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Soja: óleo ganha espaço na indústria, preços recuam em Chicago e mercado interno segue estável
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Um levantamento do Cepea revelou que o óleo de soja conquistou, na última semana, participação quase igual à do farelo na margem de lucro da indústria de esmagamento, algo inédito no setor. A fatia do óleo atingiu 49% no dia 11 de setembro, enquanto o farelo respondeu por 51%.
Tradicionalmente, o farelo tem maior relevância na composição da margem — em 2023, sua média foi de 62,2%, contra 37,8% do óleo. O movimento atual reflete o avanço da demanda pelo óleo brasileiro, especialmente do setor de biodiesel.
Mercado interno mostra estabilidade em estados produtores
No Brasil, as negociações de soja seguem em compasso de espera, com produtores retraídos e preços estáveis em várias regiões.
- Rio Grande do Sul: portos registraram R$ 142,00 (-0,35%) por saca; no interior, R$ 134,00 em municípios como Cruz Alta e Passo Fundo.
- Santa Catarina: mercado pouco movimentado; no porto de São Francisco, a saca foi cotada a R$ 140,82.
- Paraná: em Paranaguá, a cotação foi de R$ 142,60 (+0,05%); no interior, variação entre R$ 123,92 e R$ 131,65.
- Mato Grosso do Sul: destaque para altas pontuais, com valores entre R$ 121,99 (+1,34%) em Chapadão do Sul e R$ 126,15 (+2,17%) em Sidrolândia.
- Mato Grosso: mercado com leves recuos e baixa liquidez; preços variaram de R$ 120,85 a R$ 123,50 por saca em cidades como Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste e Rondonópolis.
Segundo analistas, a boa umidade do solo no Centro-Oeste favorece o avanço do plantio da safra 2025/26, o que sustenta perspectivas otimistas para a nova temporada.
Soja recua em Chicago com realização de lucros
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja iniciaram a segunda-feira (15) em baixa, devolvendo parte dos ganhos da última sessão. Por volta de 7h15 (horário de Brasília), o contrato de janeiro/25 era negociado a US$ 10,61 e o de maio/25 a US$ 10,89 por bushel, em queda de pouco mais de 4 pontos.
O movimento foi atribuído à realização de lucros e ao impacto dos fundamentos: a safra norte-americana foi levemente revisada para cima, enquanto as exportações foram reduzidas. Além disso, a ausência da China nas compras de soja dos EUA segue pressionando os preços.
Relatório do USDA sustenta alta na última semana
Na sexta-feira (13), a soja havia encerrado a sessão em alta em Chicago, impulsionada pelo relatório WASDE do USDA. O documento trouxe dados mistos: queda na produtividade, aumento no volume final da safra e menor demanda externa, compensada por esmagamento recorde nos Estados Unidos.
- Contrato de novembro/24: alta de 1,26% (12,75 cents/bushel), cotado a US$ 1.046,50.
- Contrato de janeiro/25: valorização de 1,24%, a US$ 1.065,50.
- Farelo (outubro/24): avanço de 0,52%, a US$ 287,60 por tonelada curta.
- Óleo (outubro/24): alta de 1,16%, cotado a US$ 51,67 por libra-peso.
No acumulado da semana, a soja subiu 1,90% (19,50 cents/bushel), o farelo avançou 2,5% e o óleo 1,69%, mostrando resiliência mesmo em meio à volatilidade.
Perspectivas para o mercado
Com o início da semeadura no Brasil e boas condições climáticas no Centro-Oeste, há expectativa de produção recorde na safra 2025/26, o que deve manter o país competitivo no mercado internacional. No curto prazo, investidores também acompanham a variação do câmbio, que influencia diretamente as exportações brasileiras.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fracassa acordo no STF e disputa sobre Moratória da Soja volta a julgamento
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a tentativa de construir um acordo entre produtores rurais, indústria, ambientalistas e Ministério Público sobre a Moratória da Soja. Sem consenso entre as partes, o Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) devolveu os quatro processos relacionados ao tema aos ministros relatores, abrindo caminho para a retomada do julgamento das ações, ainda sem data definida.
Em despacho assinado nesta sexta-feira (12.06), o juiz auxiliar da Presidência do STF e supervisor do Nusol, Álvaro Ricardo de Souza Cruz, afirmou que as reuniões realizadas entre abril e maio chegaram a criar um ambiente favorável à conciliação, mas houve recuo dos envolvidos, inviabilizando uma solução negociada.
“Durante as tratativas, instaurou-se amplo diálogo entre os envolvidos, tendo-se verificado, em determinado momento, ambiente propício à construção de solução consensual. Contudo, sobreveio recuo das partes, o que impossibilitou a composição”, registra o documento.
Segundo o STF, a tentativa de mediação não buscava discutir a constitucionalidade das leis estaduais questionadas, mas os efeitos práticos decorrentes de uma eventual decisão da Corte. A preocupação é evitar a multiplicação de disputas judiciais em diferentes instâncias após o julgamento das ações.
As tratativas envolveram representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Ministério Público Federal e dos governos de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, além de partidos políticos autores das ações.
Com o fim da mediação, o Nusol reenviou as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7774, relatada pelo ministro Flávio Dino; 7775, sob relatoria de Dias Toffoli; e 7863 e 7959, ambas sob responsabilidade do ministro Luiz Fux.
As ADIs 7774 e 7775 questionam leis aprovadas em Mato Grosso e Rondônia que retiraram benefícios fiscais de empresas participantes de acordos privados, como a Moratória da Soja.
Criada em 2006, a Moratória da Soja estabelece que empresas signatárias não adquiram grãos produzidos em áreas do bioma Amazônia desmatadas após 2008, ainda que a abertura das áreas tenha ocorrido dentro dos limites previstos pela legislação ambiental.
A disputa ganhou novo capítulo após a entrada em vigor, no início de 2026, da lei de Mato Grosso que impôs restrições às tradings participantes do acordo. A medida contribuiu para o esvaziamento da Moratória, com a saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e das empresas associadas.
No fim do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de todas as ações judiciais e administrativas relacionadas à Moratória da Soja, incluindo processos que pedem indenizações. Em uma dessas ações, produtores rurais de Mato Grosso reivindicam ressarcimento superior a R$ 1 bilhão. O setor também acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando as tradings de formação de cartel.
A tentativa de mediação havia sido anunciada em março, durante o julgamento das ações pelo plenário do STF. Com o fracasso das negociações, caberá agora aos ministros dar prosseguimento à análise do caso.
Fonte: Pensar Agro

