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USDA mantém estimativas para soja e algodão e revisa alta na produção global de trigo e milho em dezembro
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Panorama geral do relatório de dezembro do USDA
O relatório WASDE (World Agricultural Supply and Demand Estimates) divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em dezembro de 2025 trouxe poucas alterações para os principais grãos, mantendo a tendência de estabilidade nas estimativas para soja e algodão, e revisando para cima a produção global de trigo e milho.
Segundo análise da Consultoria Agro Itaú BBA, o documento reflete um cenário de ajuste técnico nas safras e regularidade nas exportações, com impactos moderados sobre os estoques e o equilíbrio global de oferta e demanda.
Soja: projeções mantidas para Brasil e EUA
No caso da soja, o USDA manteve as principais estimativas do ciclo 2025/26.
Nos Estados Unidos, a exportação foi mantida em 44,5 milhões de toneladas, com estoques finais estáveis em 7,9 milhões de toneladas. O estoque global teve leve revisão positiva, passando de 122 para 122,4 milhões de toneladas, enquanto a produção brasileira foi mantida em 175 milhões de toneladas, confirmando o país como o maior produtor mundial.
Para o Brasil, a consultoria destaca crescimento na área colhida (48,8 milhões de hectares) e produção estável, sustentada por boas condições climáticas e aumento do consumo interno. Já a Argentina teve leve redução na projeção de safra, de 51 para 49 milhões de toneladas.
Milho: aumento na produção global e revisões nos EUA e Ucrânia
O USDA também apresentou revisões relevantes no balanço global do milho.
Nos Estados Unidos, houve aumento na exportação (de 78,1 para 81,3 milhões de toneladas) e redução nos estoques finais, que caíram de 54,7 para 51,5 milhões de toneladas, reforçando o ritmo de demanda externa.
A produção global de milho foi projetada em 1,283 bilhão de toneladas, com alta de 4% em relação à safra anterior. A Ucrânia, por outro lado, teve sua produção reduzida de 32 para 29 milhões de toneladas, enquanto a Argentina manteve o volume estimado em 53 milhões de toneladas.
No Brasil, a projeção segue estável em 131 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 43 milhões, refletindo o equilíbrio entre consumo interno e disponibilidade para embarques.
Trigo: produção mundial revisada para cima
Entre os grãos, o trigo apresentou o maior ajuste positivo nas projeções.
O USDA revisou a produção global de 829 para 838 milhões de toneladas, puxada pela recuperação de lavouras na União Europeia, cuja produção subiu de 142 para 144 milhões de toneladas, e pela Argentina, que passou de 22 para 24 milhões de toneladas.
A Rússia também teve leve revisão de alta, chegando a 87,5 milhões de toneladas, e o estoque final global foi ajustado de 271 para 275 milhões de toneladas.
No Brasil, a produção foi mantida em 7,7 milhões de toneladas, com exportações projetadas em 2,5 milhões.
Algodão: estabilidade na produção global e leve aumento de estoques
O relatório de dezembro também confirmou estabilidade na produção global de algodão, mantida em 26,1 milhões de toneladas. O consumo mundial teve leve redução, de 25,9 para 25,8 milhões, e os estoques dos EUA foram revisados para cima, de 0,94 para 0,98 milhão de toneladas.
O Brasil segue com projeção positiva, com produção de 4,1 milhões de toneladas, alta de 10% em relação ao ciclo anterior, e exportações estáveis em 3,2 milhões de toneladas, mantendo o país entre os líderes do comércio internacional da fibra.
Perspectiva para o mercado global de grãos
A Consultoria Agro Itaú BBA destaca que o relatório de dezembro reforça um cenário de equilíbrio nos fundamentos globais, com produção consistente e demanda sólida, especialmente para soja e milho.
Os ajustes pontuais indicam que o mercado deve seguir atento ao clima na América do Sul e às condições de exportação nos principais produtores, fatores determinantes para os preços nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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