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Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros exige estratégia defensiva e negociação firme, dizem especialistas
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A publicação do decreto do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que instituiu uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, completa quase um mês, e o setor agropecuário do país já sente os efeitos. Entre os produtos mais impactados estão café, carnes e sucos de frutas, embora a laranja tenha saído da lista de sobretaxas, ficando com encargo de 10%. Atualmente, quase metade dos 3 milhões de litros de suco consumidos nos EUA tem origem no Brasil, o que demonstra a relevância do país nesse mercado.
Produtores rurais que não foram beneficiados com reduções de tarifa demonstram preocupação. André Dominiquine, cafeicultor em Conceição da Aparecida (MG), alerta que a medida não afeta apenas o fluxo direto de exportação, mas toda a cadeia produtiva, elevando custos e podendo reduzir margens de lucro.
“O principal medo do produtor é a instabilidade nos preços de mercado, tanto do produto quanto dos insumos”, explica Dominiquine.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que a sobretaxa possa gerar perdas de US$ 5,8 bilhões para o setor. Apesar disso, a CNA projeta crescimento de 6,49% no setor para o primeiro trimestre de 2025, mostrando a resiliência do agronegócio brasileiro, que em 2024 contribuiu com cerca de R$ 2,72 trilhões para o PIB.
Estratégias de defesa e análise jurídica
Para o professor e advogado especializado em agronegócio, André Passos, do Passos e Sticca Advogados Associados e da FGV, é necessária frieza e planejamento estratégico. Segundo ele, o Brasil deve adotar medidas defensivas e assertivas, sem ceder a imposições unilaterais que comprometam a soberania nacional.
“Não podemos acreditar que os EUA estejam tão preocupados com questões internas do Brasil; a tarifa parece mais política do que econômica”, avalia Passos, referindo-se à inclusão do Brasil no mesmo “cesto” que Coreia do Norte e Irã.
O advogado recomenda olhar de longo prazo, considerando a inserção do agronegócio brasileiro nas cadeias globais de produção e consumo. Dependendo dos próximos movimentos, novos produtos, como o café, podem ganhar isenções adicionais.
Diplomacia, negociação e ferramentas financeiras
Enquanto o governo busca medidas para reduzir os impactos, produtores se adaptam à instabilidade. Ferramentas financeiras de gestão de risco são apontadas como essenciais para proteger a rentabilidade.
Além disso, Passos ressalta que há alternativas jurídicas em análise, como a utilização da jurisprudência da Suprema Corte dos EUA e questionamentos junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Também é importante articular interesses com importadores norte-americanos, que sofrem impactos imediatos da sobretaxa, para pressionar por soluções negociadas.
“É fundamental que o Brasil permaneça à mesa de negociações, disposto a dialogar, mas sem aceitar imposições que afetem nossa capacidade de articulação internacional”, conclui o especialista.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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MP das dívidas rurais deve prever juros a partir de 6% ao ano e prazo de até 10 anos para produtores afetados por perdas climáticas
O governo federal está finalizando uma Medida Provisória (MP) para renegociação das dívidas rurais, que deverá estabelecer condições especiais para produtores afetados por eventos climáticos e pela volatilidade dos preços agrícolas. A proposta prevê taxas de juros entre 6% e 12% ao ano, além de prazo de até 10 anos para quitação dos financiamentos, dependendo da situação enfrentada pelo agricultor.
A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que afirmou que o texto está em fase final de negociação com parlamentares e poderá ser publicado nos próximos dias.
Governo busca consenso para ampliar renegociação das dívidas rurais
Segundo Durigan, a proposta representa um equilíbrio entre a versão inicialmente defendida pelo governo e as demandas apresentadas pela bancada do agronegócio no Congresso Nacional.
O objetivo é oferecer condições mais favoráveis para produtores que enfrentaram dificuldades financeiras provocadas por estiagens, enchentes, geadas, excesso de chuvas e oscilações nos preços das commodities agrícolas, preservando ao mesmo tempo o equilíbrio fiscal.
De acordo com o Ministério da Fazenda, a medida deverá gerar um impacto adicional entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões por ano para o Tesouro Nacional, além dos custos já existentes com os subsídios das linhas de crédito rural.
Juros variam conforme o porte do produtor
A proposta estabelece taxas diferenciadas de acordo com o perfil do produtor rural, buscando ampliar o acesso dos agricultores familiares e reduzir o peso financeiro das renegociações.
Pelas regras em discussão, os juros poderão ser definidos da seguinte forma:
- 6% ao ano para pequenos produtores;
- 9% ao ano para médios produtores;
- 11% a 12% ao ano para grandes produtores.
A diferenciação busca tornar a renegociação mais acessível para os segmentos mais vulneráveis, especialmente aqueles com menor capacidade de recuperação financeira após perdas sucessivas.
Prazo poderá chegar a 10 anos
Outro ponto considerado estratégico na proposta é o alongamento dos prazos para pagamento.
A regra geral deverá permitir a liquidação das operações em até oito anos. Entretanto, produtores que comprovarem prejuízos decorrentes de eventos climáticos severos poderão contar com prazo ampliado de até dez anos, proporcionando maior capacidade de reorganização financeira.
A iniciativa atende uma demanda recorrente das entidades representativas do agronegócio, que defendem mecanismos permanentes de reestruturação das dívidas diante do aumento da frequência de eventos climáticos extremos.
Limites de renegociação chegam a R$ 8 milhões
A MP também deverá estabelecer limites financeiros para enquadramento das operações.
Conforme antecipado pelo ministro, produtores atingidos por perdas climáticas poderão renegociar financiamentos de até R$ 8 milhões por CPF.
Já os agricultores que enfrentaram dificuldades decorrentes da queda ou da volatilidade dos preços dos produtos agropecuários terão limite de até R$ 4 milhões por CPF.
A diferenciação busca direcionar maior apoio às propriedades diretamente impactadas por fenômenos climáticos, considerados atualmente um dos principais fatores de risco da atividade agropecuária.
Agronegócio acompanha expectativa pela publicação da MP
A expectativa do setor é de que a medida provisória contribua para aliviar a situação financeira de milhares de produtores que acumularam dificuldades nas últimas safras em razão das adversidades climáticas e da instabilidade dos mercados agrícolas.
Nos últimos anos, diversas regiões produtoras registraram perdas provocadas por seca, excesso de chuvas, geadas e oscilações nos preços internacionais das commodities, comprometendo o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento de financiamentos rurais.
Caso seja publicada nos próximos dias, a MP poderá representar uma das principais iniciativas de apoio financeiro ao setor agropecuário em 2026, oferecendo maior previsibilidade aos produtores e reduzindo os riscos de inadimplência no crédito rural.
Renegociação busca preservar produção e crédito no campo
Além de aliviar a pressão financeira sobre os produtores, a proposta pretende preservar a capacidade de investimento do agronegócio brasileiro, garantindo a continuidade da produção, o acesso ao crédito e a manutenção da atividade econômica nas regiões rurais.
A expectativa é que as novas regras fortaleçam a sustentabilidade financeira do setor em um cenário de maior volatilidade climática e econômica, permitindo que produtores retomem investimentos e mantenham a competitividade da agropecuária brasileira.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio


