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Trigo: El Niño aumenta risco climático e produção brasileira pode cair 20% na safra 2026/27

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O mercado brasileiro de trigo entra na safra 2026/27 cercado por desafios. A combinação de redução da área cultivada, custos elevados de produção e a confirmação do fenômeno El Niño deve impactar significativamente a produção nacional, que pode registrar queda próxima de 20% em relação ao ciclo anterior.

A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal de junho, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que destaca um cenário de maior risco para os produtores, especialmente devido aos possíveis efeitos climáticos sobre a qualidade dos grãos.

Plantio avança, mas produtores reduzem investimentos

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura do trigo já alcançou 45,3% da área prevista para a temporada 2026/27. As condições iniciais das lavouras são consideradas favoráveis, principalmente na Região Sul, onde a umidade tem contribuído para a boa emergência das plantas e o desenvolvimento vegetativo.

Apesar disso, o ambiente econômico segue desafiador. A rentabilidade considerada insatisfatória tem levado muitos produtores a reduzirem investimentos e diminuírem a área destinada ao cereal.

A projeção da Conab aponta retração de 13,4% na área cultivada. Somada a uma expectativa de produtividade 7,6% menor, a produção brasileira deverá atingir aproximadamente 6,2 milhões de toneladas, representando uma queda de cerca de 20% frente ao ciclo anterior.

Além da redução de área, os custos mais elevados de produção têm limitado o uso de tecnologias e investimentos em manejo, fator que também contribui para o viés baixista da safra.

El Niño amplia preocupação com a qualidade do trigo

A confirmação do El Niño adiciona uma nova camada de incerteza ao mercado. Embora o fenômeno possa favorecer o fornecimento de água durante as fases iniciais de desenvolvimento das lavouras, o excesso de chuvas ao longo do ciclo preocupa produtores e analistas.

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O principal risco está relacionado ao aumento da incidência de doenças e à perda de qualidade dos grãos na fase final de maturação e colheita, situação historicamente observada em anos sob influência do fenômeno climático.

A qualidade do trigo é um fator decisivo para a indústria moageira e para a formação dos preços, tornando o clima uma variável estratégica para o mercado nos próximos meses.

Mercado doméstico registra valorização durante a entressafra

Enquanto a nova safra está sendo implantada, os preços do trigo seguem firmes no mercado interno. No Paraná, principal estado produtor do país, o cereal foi negociado próximo de R$ 70 por saca na primeira quinzena de junho, acumulando valorização nos últimos 30 dias.

O movimento reflete a baixa liquidez típica do período de entressafra. Produtores permanecem retraídos nas vendas, enquanto os moinhos adotam postura cautelosa diante das dificuldades de repassar aumentos aos preços da farinha.

A valorização recente do dólar também contribuiu para sustentar as cotações domésticas, elevando a paridade de importação e fortalecendo o mercado interno.

Cenário internacional segue volátil

No mercado global, o trigo apresentou forte volatilidade entre maio e junho. As cotações em Chicago chegaram a superar US$ 6,60 por bushel durante maio, impulsionadas pela seca nas regiões produtoras dos Estados Unidos.

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No entanto, o avanço da colheita no Hemisfério Norte, a melhora das condições climáticas em áreas produtoras americanas e perspectivas mais favoráveis para a safra russa provocaram correções nos preços no início de junho.

Apesar disso, persistem incertezas relevantes em importantes origens globais, como Ucrânia e Rússia, o que mantém o mercado sensível a qualquer alteração climática ou geopolítica.

Dependência de importações deve continuar elevada

Com a perspectiva de menor produção nacional, o Brasil deve manter elevada dependência das importações para abastecer o mercado interno.

Nesse contexto, a formação dos preços domésticos continuará fortemente influenciada pelo câmbio e pela competitividade do trigo argentino, principal fornecedor do cereal ao mercado brasileiro.

A expectativa é que os preços permaneçam sustentados durante a entressafra, embora o amplo abastecimento global limite movimentos mais expressivos de valorização no mercado internacional.

Perspectivas para o setor

O cenário para o trigo em 2026/27 combina fundamentos de oferta mais restrita no Brasil com riscos climáticos crescentes associados ao El Niño. Para os produtores, o momento exige atenção redobrada ao manejo das lavouras, estratégias de comercialização e gestão de riscos.

