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Santa Catarina amplia investimento no Programa Terra Boa 2026 com aporte de R$ 137,8 milhões
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O governo de Santa Catarina anunciou nesta quarta-feira (18) um investimento recorde de R$ 137,8 milhões para a nova edição do Programa Terra Boa 2026, durante a abertura do Itaipu Rural Show. O valor representa um acréscimo de 18% em relação a 2025, quando foram aplicados R$ 116,9 milhões, ampliando o alcance da política pública voltada à agricultura familiar.
Com o novo aporte, a expectativa é beneficiar mais de 69 mil agricultores familiares em todas as regiões catarinenses. No ano anterior, o programa atendeu cerca de 64 mil produtores rurais, consolidando-se como uma das principais ações de apoio ao setor agropecuário estadual.
Durante o anúncio, o governador Jorginho Mello destacou que o aumento de recursos representa mais uma medida concreta para fortalecer o campo:
“O Terra Boa chega com mais recursos e reforça o compromisso com a agricultura familiar. Nosso produtor precisa de condições reais para produzir com mais competitividade e qualidade”, afirmou.
O governador também mencionou a criação de uma nova linha de crédito voltada aos produtores de leite, com benefícios especiais e juros reduzidos.
Programa Terra Boa: tradição e fortalecimento da agricultura familiar
Criado em 1983, o Programa Terra Boa é uma das iniciativas mais tradicionais da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape). Seu principal objetivo é aumentar a produtividade agrícola, diversificar culturas, fortalecer a pecuária e elevar a renda das famílias rurais.
O programa é operacionalizado pela Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina, em cooperação com a Sape, a Epagri e diversas cooperativas e casas agropecuárias credenciadas.
De acordo com o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o sucesso do Terra Boa está na parceria entre Estado e cooperativas:
“O Terra Boa é resultado de um trabalho conjunto que garante insumos e assistência técnica aos produtores, ampliando a produtividade e fortalecendo a renda das famílias rurais”, destacou.
Investimentos e novos projetos previstos para 2026
A edição de 2026 do Terra Boa contará com diversas inovações e ampliação de programas já existentes. Entre as principais ações estão:
- Projeto Sementes de Arroz, com distribuição de 77 mil sacas de sementes selecionadas para o fortalecimento da orizicultura catarinense;
- Distribuição de 415 mil toneladas de calcário e 175 mil sacas de sementes de milho de alto valor genético;
- 3,5 mil cotas do Kit Forrageiras, 3 mil cotas do Kit Solo Saudável, 1 mil cotas do Kit Apicultura e 15 mil abelhas rainhas selecionadas para melhoramento genético e aumento da produtividade;
- Apoio ao cultivo de até 6 mil hectares de cereais de inverno e sorgo granífero, voltados à produção de ração animal.
Os produtores interessados devem procurar os escritórios municipais da Epagri para obter informações sobre critérios, documentação e retirada dos insumos nas cooperativas credenciadas.
Contexto nacional: crédito rural e apoio do Banco Central
O aumento dos investimentos em programas estaduais como o Terra Boa ocorre em um cenário nacional de expansão do crédito rural, impulsionado pelas políticas do Banco Central do Brasil (BCB).
Segundo dados do BCB, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, as contratações de crédito rural somaram R$ 316,57 bilhões, representando um crescimento de 6% em relação à safra anterior. Desse total, R$ 307,11 bilhões já foram liberados aos produtores, um aumento de 3% nas operações de desembolso direto.
Esses números reforçam a importância do crédito rural como instrumento estratégico para o desenvolvimento econômico e social, especialmente em um momento em que o agronegócio tem sustentado o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Dados do Banco Central indicam que, sem o desempenho positivo do agronegócio, o avanço econômico do país em 2025 teria sido significativamente menor. O crédito rural representa atualmente cerca de 13% de todas as operações de crédito no Brasil, segundo o órgão.
