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Seca deve reduzir produção de trigo na Austrália em 16% na safra 2025/26
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A produção de trigo na Austrália deve registrar uma queda de 16% na safra que se inicia em 1º de julho de 2025, em comparação com o ciclo anterior, quando o país colheu um volume recorde. A redução é atribuída à seca em algumas regiões, que compromete a umidade do solo, trazendo as projeções para um patamar mais alinhado às médias históricas, segundo analistas e traders do setor.
Terceiro maior exportador mundial de trigo, a Austrália inicia o plantio deste mês em um cenário de oferta global apertada, o que tende a sustentar os preços do grão. Embora os principais estados produtores, Nova Gales do Sul e Austrália Ocidental, ainda apresentem boas condições de umidade no solo, agricultores em Victoria e na Austrália do Sul enfrentam um cenário adverso, com secas severas que podem impactar o rendimento das lavouras.
“Não há umidade no subsolo em Victoria ou na Austrália do Sul. No ano passado, houve pouca chuva na colheita, mas pelo menos contávamos com umidade no subsolo para o plantio”, explicou Stefan Meyer, chefe da equipe de negociação de grãos da corretora StoneX, em Sydney. “O potencial da safra deste ano parece estar dentro da média ou ligeiramente acima, mas o mercado já indica problemas”, completou.
No mercado físico, os preços do trigo para ração dispararam, alcançando 385 dólares australianos (US$ 241) por tonelada para entrega em junho, na região de Adelaide. O valor representa uma alta em relação aos US$ 355 praticados desde a colheita em novembro, mesmo diante da desvalorização dos futuros de trigo na Bolsa de Chicago para 2025.
Estimativas de produção
De acordo com a média de cinco analistas e traders consultados pela Reuters, a produção de trigo na Austrália deve totalizar 28,6 milhões de toneladas métricas na safra 2025/26, o que representa uma retração de 16,1% em relação às 34,1 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. As previsões variam entre 27 milhões e 30,75 milhões de toneladas.
Em março, o Australian Bureau of Agricultural and Resource Economics and Sciences (ABARES) projetou a produção em 30,5 milhões de toneladas.
“Victoria e a Austrália do Sul enfrentam um período seco há meses”, destacou Palwinder Singh, da empresa de comércio de grãos e oleaginosas Marina Commodities, de Melbourne. “Se houver chuvas nos próximos meses, a situação pode melhorar. Por enquanto, nossa estimativa gira em torno de 28 milhões de toneladas.”
A redução da safra australiana ocorre em um momento crítico para o mercado global. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima que os estoques mundiais de trigo podem cair para o menor nível em nove anos, chegando a 260,08 milhões de toneladas até o final de junho.
“Nossa projeção é de que os preços globais do trigo subam ao longo de 2025 devido à redução da oferta na temporada 2025/26”, informou a BMI Research, unidade do Fitch Group, em relatório.
Desafios climáticos e logísticos
Além da seca, os produtores também enfrentam desafios causados pelo excesso de chuvas em algumas regiões. De acordo com Meyer, da StoneX, Nova Gales do Sul e Queensland receberam volumes expressivos de precipitação na última semana, com acumulados de até 200 mm.
“Há áreas em que os pastos estão completamente alagados, o que pode dificultar a entrada de máquinas para o plantio de trigo e cevada de inverno”, alertou.
A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, também deve reduzir suas vendas externas no primeiro semestre de 2025, o que pode pressionar ainda mais o mercado global.
(US$ 1 = A$ 1,5977)
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Brasil registra alta de 7,1% nas exportações no 1º trimestre e agronegócio lidera resultado histórico
O Brasil iniciou 2026 com forte desempenho no comércio exterior. No primeiro trimestre, as exportações somaram US$ 82,3 bilhões, alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025. As importações totalizaram US$ 68,2 bilhões, resultando em um superávit de US$ 14,2 bilhões, o terceiro maior da série histórica para o período, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
Em março, o ritmo foi ainda mais intenso. As exportações cresceram 10% na comparação anual, alcançando US$ 31,6 bilhões, enquanto as importações avançaram 20,1%, chegando a US$ 25,2 bilhões. A corrente de comércio atingiu US$ 56,8 bilhões, com expansão de 14,3%.
Agronegócio lidera exportações e alcança maior resultado da história
O principal destaque do trimestre foi o agronegócio, que registrou US$ 38,1 bilhões em exportações, o maior valor já apurado para os meses de janeiro a março.
A soja em grãos liderou os embarques, com 23,47 milhões de toneladas, volume 5,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
A China manteve a liderança como principal destino dos produtos do agro brasileiro, respondendo por quase 30% das exportações do setor, com US$ 11,3 bilhões.
Diversificação de mercados fortalece exportações brasileiras
Além da China, outros mercados ganharam relevância no período. As exportações para a Índia cresceram 47,1%, enquanto Filipinas registraram alta de 68,3% e o México avançou 21,7%.
A ampliação dos destinos comerciais é vista como um fator positivo para a resiliência da pauta exportadora brasileira, especialmente diante das incertezas no cenário global.
Indústria extrativa e de transformação também contribuem para o crescimento
A indústria extrativa, que inclui petróleo e minérios, apresentou crescimento de 22,6% no trimestre, sendo um dos principais motores da expansão das exportações em termos nominais.
Já a indústria de transformação registrou avanço de 2,8%, contribuindo de forma complementar para o resultado geral do comércio exterior.
Exportações para os Estados Unidos caem com impacto de tarifas
Em contraste com o desempenho geral positivo, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 18,7% no primeiro trimestre, totalizando US$ 7,78 bilhões. A corrente de comércio bilateral também caiu 14,8%.
O resultado reflete os impactos de sobretaxas impostas ao longo de 2025. Apesar de uma decisão da Suprema Corte dos EUA, em fevereiro, ter invalidado parte das tarifas mais elevadas, os efeitos sobre o fluxo comercial ainda persistem.
Uma nova ordem executiva publicada em fevereiro de 2026 isentou cerca de 46% das exportações brasileiras dessas sobretaxas. No entanto, aproximadamente 29% ainda permanecem sujeitas às tarifas da Seção 232, que incidem sobre produtos como aço e alumínio.
Projeção indica novo recorde nas exportações brasileiras em 2026
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) projeta que o Brasil encerre 2026 com exportações de US$ 364,2 bilhões, o que representaria um novo recorde e crescimento de 4,6% em relação a 2025.
As importações devem atingir US$ 292,1 bilhões, com alta de 4,2%, resultando em um superávit estimado de US$ 72,1 bilhões no ano.
Cenário global exige estratégia e gestão de riscos no comércio exterior
Apesar dos números positivos, o cenário internacional segue desafiador. Fatores como volatilidade cambial, incertezas nas cadeias globais de suprimento e os impactos ainda presentes das tarifas americanas exigem atenção das empresas.
Segundo especialistas, a gestão eficiente do câmbio e dos riscos associados ao comércio internacional passa a ser um diferencial estratégico.
“Para as empresas que operam no comércio exterior, a questão não é mais se haverá volatilidade, mas como se preparar para ela”, avalia Murilo Freymuller, Head Comercial Corporate do banco Moneycorp.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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