BRASIL
“A Conferência é o espaço para enfrentar os desafios atuais e futuros do mundo do trabalho”, diz Chico Macena
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Na abertura da etapa distrital da II Conferência Nacional do Trabalho (II CNT), realizada na terça-feira (1º de outubro), o ministro em exercício do Trabalho e Emprego, Chico Macena, destacou a importância de enfrentar temas centrais para o presente e o futuro do mundo do trabalho. Ele ressaltou que a formalização deve ser prioridade, alertando para os riscos da precarização das relações trabalhistas e para a necessidade de ampliar a contribuição dos trabalhadores aos fundos públicos que sustentam políticas sociais e econômicas, como o FGTS, o FAT e o Sistema S.
“A Conferência é o espaço para enfrentar os desafios atuais e futuros do mundo do trabalho, desde a plataformização até a transição tecnológica e energética, sempre com o compromisso de valorizar o emprego formal e a proteção social”, afirmou Macena.
O ministro em exercício enfatizou ainda que a Conferência deve avançar no combate à concorrência desleal entre empresas que cumprem a legislação e aquelas que operam na informalidade, além de aprofundar o debate sobre novas tecnologias, digitalização, transição energética e qualificação da mão de obra. Para ele, o desafio é garantir mais empregos de qualidade, reduzir a informalidade e preparar o país para as transformações que já impactam o mundo do trabalho.
De acordo com o superintendente regional do Trabalho do Distrito Federal, Jackson Ázara, a II CNT é uma oportunidade para debater os avanços e os desafios na promoção do trabalho decente no país. Ele destacou o crescimento expressivo das mediações conduzidas pela Superintendência do DF, que passaram de cerca de 20 em 2022 para aproximadamente 200 em 2024, com mais de 60% de resolução já na fase inicial. Para Ázara, a Conferência reforça a importância do diálogo social como instrumento de geração de empregos, fortalecimento da economia, segurança jurídica para as empresas e qualidade de vida para os trabalhadores.
O presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues, destacou a relevância do diálogo social como instrumento para a construção de políticas públicas adequadas às necessidades do país. Ele ressaltou a importância da retomada do processo conferencista, após dez anos, e da reestruturação do Ministério do Trabalho e Emprego como pasta autônoma, afirmando que “o trabalho deve ser levado a sério, com a centralidade que possui para a sociedade brasileira”. Rodrigues também defendeu o fortalecimento das superintendências regionais e da Justiça do Trabalho como pilares essenciais para prevenir violações de direitos, combater o trabalho infantil e formas análogas à escravidão, além de garantir melhores condições de vida para os trabalhadores.
O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Distrito Federal (Sinduscon-DF), Adalberto Valadão Júnior, chamou atenção para a gravidade da informalidade no mercado de trabalho, especialmente no setor da construção civil. Segundo ele, os maiores índices de acidentes e problemas de segurança estão concentrados em atividades informais, onde faltam fiscalização, cumprimento da legislação e punição adequada. Valadão ressaltou que o setor formal e organizado tem compromisso público com a segurança dos trabalhadores, mas que é necessário fortalecer a união entre Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público e entidades representativas para reduzir e até eliminar a informalidade. Para ele, enfrentar esse desafio é também a chave para diminuir significativamente os problemas de saúde e segurança no trabalho.
Também participaram da abertura da etapa distrital da II CNT: o secretário de Relações do Trabalho e coordenador nacional da Conferência, Marcos Perioto; o juiz do Trabalho do TRT da 10ª Região, João Otávio Findanza Fronta; o vice-procurador-chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região (DF e TO), Paulo Neto; o presidente da Federação das Indústrias do DF (Fibra), Jamal Jorge Bitar; a coordenadora da área de Cooperação Sul-Sul e Parcerias Estratégicas da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Fernanda Barreto; e o presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB-DF, Tomaz Alves Nina.