Enquanto o mercado acompanha a evolução do clima e do plantio, a qualidade da safra deverá ser um dos principais fatores para determinar o comportamento dos preços e a competitividade do cereal brasileiro nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil e União Europeia negociam acordo para evitar perdas de até US$ 2 bilhões nas exportações de proteína animal

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O governo brasileiro intensificou as negociações com a União Europeia para evitar impactos nas exportações de produtos de origem animal, após a decisão do bloco de restringir o acesso de itens brasileiros ao seu mercado. A medida pode gerar perdas estimadas em até US$ 2 bilhões por ano para o setor de proteína animal.

Entenda a crise entre Brasil e União Europeia no comércio de carnes

Durante encontro do G7, realizado em 16 de junho, representantes do Ministério da Agricultura e da DG Santé, órgão de saúde e segurança alimentar da União Europeia, avançaram em uma nova rodada de negociações.

O foco das discussões é a criação de mecanismos de controle e comprovação do uso de substâncias permitidas na produção animal destinada à exportação.

Segundo nota do Palácio do Planalto, ambas as partes demonstraram disposição para construir soluções que atendam às exigências sanitárias e industriais europeias, sem comprometer os interesses comerciais do Brasil e os avanços do acordo Mercosul–UE.

UE suspende habilitações e acende alerta no agronegócio brasileiro

A crise teve início após a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco.

A restrição foi oficializada em 5 de junho e deve entrar em vigor em 3 de setembro, afetando:

  • Carne bovina
  • Carne de frango
  • Carne suína
  • Carne equina
  • Pescado
  • Mel
  • Tripas
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De acordo com a União Europeia, o Brasil não teria apresentado informações suficientes para atender às exigências previstas no Regulamento Europeu 2019/6 e no Regulamento Delegado 2023/905, especialmente relacionadas ao uso de antimicrobianos e riscos de resistência microbiana.

Impacto pode chegar a US$ 2 bilhões por ano

O setor de proteína animal estima que o fechamento parcial do mercado europeu pode gerar perdas próximas de US$ 2 bilhões anuais.

Mesmo com a abertura do canal de diálogo, exportadores demonstram preocupação com o curto prazo até a entrada em vigor da medida e a ausência de definição sobre eventual revisão da decisão.

Especialistas alertam para efeito em cadeia no agronegócio

Para o sócio-diretor do Banco Fiscal, Pedro Schuch, o cenário representa um dos episódios mais relevantes para o comércio exterior brasileiro nos últimos anos.

Ele destaca que o impacto vai além das exportações diretas de carne:

“A produção de carne afeta toda uma cadeia de negócios interdependentes, incluindo a demanda por ração e grãos como milho.”

Schuch também lembra que o Brasil já enfrentou restrições semelhantes no passado e avalia que o momento exige atuação diplomática intensa para evitar prejuízos maiores.

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Comércio exterior brasileiro enfrenta cenário de pressão simultânea

O especialista chama atenção para um contexto mais amplo de desafios recentes:

  • aumento de tarifas em outros mercados relevantes
  • novas barreiras sanitárias na União Europeia
  • restrições a diferentes produtos do agronegócio

Segundo ele, o cenário atual exige resposta coordenada para preservar a competitividade internacional do Brasil, um dos maiores exportadores mundiais de proteína animal.

Mercado europeu segue estratégico para o agronegócio brasileiro

Apesar das restrições, a União Europeia permanece como um dos principais destinos da proteína animal brasileira.

Em 2025, os resultados foram expressivos:

  • Carne bovina: US$ 1,048 bilhão (128 mil toneladas)
  • Carne de frango: US$ 762 milhões (230 mil toneladas)
  • Carne suína: US$ 2,3 milhões (542,8 toneladas)

Já no acumulado de janeiro a março de 2026, o Brasil exportou US$ 508,7 milhões em proteínas animais para o bloco, somando 116,5 mil toneladas.

Perspectiva do setor

Os números reforçam a relevância estratégica do mercado europeu para o agronegócio brasileiro. O avanço das negociações será decisivo para definir o impacto real das restrições e o futuro do fluxo comercial entre Brasil e União Europeia no setor de proteína animal.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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