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Uva Nebbiolo ganha espaço no terroir brasileiro e reforça vinhos de alta qualidade na Serra Gaúcha
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A uva Nebbiolo, tradicionalmente associada aos renomados vinhos Barolo e Barbaresco, do Piemonte, na Itália, vem sendo trabalhada como uma nova aposta da vitivinicultura brasileira. Conhecida pelo alto grau de exigência no manejo e pelo potencial de produzir vinhos de longa guarda, a variedade começa a apresentar resultados promissores no terroir da Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul.
Originária de uma das regiões mais tradicionais do vinho europeu, a Nebbiolo é considerada uma uva de comportamento agronômico desafiador, com brotação precoce, maturação tardia e sensibilidade a variações climáticas, especialmente chuvas próximas à colheita.
Serra Gaúcha aposta em adaptação da Nebbiolo ao clima brasileiro
Em Monte Belo do Sul (RS), a vinícola Casa Marques Pereira vem dedicando atenção especial à variedade e já observa resultados consistentes em diferentes safras. Na colheita de 2026, as condições climáticas foram consideradas favoráveis ao desenvolvimento da uva, com produtividade próxima de 3 kg por planta — índice expressivo para uma cultivar conhecida pela baixa regularidade produtiva.
O desempenho positivo foi resultado de um ciclo climático equilibrado, com inverno mais frio, favorecendo a dormência das videiras, além de chuvas adequadas antes da frutificação e redução das precipitações durante o período de maturação.
Manejo no vinhedo é decisivo para qualidade da uva Nebbiolo
Segundo a equipe técnica da vinícola, o comportamento da Nebbiolo exige acompanhamento detalhado e manejo específico em cada parcela do vinhedo. Um dos ajustes adotados foi a manutenção parcial da cobertura foliar, protegendo os cachos da exposição solar excessiva.
O vinhateiro Felipe Marques Pereira destaca que essa característica está diretamente ligada à origem da variedade.
“No geral, todas as uvas gostam da exposição solar, mas a Nebbiolo nos traz uma característica específica que é poder inibir o sol do final da manhã e início da tarde. É praticamente a receita que já diz no nome. Na tradução ao português, a uva significa névoa, já que no Piemonte a neblina se dissipa ao longo do dia”, explica.
Controle de produção busca reduzir alternância produtiva da variedade
Um dos desafios da Nebbiolo é a alternância de produção entre safras, fenômeno em que anos de alta produtividade são seguidos por ciclos de menor rendimento. Para reduzir esse efeito, a equipe técnica ampliou em cerca de 30% a quantidade de gemas deixadas na poda de inverno.
As gemas são estruturas responsáveis pelo surgimento de novos ramos produtivos da videira. O ajuste na carga de gemas tem como objetivo equilibrar o vigor das plantas e garantir maior regularidade produtiva ao longo dos anos.
Seleção massal contribui para adaptação ao terroir brasileiro
Outro processo adotado pela vinícola é a seleção massal, técnica tradicional da viticultura europeia que consiste na multiplicação de plantas com melhor desempenho agronômico dentro do próprio vinhedo.
Na prática, videiras com melhor sanidade, equilíbrio produtivo e qualidade de fruta são selecionadas ao longo dos anos para formação de novas mudas, criando uma população mais adaptada às condições locais.
Na propriedade Quinta da Orada, situada entre 466 e 543 metros de altitude, esse processo já permite identificar indivíduos mais adaptados ao clima e solo de Monte Belo do Sul.
Nebbiolo brasileira mantém identidade italiana e ganha características próprias
Apesar dos desafios, os resultados indicam que a Nebbiolo cultivada no Brasil preserva características clássicas da variedade, como alta acidez, complexidade aromática e grande potencial de envelhecimento.
Ao mesmo tempo, o desenvolvimento no terroir da Serra Gaúcha começa a imprimir identidade própria aos vinhos produzidos no país, ampliando o potencial da vitivinicultura brasileira no segmento de vinhos finos de alta gama.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio
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Soja oscila em Chicago e Brasil mantém preços sustentados pelo câmbio em meio à volatilidade global
Mercado da soja combina pressão externa e suporte do câmbio no Brasil
O mercado brasileiro de soja operou em ambiente de cautela nesta quarta-feira, refletindo a volatilidade da Bolsa de Chicago e a sustentação parcial vinda do câmbio, com o dólar permanecendo acima de R$ 5,20.
