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São Desidério tira de Sorriso o título de maior produtor de soja do Brasil
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São Desidério, no oeste da Bahia, ultrapassou Sorriso, em Mato Grosso, e assumiu a liderança nacional da produção municipal de soja. O município baiano colheu 2.092.944 toneladas em 2024, apenas 8.424 toneladas a mais que as 2.084.520 toneladas produzidas pelo antigo líder.
Os números são da Produção Agrícola Municipal (PAM), levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados de 2024 são os mais recentes disponíveis para comparar a quantidade produzida pelos municípios brasileiros.
A mudança representa uma quebra na liderança de Sorriso, que havia terminado 2023 como o maior produtor de soja do país, com aproximadamente 2,2 milhões de toneladas. São Desidério ocupava a segunda posição, com cerca de 2 milhões de toneladas.
A diferença entre os dois primeiros colocados em 2024 foi de somente 0,4%. O resultado mostra uma disputa equilibrada entre o norte de Mato Grosso, principal região produtora do país, e o oeste da Bahia, uma das áreas de maior destaque do Matopiba, fronteira agrícola formada por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Apesar de perder a liderança na soja, Sorriso continuou na primeira posição nacional em valor total da produção agrícola. O município movimentou R$ 7,2 bilhões em 2024, considerando culturas como soja, milho, algodão e feijão. São Desidério ficou em segundo lugar, com R$ 6,6 bilhões.
Sorriso também permaneceu como o maior produtor municipal de milho, com 3,66 milhões de toneladas. Portanto, a ultrapassagem ocorreu exclusivamente no ranking da quantidade de soja colhida, e não no valor total da agricultura nem no conjunto da produção de grãos.
A soja produzida em São Desidério gerou R$ 3,7 bilhões em 2024, maior valor municipal registrado para a cultura. Em Sorriso, a oleaginosa movimentou R$ 3,3 bilhões. A diferença de receita foi maior que a distância entre os volumes devido às condições de comercialização e aos preços recebidos em cada região.
Formosa do Rio Preto, também no oeste baiano, apareceu na terceira posição nacional, com 1.958.821 toneladas. Rio Verde, em Goiás, ficou em quarto, com 1.572.500 toneladas, seguido por Nova Ubiratã, em Mato Grosso, com 1.500.600 toneladas.
Entre os 20 maiores produtores municipais, Mato Grosso manteve ampla presença, com 11 cidades. A Bahia colocou quatro municípios na lista, Goiás três, além de uma cidade do Piauí e outra de Mato Grosso do Sul.
Juntos, os 20 primeiros colocados colheram aproximadamente 25,3 milhões de toneladas de soja em 2024, equivalentes a cerca de 17,5% das 144,5 milhões de toneladas produzidas no país naquele ano. O grão estava presente em 2.640 municípios brasileiros.
O ranking municipal não deve ser confundido com os números da safra nacional em andamento. Para o ciclo 2025/26, já encerrado nas principais regiões produtoras, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma colheita recorde de 180,6 milhões de toneladas, crescimento de 5,3% sobre a temporada anterior.
Também não há mudança na liderança estadual. Mesmo com São Desidério no primeiro lugar entre os municípios, Mato Grosso continua como o maior produtor de soja do Brasil. A Bahia ganha destaque pela força de dois municípios no topo do ranking e pelo avanço da produção no oeste do Estado.
Fonte: Pensar Agro
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Embarques de milho aceleram com entrada da segunda safra
O Brasil exportou 1,18 milhão de toneladas de milho nos primeiros cinco dias úteis de agosto, impulsionado pela entrada da segunda safra e pela maior disponibilidade do cereal nos portos. Apesar da aceleração em relação a julho, a média diária dos embarques ainda ficou 27,4% abaixo da registrada em agosto do ano passado.
Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Entre os dias 3 e 7 de agosto, o país enviou ao exterior 1.183.719 toneladas, média de 236.744 toneladas por dia.
Em agosto de 2025, os embarques alcançaram 6,85 milhões de toneladas em 21 dias úteis, com média diária de 326.127 toneladas. Os primeiros números deste mês representam 17,3% daquele total, mas não indicam, por enquanto, que o Brasil superará o resultado do ano passado.
Se a média observada nos primeiros cinco dias for mantida até o fim do mês, as exportações chegarão a aproximadamente 4,97 milhões de toneladas. O volume ficaria cerca de 1,88 milhão de toneladas abaixo do registrado em agosto de 2025. Trata-se de uma projeção simples, que poderá mudar conforme a programação dos portos e os novos contratos de venda.
A recuperação é mais evidente na comparação com julho. No mês passado, a média diária dos embarques terminou em 84.488 toneladas. O ritmo registrado no início de agosto foi quase três vezes maior, movimento esperado para esta época do ano, quando o avanço da colheita do milho segunda safra aumenta a oferta disponível para exportação.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá 141,7 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. A segunda safra deverá responder por 109,4 milhões de toneladas, mantendo-se como a principal fonte do cereal destinado ao mercado externo durante o segundo semestre.
Embora o volume diário exportado ainda esteja abaixo do ano passado, o preço médio avançou 22,3%. Cada tonelada embarcada no início de agosto alcançou valor equivalente a aproximadamente R$ 1.247, considerando a cotação de R$ 5,15. Esse valor corresponde ao produto exportado e não deve ser confundido com o preço recebido diretamente pelo produtor na fazenda.
As vendas realizadas nos cinco primeiros dias úteis movimentaram o equivalente a R$ 1,48 bilhão. A média diária da receita, contudo, permaneceu 11,2% inferior à de agosto de 2025, porque a valorização da tonelada não compensou integralmente a redução do volume embarcado.
Para o produtor, o desempenho das exportações é importante porque define quanto da segunda safra será retirado do mercado interno. Se os embarques ganharem força nas próximas semanas, poderão reduzir a pressão provocada pela entrada do milho colhido e dar maior sustentação às cotações nas regiões produtoras.
Caso o ritmo permaneça abaixo do registrado no ano passado, uma parcela maior da safra ficará disponível no mercado doméstico, elevando a necessidade de armazenagem e aumentando a disputa entre produtores por espaço nos silos. O efeito será mais intenso nas regiões distantes dos portos, onde o custo do frete limita a competitividade do cereal.
O resultado de agosto dependerá da demanda dos compradores, dos preços internacionais, da programação dos navios e da capacidade dos portos de absorver o aumento da oferta. Com a colheita avançando, o Brasil entra agora no período decisivo para transformar a safra elevada em exportações e evitar excesso de milho no mercado interno.
Fonte: Pensar Agro



