participaram de um encontro técnico voltado à discussão de estratégias inovadoras no manejo de solos considerados restritivos para o cultivo de cana-de-açúcar. O evento foi realizado na propriedade do agricultor Odair Novello, reconhecido por alcançar altos índices de produtividade mesmo diante de condições edafoclimáticas desafiadoras.
Durante o encontro, foram abordados temas como os impactos das variações climáticas, as inovações no manejo biológico e o cenário econômico do setor sucroenergético. Dentre as práticas discutidas, destacou-se o uso do Microgeo no manejo microbiológico do solo, cuja aplicação tem gerado resultados expressivos em diversas regiões produtoras.
Resultados de campo e experiências práticas
Renato Delarco, engenheiro agrônomo e sócio-proprietário da RR Agrícola, compartilhou sua experiência à frente do cultivo de 2.500 hectares de cana-de-açúcar em 55 unidades agrícolas no Noroeste do Estado de São Paulo. Mesmo em anos de adversidades climáticas, ele relata médias superiores a 100 toneladas por hectare, resultado atribuído, em grande parte, à aplicação contínua do Microgeo em toda a sua área.
“Hoje não se discute mais a eficácia do Microgeo. Já realizamos pesquisas e análises premiadas que comprovam seus benefícios. Agora, buscamos entender com mais profundidade quais microrganismos atuam nas áreas produtivas e em que fases do ciclo agrícola são determinantes para os bons resultados”, explicou Delarco. Ele também ressaltou a irregularidade das chuvas como um dos principais entraves enfrentados pelos produtores que dependem exclusivamente do regime pluviométrico.
Renan Alecio, gerente agrícola das propriedades de Odair Novello, destacou a relevância da troca de experiências entre os participantes. “Já conhecíamos o trabalho do Renato, mas nunca havíamos tido a oportunidade de trocar informações diretamente. Esse encontro foi muito esclarecedor, pois permitiu o compartilhamento de práticas entre produtores. Algumas das soluções adotadas por ele podem complementar e aperfeiçoar o nosso manejo, ampliando ainda mais nossos resultados”, afirmou.
Microgeo: ganhos produtivos e melhorias no solo
A reunião também contou com a presença de Paulo D’Andrea, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Microgeo, que reforçou a importância da disseminação de conhecimento técnico e prático. “A informação está disponível, mas o verdadeiro aprendizado exige vivência e experimentação. Este encontro foi fundamental para compreender como as análises e dados técnicos podem ser aplicados no campo. A troca de experiências é indispensável para o avanço da agricultura”, pontuou.
O uso do Microgeo no cultivo da cana-de-açúcar tem demonstrado benefícios significativos na estrutura física do solo, criando condições mais adequadas para o desenvolvimento radicular. Estudos conduzidos pela Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp (Feagri/Unicamp) e apresentados na Sociedade dos Técnicos Alcooleiros e Açucareiros do Brasil (STAB) mostram que áreas tratadas com Microgeo apresentam menor densidade do solo em comparação com áreas testemunha, favorecendo o crescimento das plantas.
Além disso, análises de 175 áreas comerciais indicam que o uso do produto está associado a um incremento médio de produtividade por hectare. Pesquisas conduzidas pelos professores Carlos Crusciol e Gabriela Siqueira, da Unesp de Botucatu, reforçam os ganhos, evidenciando que os solos tratados apresentam maior teor de nutrientes, maior atividade enzimática, redução da temperatura foliar, melhor uso da água e aumento na fixação de CO₂ — fatores que contribuem diretamente para a eficiência e sustentabilidade do sistema produtivo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
AGRONEGOCIOS
Indústria da borracha precisa acelerar execução de soluções para ganhar competitividade global, aponta estudo da Fiesp
A indústria brasileira de artefatos de borracha já mapeou com clareza seus principais gargalos e oportunidades, mas ainda precisa avançar na transformação de diagnósticos em ações concretas para ampliar sua competitividade. A avaliação foi apresentada por Albino Fernando Calantuono, especialista em Competitividade e Tecnologia da Fiesp, durante a Expobor 2026 e a Pneushow 2026, eventos de referência do setor na América Latina.
Importações pressionam mercado e ampliam desafios da indústria nacional
De acordo com o levantamento apresentado, o setor enfrenta forte concorrência de produtos importados, que já representam cerca de 43% de penetração no mercado brasileiro.
Além disso, a cadeia produtiva convive com entraves estruturais, como o elevado custo de produção no país — o chamado “Custo Brasil” —, a ausência de uma política industrial de longo prazo e a concorrência crescente de materiais substitutos, especialmente os plásticos.
