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Tecnologia na aplicação de agroquímicos em uva é tema de encontro entre cooperativas vinícolas do RS e Instituto Agronômico de SP
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Representantes técnicos de cooperativas vinícolas do Rio Grande do Sul, como Aurora, Garibaldi, Aliança, São João e Paraíso, estiveram no Centro de Engenharia e Automação (CEA) do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, localizado em Jundiaí. Cerca de 20 profissionais debateram com o pesquisador Hamilton Ramos as melhores práticas para a aplicação de defensivos agrícolas na cultura da uva.
Especialista reconhecido em pesquisa agrícola lidera debates
Hamilton Ramos, um dos principais nomes da pesquisa brasileira na área de uso correto e seguro de defensivos agrícolas, coordena cinco projetos estratégicos relacionados à tecnologia de aplicação: Aplique Bem, Adjuvantes da Pulverização, Drones SP, IAC-Quepia (Qualidade de Equipamentos de Proteção Individual na Agricultura) e Unidade de Referência em Produtos Químicos e Biológicos.
Foco na viticultura gaúcha e controle fitossanitário
Durante o encontro, Ramos enfatizou a importância do treinamento adequado dos aplicadores e da regulagem precisa dos equipamentos, especialmente pulverizadores agrícolas. Segundo ele, esses fatores são fundamentais para o sucesso no controle de doenças e pragas e para garantir a alta qualidade da uva produzida no Rio Grande do Sul.
Resultados e avanços dos programas coordenados pelo IAC
O pesquisador apresentou dados expressivos dos cinco programas que coordena, voltados para a segurança e eficiência na aplicação de defensivos agrícolas.
No programa IAC-Quepia, destacou a evolução dos equipamentos de proteção individual (EPIs), que hoje incorporam tecnologias avançadas. Ele ressaltou que trabalhadores rurais que utilizam EPIs certificados pelo programa estão significativamente mais protegidos. A taxa de reprovação de EPIs fabricados no Brasil, que chegou a 80% em 2010, caiu para menos de 20% atualmente.
Sobre o programa Aplique Bem, que oferece treinamentos gratuitos diretamente nas propriedades rurais, Ramos informou que mais de 80 mil agricultores brasileiros e de outros oito países já foram beneficiados. Com 18 anos de atuação, a equipe liderada por ele já realizou mais de 4 mil treinamentos especializados, incluindo em viticultura, abrangendo mais de 1 mil municípios e percorrendo cerca de 1 milhão de quilômetros pelas rodovias do Brasil.
Investimento em tecnologia e qualificação como caminho para o setor
O encontro reforçou o papel da inovação tecnológica e da capacitação técnica como ferramentas essenciais para otimizar o uso de defensivos agrícolas, melhorar a produtividade e garantir a sustentabilidade da produção de uva, sobretudo no Rio Grande do Sul, um dos principais polos vinícolas do país.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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