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Síndrome da Murcha da Cana-de-Açúcar preocupa o setor e pode causar perdas de até 60%

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Doença ameaça lavouras e impacta o setor sucroenergético

A Síndrome da Murcha da Cana-de-Açúcar (SMC) tem se tornado um dos principais desafios fitossanitários do setor sucroenergético brasileiro. O problema está ligado ao aumento expressivo de colmos secos e apodrecidos, especialmente em lavouras próximas à colheita, podendo atingir incidências de até 60% em determinadas áreas.

De acordo com o pesquisador Laudecir Lemos Raiol Júnior, do CEPENFITO, os impactos são significativos:

“Em experimentos de campo, registramos reduções de produtividade de até 40%. Em áreas comerciais, há relatos de perdas que chegam a 60%”, explica o especialista.

Essas estimativas são baseadas em levantamentos que consideram o número de colmos secos ou murchos por metro linear, permitindo avaliar diretamente o impacto da doença na produção.

Efeitos também atingem a indústria e elevam custos

Além dos danos no campo, a SMC também traz prejuízos à indústria. Colmos afetados, mesmo em estágios iniciais, apresentam altas cargas de microrganismos indesejáveis, como leveduras e bactérias, que reduzem a qualidade do caldo e dificultam o processo de fermentação.

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Esses fatores provocam aumento da acidez, menor eficiência fermentativa e maior consumo de insumos industriais, elevando os custos de controle de contaminação.

Sintomas visíveis e causas associadas

Os sintomas variam conforme a variedade de cana, local de cultivo e manejo, mas há características recorrentes, como descoloração da casca, perda da camada de cera e, internamente, colmos com coloração “marrom glacê” e odor azedo, típico de fermentação.

A doença tende a se manifestar com mais intensidade no final do ciclo de maturação, quando o déficit hídrico aumenta e as plantas entram em senescência, tornando-se mais vulneráveis a patógenos.

Entre os principais fatores associados à síndrome estão:

  • Temperaturas elevadas;
  • Ataque de pragas;
  • Ocorrência de outras doenças;
  • Alto grau de maturação dos colmos.

Apesar de ser mais comum em estágios avançados, a SMC também pode ocorrer em plantas jovens, dependendo das condições ambientais e do nível de estresse fisiológico.

Estratégias de controle e manejo no campo

Para reduzir as perdas causadas pela doença, os especialistas recomendam:

  • Treinamento das equipes para identificar sintomas precocemente;
  • Monitoramento contínuo das áreas afetadas;
  • Antecipação da colheita, sempre que possível, para evitar o agravamento do apodrecimento dos colmos.
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Essas medidas contribuem para minimizar os prejuízos agrícolas e industriais, mantendo a qualidade da matéria-prima processada.

Pesquisa da Unesp busca soluções e ferramentas de detecção precoce

O CEPENFITO, vinculado à Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) da Unesp, tem se destacado nas pesquisas voltadas à identificação das causas e fatores de risco da SMC. O centro atua na análise das condições ambientais e de manejo que favorecem a doença e ampliam sua severidade no campo.

Segundo Raiol Júnior, novas frentes de pesquisa estão em andamento:

“Estamos avaliando ferramentas espectrais para detecção precoce de colmos doentes e conduzindo estudos sobre o comportamento de clones e variedades quanto à tolerância ou suscetibilidade à síndrome.”

Esses avanços buscam fortalecer o manejo preventivo e garantir maior sustentabilidade à produção canavieira no país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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