O estudo também aponta que 18,4% dos produtos de borracha são destinados ao setor automotivo, enquanto a maior parte das empresas do segmento é composta por pequenos e médios negócios.
China lidera exportações e amplia disputa global
No cenário internacional, a China se destaca como principal player global, liderando praticamente todas as categorias de produtos de borracha comercializados pelo Brasil e respondendo por 18,4% das exportações mundiais do setor.
O Brasil, por outro lado, ocupa a 30ª posição no ranking global de exportadores, com participação de apenas 0,7%.
Segundo Calantuono, apesar do cenário desafiador, há espaço para expansão da indústria brasileira.
“A China está praticamente no quintal do Brasil quando observamos o mercado latino-americano. Ela lidera em escala, competitividade e capacidade produtiva. Mas isso não significa que o Brasil não tenha espaço”, destacou.
Oportunidade está em inovação, sustentabilidade e economia circular
O especialista defende que o reposicionamento da cadeia da borracha brasileira deve passar por inovação tecnológica e estratégias sustentáveis.
Entre os caminhos apontados estão soluções de menor pegada de carbono, maior valor agregado e práticas de economia circular, como reaproveitamento de resíduos e desenvolvimento de materiais inovadores.
“O Brasil possui uma oportunidade única de reposicionar sua cadeia com soluções sustentáveis e customizadas, que podem se tornar diferenciais competitivos importantes”, afirmou.
Calantuono também defendeu a criação de instrumentos regulatórios e políticas públicas para fortalecer o setor.
“A indústria da borracha precisa de uma política tecnológica e industrial consistente para competir em igualdade de condições com o mercado internacional”, completou.
Senai amplia investimentos em capacitação e inovação no setor
Durante o evento, instituições do Sistema S apresentaram iniciativas voltadas à qualificação profissional e ao desenvolvimento tecnológico da indústria da borracha.
O Senai-SP anunciou a implantação de um laboratório de elastômeros no Distrito Tecnológico de São Bernardo do Campo (SP), com início de operação previsto para 2027. O projeto contará com 14 equipamentos de alta tecnologia e investimento estimado em R$ 10 milhões.
Segundo Fernanda Moreira, coordenadora técnica de Novos Negócios do Senai-SP, a estrutura atenderá diferentes segmentos industriais.
“A meta é atender aplicações de alta performance em pneus, indústria automotiva, construção civil, aeroespacial, médico-hospitalar e calçadista, com desenvolvimento de projetos de P,D&I”, afirmou.
Além disso, o Senai-SP está destinando cerca de R$ 3 milhões para capacitação profissional, com 14 cursos voltados ao setor, em formatos presenciais, in company e, futuramente, EAD.
Senai-RS busca ampliar participação da borracha em projetos de inovação
O Senai-RS também destacou iniciativas para expandir a presença da indústria da borracha em seus projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Segundo Jordão Gheller Jr., gerente de Operações do Instituto Senai de Inovação em Engenharia de Polímeros, atualmente apenas 15% dos 29 projetos em andamento envolvem elastômeros.
O painel foi complementado por ações de formação profissional conduzidas por Sandro Lima Bernieri, voltadas à qualificação na área de polímeros.
Novas tecnologias reforçam sustentabilidade e eficiência produtiva
A Arena do Conhecimento da Expobor e da Pneushow 2026 também apresentou inovações tecnológicas voltadas à indústria da borracha.
Entre os destaques, Jason Silva, da Retilox, apresentou sistemas de cura com peróxidos atóxicos, com menor uso de insumos, maior produtividade e reciclabilidade total dos resíduos pós-cura. A tecnologia também reduz emissões de compostos orgânicos voláteis (VOC), contribuindo para a saúde ocupacional e a economia circular.
Já Guilhermo Spangenberg, da Cabot Corporation, apresentou o CGX 1000, um novo tipo de negro de carbono com até 30% de carbono recuperado, desenvolvido para apoiar empresas na redução das emissões dos escopos 1, 2 e 3 do Protocolo GHG.
Indústria precisa reforçar foco no cliente e adaptação ao mercado
Encerrando o ciclo de palestras, o consultor Sérgio Luís Patzlaff, da STG Consultoria Empresarial, destacou a importância da leitura de mercado e da conexão com o cliente como fatores decisivos para a competitividade.
Segundo ele, muitas empresas acabam direcionando esforços para questões internas, em detrimento das demandas externas.
“A empresa não está perdendo cliente, está desistindo de vê-los. A reconexão começa dentro da organização”, afirmou.
O especialista reforçou ainda que a atenção aos clientes em risco deve ser prioridade estratégica, já que a perda de relacionamento pode ser irreversível.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