Segundo análises da Safras & Mercado, o cenário foi de negócios pontuais, prêmios firmes e produtores mantendo ritmo mais controlado de vendas, à espera de definição mais clara do mercado internacional.
“O produtor está segurando e cadenciando as ofertas”, afirmou o analista Rafael Silveira.
Chicago tenta recuperação, mas fundamentos seguem pressionados
A Bolsa de Mercadorias de Chicago, operada pela Chicago Board of Trade, registrou leve alta nos contratos mais curtos da soja, com a posição novembro/26 avançando cerca de 0,24%, cotada em torno de 11,37 3/4 centavos de dólar por bushel.
O movimento indica tentativa de recuperação técnica, sustentada por expectativas de demanda chinesa, mas ainda limitada por fatores fundamentais como:
- Previsão de chuvas no Meio-Oeste dos EUA
- Melhora das condições climáticas durante a floração
- Pressão do complexo soja (óleo e farelo)
- Oferta global elevada
Enquanto o óleo de soja recuou, o farelo apresentou leve alta, reforçando o quadro de instabilidade entre derivados.
Brasil: preços regionais variam com logística e câmbio como principais suportes
No mercado físico brasileiro, os preços da soja seguiram majoritariamente estáveis, com variações pontuais entre praças produtoras.
- Passo Fundo (RS): R$ 128,00/saca
- Santa Rosa (RS): R$ 129,00/saca
- Cascavel (PR): R$ 124,00/saca
- Rondonópolis (MT): R$ 114,00/saca
- Dourados (MS): R$ 116,50/saca
- Rio Verde (GO): R$ 117,00/saca
- Paranaguá (PR): R$ 135,00/saca
- Rio Grande (RS): R$ 135,00/saca
De acordo com a TF Agroeconômica, o câmbio segue como principal fator de sustentação das cotações internas, enquanto fretes elevados, gargalos de armazenagem e custos logísticos limitam movimentos mais consistentes de alta.
Clima nos EUA e oferta sul-americana aumentam pressão sobre cotações
A perspectiva de chuvas no Meio-Oeste dos Estados Unidos reforça o cenário de oferta confortável, especialmente em um momento decisivo do desenvolvimento da safra.
Na América do Sul, a Argentina registrou forte avanço no esmagamento de soja, com crescimento superior a 20% em maio frente a abril, alcançando 4,18 milhões de toneladas, o maior volume desde o recorde de 2021. O aumento amplia a oferta de farelo e óleo no mercado internacional e adiciona pressão ao complexo soja.
Panorama regional no Brasil: custos e produção seguem no foco do mercado
- Rio Grande do Sul: colheita encerrada com produção estimada em 19 milhões de toneladas, abaixo do potencial inicial
- Santa Catarina: alta nos custos de transporte reduz margens
- Paraná: soja mantém liderança no Valor Bruto da Produção estadual
- Mato Grosso do Sul: mercado estável, mas com restrições de armazenagem
- Mato Grosso: preços oscilantes e avanço da colheita do milho safrinha acima de 20%
O aumento da pressão no crédito rural e revisões nas projeções de produção para ciclos futuros reforçam o ambiente de cautela entre produtores e tradings.
Perspectiva
Para os próximos dias, o mercado da soja tende a seguir altamente dependente da evolução do clima no cinturão agrícola dos Estados Unidos e das sinalizações de demanda da China. Em Chicago, o viés permanece técnico, com espaço para recuperação limitada caso não surjam novos fundamentos altistas.
No Brasil, o câmbio continuará sendo o principal fator de sustentação dos preços, enquanto a liquidez deve seguir reduzida diante da postura defensiva dos produtores. A tendência é de um mercado lateralizado, com oscilações regionais influenciadas principalmente por logística, custos internos e paridade de exportação.
Fonte: Portal do Agronegócio
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