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Trump volta a prometer tarifas unilaterais e deve comunicar países em até duas semanas
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O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar que pretende impor tarifas unilaterais a diversos parceiros comerciais, com envio de notificações previsto para as próximas duas semanas. A iniciativa acontece antes do prazo final de 9 de julho, data estabelecida por Trump para reintroduzir tarifas mais altas a dezenas de economias.
“Vamos enviar cartas dentro de uma semana e meia, duas semanas, aos países, explicando qual é o acordo”, disse Trump a repórteres na quarta-feira (11), durante evento no John F. Kennedy Center for the Performing Arts, em Washington.
“Aceite ou rejeite”
Durante a declaração, Trump enfatizou que os países terão a opção de aceitar ou não os termos estabelecidos pelos Estados Unidos. “Chegando a um ponto, vamos simplesmente enviar cartas. E acho que você entende que, se este é o acordo, você pode aceitá-lo ou rejeitá-lo”, afirmou.
Histórico de prazos não cumpridos
Apesar do novo anúncio, há ceticismo sobre a execução imediata das medidas. Trump é conhecido por estabelecer prazos curtos para ações que, muitas vezes, são adiadas ou não chegam a ser implementadas. Em maio, por exemplo, ele afirmou que estabeleceria tarifas em duas a três semanas — o que não se concretizou.
Tarifas anunciadas em abril foram suspensas
Em abril, Trump anunciou tarifas mais elevadas sobre dezenas de parceiros comerciais, mas suspendeu sua aplicação por 90 dias. O adiamento foi uma tentativa de conter a queda nos mercados financeiros e reduzir o temor de uma possível recessão global.
Até o momento, os Estados Unidos só fecharam uma estrutura comercial com o Reino Unido, além de estabelecer uma trégua com a China.
Acordo com a China ainda é incerto
Apesar do acordo com a China, as relações continuam instáveis. As duas potências voltaram a se acusar de não cumprir os termos firmados, o que levou a negociações intensas nesta semana em Londres. A pauta inclui detalhes sobre como implementar o acordo.
Mais cedo na quarta-feira, Trump afirmou que a estrutura do acordo com a China já está definida. Segundo ele, o país asiático fornecerá terras raras e ímãs, enquanto os EUA permitirão que estudantes chineses continuem frequentando universidades americanas.
Prazo pode ser estendido, diz Trump
Durante o mesmo evento, Trump foi questionado se estaria disposto a adiar novamente o prazo para que os países fechem acordos comerciais antes da aplicação de tarifas mais altas. Ele respondeu que poderia considerar a extensão, mas não acredita que será necessário.
Acordos bilaterais prioritários
Inicialmente, Trump planejava negociar individualmente com cada país, mas a proposta foi abandonada diante da limitação operacional do governo. Agora, os esforços se concentram em acordos bilaterais com parceiros estratégicos, como Índia, Japão, Coreia do Sul e União Europeia.
União Europeia deve ser a última, afirma secretário do Comércio
O secretário do Comércio, Howard Lutnick, afirmou na quarta-feira que o acordo com a União Europeia deverá ser um dos últimos a serem concluídos. Ele expressou frustração com a complexidade de negociar com um bloco composto por 27 países.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês
Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.
A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.
A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.
O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.
Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.
O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.
A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.
Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.
A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.
Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.
Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.
A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.
Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.
A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.
É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.
Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.
A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.
Fonte: Pensar Agro