A II Conferência Nacional do Trabalho é um espaço tripartite, paritário e democrático, que busca construir coletivamente diretrizes para a promoção do trabalho decente no Brasil. As etapas estaduais acontecem até 11 de dezembro de 2025, e a etapa nacional será realizada em março de 2026, em São Paulo.
Saiba mais sobre a II CNT:
https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/assuntos/conferencia-nacional-do-trabalho/conferencia-nacional-do-trabalho-cnt/
BRASIL
Turismo plural é estratégia de competitividade, defendem especialistas no Fórum Internacional de Mulheres no Turismo
Ir além do óbvio e incluir recortes de gênero, raça, idade e ancestralidade não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de competitividade e mercado para os destinos brasileiros. Essa avaliação marcou o painel “Diversidade e Inclusão Turística da Mulher”, realizado nesta quinta-feira (4), durante o segundo dia do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa (PB). O debate reuniu especialistas em afroturismo, turismo 60+ e turismo indígena para discutir como diferentes trajetórias, identidades e territórios influenciam a forma de viajar, empreender e consumir turismo no país.
A coordenadora-geral de Turismo Responsável e Sustentável do Ministério do Turismo, Carolina Fávero, destacou que as políticas públicas voltadas às mulheres precisam considerar essa pluralidade. “As mulheres viajam de maneiras diferentes, vivem realidades diferentes e se relacionam com os destinos de formas distintas. Pensar em um turismo mais inclusivo significa reconhecer essa diversidade e construir experiências que contemplem todas elas”, afirmou.
Afroturismo
Especialista em afroturismo, Thaís Rosa Pinheiro defendeu que os destinos brasileiros avancem no reconhecimento da diversidade racial presente no país e valorizem histórias que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.
Segundo ela, os turistas buscam cada vez mais experiências autênticas, ligadas à identidade, à cultura e à memória dos territórios. ”O turismo é feito de pessoas para pessoas. As belezas naturais são importantes, mas o que conecta o visitante aos destinos são as histórias, a cultura e a identidade de quem vive nesses lugares”, ressaltou.
Para Thaís, ampliar o olhar sobre o afroturismo também significa qualificar o acolhimento e combater situações de discriminação, que ainda afetam viajantes negros em diferentes etapas da experiência turística.
Turismo 60+
A criadora do blog Sentidos do Viajar, Sylvia Yano, chamou a atenção para o crescimento da população idosa e para a necessidade de o setor desenvolver produtos e experiências mais adequados a esse público. Segundo ela, muitas mulheres acima dos 60 anos ainda não se reconhecem na comunicação e na oferta turística disponíveis atualmente.
Dados apresentados pela especialista mostram que 74% das pessoas com mais de 60 anos não se enxergam representadas no turismo. Atualmente, o Brasil possui cerca de 35 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que tende a crescer nas próximas décadas.
”A população está envelhecendo e o turismo precisa se preparar para isso. Não estamos falando apenas de acessibilidade, mas de experiências significativas, autênticas e alinhadas aos interesses desse público”, ressaltou.
Protagonismo indígena
Representando a Rota dos Encantados Potiguara, a empreendedora indígena Îasypytã Potiguara defendeu que os povos originários deixem de ser vistos apenas como atrativos turísticos e passem a ocupar o papel de protagonistas na construção e na gestão das experiências oferecidas aos visitantes.
Segundo ela, iniciativas de etnoturismo sustentável têm contribuído para preservar tradições, fortalecer economias locais e gerar renda para mulheres indígenas em seus próprios territórios. ”Quem melhor para contar a história de um povo do que as pessoas que pertencem a ele? Quando os povos indígenas assumem o protagonismo do turismo, fortalecem sua cultura, preservam seus territórios e transformam a realidade das comunidades”, afirmou.
Encerrando o painel, as participantes defenderam que a ampliação da diversidade no turismo não deve ser vista apenas como uma pauta de inclusão, mas como uma estratégia para tornar os destinos mais competitivos, autênticos e preparados para atender aos diferentes perfis de viajantes que movimentam o setor.
Por Natália Moraes e Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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