O Banco Central mantém políticas de fomento por meio de programas que beneficiam tanto agricultores familiares quanto médios produtores, com linhas específicas para custeio, comercialização e investimento. Essas ações estão previstas no Manual de Crédito Rural, que orienta o sistema financeiro nacional e garante segurança e previsibilidade ao setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Vacinação contra Salmonella reduz mortalidade de suínos em mais de 50% e gera ROI de até 796%
Desafio sanitário cresce na suinocultura brasileira
A suinocultura nacional tem enfrentado um cenário de maior pressão sanitária com o avanço da Salmonella enterica sorovar Choleraesuis. Além dos impactos na produtividade e no bem-estar animal, a presença da bactéria também representa risco para a saúde pública e pode afetar a competitividade do Brasil no mercado exportador.
No campo produtivo, os prejuízos estão associados principalmente à redução do ganho de peso e ao aumento da mortalidade nas fases iniciais de criação.
Vacinação reduz mortalidade em mais de 54% na fase de creche
Um levantamento realizado pela MSD Saúde Animal em uma granja comercial em Minas Gerais apontou resultados expressivos com a adoção de estratégia vacinal preventiva.
A taxa de mortalidade na fase de creche caiu de 6,51% para 2,97%, o que representa uma redução de 54,38% nas perdas de animais.
O desempenho reforça o papel da imunização como ferramenta central no controle da enfermidade dentro dos sistemas produtivos.
Retorno econômico chega a quase R$ 8 para cada R$ 1 investido
Além dos ganhos sanitários, o estudo também evidenciou forte impacto financeiro positivo.
A redução da mortalidade foi associada a um incremento estimado de mais de R$ 163 mil por ano no resultado da granja analisada. O Retorno sobre o Investimento (ROI) atingiu 796%.
Na prática, isso significa que cada R$ 1,00 aplicado na vacinação gerou aproximadamente R$ 7,96 de retorno líquido ao produtor.
Segundo Juliana Fernandes, coordenadora técnica de Suinocultura da MSD Saúde Animal, o resultado reforça o papel estratégico da prevenção sanitária dentro da atividade.
Tecnologia vacinal e eficiência operacional na granja
O estudo avaliou o uso da vacina viva atenuada Porcilis® Argus SC/ST, destacando não apenas sua eficácia, mas também a praticidade de aplicação no manejo diário.
Entre os diferenciais observados estão:
- Aplicação via água de bebida, eliminando o uso de agulhas
- Dose única, simplificando o protocolo sanitário
- Redução de mão de obra e custos operacionais
O protocolo é direcionado a leitões desmamados entre 21 e 25 dias de idade, período considerado crítico para a proteção imunológica na fase de creche.
Alternativas de aplicação ampliam flexibilidade no manejo
A vacina também demonstrou viabilidade de aplicação oral direta com uso de dosador tipo pistola (pig doser), mantendo eficácia e segurança clínica e microbiológica.
Nesse modelo, a administração ocorre em dose única de 1 mL ou 2 mL em leitões desmamados.
Segundo especialistas, a possibilidade de diferentes formas de aplicação contribui para adaptar o protocolo às rotinas de cada sistema produtivo, sem perda de desempenho sanitário.
Resistência antimicrobiana reforça papel da imunização
O avanço da resistência a antimicrobianos tem ampliado a preocupação do setor com estratégias preventivas.
Entre 2017 e 2022, a S. Choleraesuis foi o segundo sorovar mais identificado em suínos no Brasil, representando cerca de 33% dos casos, atrás apenas da S. Typhimurium, com 43%.
Esse cenário reforça a vacinação como uma das principais ferramentas para reduzir o uso de antibióticos, melhorar a sanidade dos rebanhos e garantir maior sustentabilidade econômica da produção.
Perspectiva para o setor
Os resultados observados indicam que programas de imunização bem estruturados podem gerar impacto direto na redução de perdas produtivas e na melhoria da rentabilidade das granjas.
A tendência é que estratégias preventivas ganhem ainda mais relevância diante do aumento dos desafios sanitários e da busca por sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


