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Soja no Paraná inicia 2026 com boas condições de cultivo, mas preços seguem estáveis
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As lavouras de soja no Paraná apresentam um cenário favorável para a safra de 2026, segundo o Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) nesta quinta-feira (15).
De acordo com o levantamento, 90% das áreas cultivadas estão em boas condições, aumento em relação aos 89% registrados na semana anterior. Segundo o Deral, “apesar de sutil, a sinalização positiva reforça a possibilidade de que sejam colhidas 22 milhões de toneladas de soja neste ano”, considerando que o cenário atual é superior ao observado nas últimas oito safras, inclusive em comparação com o ciclo 2022/23, quando o Estado registrou produção recorde de 22,3 milhões de toneladas.
Colheita inicial mostra produtividade promissora
As colheitas iniciais já realizadas indicam bons níveis de produtividade, concentradas principalmente na região Oeste do Paraná. Entretanto, esse volume ainda corresponde a apenas 0,3% da área total estimada de 5,78 milhões de hectares destinados ao cultivo da soja nesta safra.
O Deral destaca que apenas 12% das lavouras estão em maturação, enquanto 88% permanecem nas fases mais sensíveis do ciclo, que são determinantes para a consolidação da produção final.
Comercialização enfrenta preços estáveis
Apesar do cenário produtivo positivo, a comercialização da soja segue com preços praticamente estáveis. O boletim aponta que a saca de soja no Paraná tem variado entre R$115,00 e R$120,00 desde janeiro de 2025.
O Deral explica que essa estabilidade reflete a manutenção das cotações internacionais e a valorização do real frente ao dólar ao longo do último ano.
Em números, a média de preços recebidos pelos produtores foi de R$119,18 por saca de 60 quilos em janeiro de 2025, caindo para R$118,16 na primeira semana de 2026 — uma redução de cerca de 1% no comparativo entre os períodos.
Perspectiva positiva para a safra
Com base na análise do Deral, o ciclo 2026 apresenta condições produtivas favoráveis, mas o mercado interno ainda enfrenta desafios para a valorização da produção. A expectativa é que as próximas semanas, conforme o avanço da maturação e a continuidade da colheita, definam com maior clareza os resultados finais da safra paranaense.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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