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Soja: demanda aquecida, dólar valorizado e gargalos logísticos moldam cenário nacional e internacional
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Demanda firme e câmbio impulsionam preços da soja no Brasil
Levantamentos do Cepea indicam que os preços internos da soja subiram na última semana, influenciados principalmente pela valorização do dólar frente ao real e pela forte demanda externa e interna. O Brasil exportou 10,44 milhões de toneladas de soja em julho, com média diária de embarques 12,4% superior à registrada no mesmo mês de 2024.
Segundo o Cepea, tradings estão acelerando compras para completar cargas nos portos brasileiros, o que elevou os prêmios de exportação para os maiores níveis dos últimos três anos. O aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos de diversos países também pode favorecer a demanda internacional pelo complexo soja brasileiro.
Cotações da soja oscilam pouco em Chicago com fundamentos ainda pressionando o mercado
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja abriram a semana com pouca variação e leves quedas, refletindo a boa condição das lavouras nos Estados Unidos e a ausência de novas compras por parte da China. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os contratos de setembro e novembro recuavam entre 2 e 2,5 pontos, sendo cotados a US$ 9,67 e US$ 9,87 por bushel, respectivamente.
Ginaldo Sousa, diretor do Grupo Labhoro, observou que o clima seco predominou no cinturão agrícola norte-americano (Corn Belt), com exceção de chuvas pontuais em Ohio, Indiana e parte de Dakota do Sul. O milho já está polinizado e apresenta boa produtividade, enquanto a soja, em fase de enchimento de vagens, exige atenção, pois agosto é considerado o mês mais crítico para a cultura.
Além disso, a queda no petróleo — com o recuo de mais de 1,5% dos contratos futuros de brent e WTI — devido à decisão da OPEP de ampliar a produção, também pressiona o mercado de commodities, incluindo a soja.
Preços da soja variam entre regiões brasileiras com gargalos logísticos limitando negócios
Os preços da soja seguem instáveis nas principais regiões produtoras do Brasil. No Rio Grande do Sul, as cotações permanecem relativamente estáveis, com destaque para os R$ 140,00 pagos no porto, enquanto no interior os valores giram em torno de R$ 132,00 a R$ 133,00 por saca. Em Santa Catarina, gargalos logísticos dificultam o escoamento da safra, especialmente no porto de São Francisco, onde a saca manteve-se em R$ 137,99. O aumento de 19% na produção estadual entre 2020 e 2025 não foi acompanhado pela expansão da capacidade de armazenagem, que cresceu apenas 5,1%, resultando em um déficit de mais de 800 mil toneladas.
No Paraná, os preços buscam equilíbrio entre interior e porto: Paranaguá teve cotação de R$ 140,17; Cascavel, R$ 126,96; Maringá, R$ 127,22; e Ponta Grossa, R$ 128,32. No balcão, os valores ficaram em R$ 118,00.
No Mato Grosso do Sul, as vendas seguem lentas, ainda que o fim da semana tenha mostrado pequenas valorizações. Em Dourados, Campo Grande e Maracaju, a saca foi cotada a R$ 122,42. Chapadão do Sul teve preço de R$ 119,75, e Sidrolândia apresentou a maior valorização, com R$ 122,42 (+1,83%).
No Mato Grosso, apesar da ampliação das exportações para a China, os produtores enfrentam gargalos logísticos críticos. Ainda assim, os preços subiram pelo terceiro dia consecutivo: Campo Verde, Primavera do Leste e Rondonópolis registraram R$ 120,68; já Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Sorriso ficaram em R$ 118,07.
Encerramento da semana em Chicago mostra leve alta diária, mas queda acumulada
A soja negociada na Bolsa de Chicago encerrou a sexta-feira (2) com leve valorização, mas acumulou perdas ao longo da semana. O contrato de agosto subiu 0,63%, fechando a US$ 961,50 por bushel, enquanto o de setembro avançou 0,58%, para US$ 968,75. O farelo e o óleo de soja também fecharam com altas diárias de 0,67% e 0,59%, respectivamente.
Contudo, a semana foi marcada por recuo de 3,70% nos preços da soja, influenciado pela boa condição das lavouras americanas e pela forte concorrência brasileira no mercado global. A ausência da China nos relatórios de compras também acendeu um sinal de alerta. Até agora, o país é o principal destino da soja americana, com 18,2 milhões de toneladas embarcadas em 2025. Outros importadores relevantes são México, Egito, Japão e Holanda.
Entre os derivados, o farelo de soja acumulou leve queda de 0,10%, e o óleo, um recuo mais expressivo de 3,13%.
O mercado da soja segue dividido entre pressões externas e boas oportunidades no mercado doméstico. Enquanto a valorização cambial e a demanda internacional aquecida sustentam os preços no Brasil, a falta de compras da China e a expectativa de safra robusta nos EUA mantêm os preços internacionais sob pressão. Internamente, a dificuldade logística e o déficit de armazenagem continuam sendo entraves importantes para a comercialização eficiente da safra.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Safra de algodão em Mato Grosso pode atingir 6,27 milhões de toneladas após revisão positiva da produtividade
A produção de algodão em Mato Grosso deverá ser maior do que o previsto inicialmente na safra 2025/26. A nova estimativa divulgada pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta crescimento no potencial produtivo das lavouras, impulsionado pelas condições favoráveis registradas nos primeiros meses de desenvolvimento da cultura.
Apesar da redução na área cultivada, a revisão para cima da produtividade elevou a projeção da safra estadual para 6,27 milhões de toneladas de algodão em caroço, reforçando a posição de Mato Grosso como principal produtor da fibra no Brasil.
Área plantada recua diante de preços menos atrativos
De acordo com o levantamento de junho de 2026, a área destinada ao cultivo de algodão permanece estimada em 1,38 milhão de hectares. O número representa uma retração de 11,11% em relação ao ciclo anterior.
Segundo o Imea, a redução está diretamente relacionada ao cenário de mercado enfrentado pelos cotonicultores. Os preços da fibra considerados menos atrativos e os elevados custos de produção influenciaram a decisão dos produtores, resultando em menor expansão da cultura nesta temporada.
Produtividade surpreende e impulsiona projeção da safra
Mesmo com a diminuição da área cultivada, as perspectivas de rendimento melhoraram significativamente. O instituto revisou a produtividade média do algodão em caroço para 304,02 arrobas por hectare, aumento de 6,32 arrobas por hectare em comparação com a estimativa divulgada em maio.
O avanço reflete o bom desempenho das lavouras durante os primeiros estágios de desenvolvimento, favorecido por condições climáticas adequadas e bom estabelecimento das plantas no campo.
Segundo a análise do Imea, o cenário observado até o momento contribuiu para elevar o potencial produtivo das áreas cultivadas e compensar parte da redução na superfície plantada.
Produção é revisada para 6,27 milhões de toneladas
Com o ajuste na produtividade, a estimativa para a produção total de algodão em caroço em Mato Grosso foi elevada para 6,27 milhões de toneladas. O volume representa crescimento de 2,12% em relação à projeção anterior divulgada pelo instituto.
A nova previsão reforça a expectativa de uma safra robusta, mesmo diante dos desafios econômicos enfrentados pelo setor ao longo do planejamento da temporada.
Clima seguirá determinando o resultado final da safra
Embora os números atuais sejam positivos, o Imea destaca que a consolidação do potencial produtivo ainda dependerá das condições climáticas ao longo dos próximos meses.
Fatores como regime de chuvas, temperatura e sanidade das lavouras continuarão sendo determinantes para confirmar o rendimento projetado e garantir o alcance da produção estimada.
Com uma das maiores áreas de algodão do mundo concentradas no estado, Mato Grosso segue como protagonista da cotonicultura nacional, setor que desempenha papel estratégico nas exportações brasileiras e no abastecimento da indústria têxtil global.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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