BRASIL
Marinho defende trabalho decente como eixo da transição tecnológica em evento na COP30
BRASIL
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou na manhã desta sexta-feira (14), em Belém (PA), durante evento da GWM, que o Brasil “só terá uma transição energética e produtiva bem-sucedida se colocar as pessoas no centro do processo”. Diante de representantes dos setores automotivo, de navegação e de tecnologia, o ministro destacou que a revolução tecnológica — como eletrificação veicular, digitalização e novos modelos produtivos — “precisa caminhar junto com trabalho decente e proteção social”.
Marinho lembrou que mudanças aparentemente distantes da agenda climática, como o debate sobre pejotização no Supremo Tribunal Federal (STF), impactam diretamente o futuro do país. “Se fragilizarmos a proteção do trabalhador, comprometemos também a Previdência, o FGTS e o FAT. Não perderemos só direitos: perderemos instrumentos fundamentais de financiamento para infraestrutura, inovação e desenvolvimento”, afirmou.
Sobre a transição climática, Marinho alertou para a urgência de garantir segurança, formação e condições dignas aos trabalhadores expostos a riscos crescentes. “Do técnico que instala redes sob calor extremo ao trabalhador rural e doméstico, precisamos perguntar: que proteções estamos oferecendo? É disso que se trata a transição justa.”
Ao tratar da eletrificação, provocou: “O motorista de um carro elétrico tem um emprego verde? Depende. Sem renda digna, inclusão e proteção, a transição não é justa”. Para o ministro, o desafio é fazer da transformação tecnológica também um vetor de justiça econômica, evitando que riqueza e oportunidades se concentrem em poucos grupos.
Cooperação Brasil /China – Marinho afirmou que a parceria tecnológica é bem-vinda, desde que preservando soberania, equilíbrio e a floresta. “O Brasil não precisa derrubar mais nenhuma árvore. A floresta em pé vale mais do que devastada”, disse. Ele enfatizou que o país pode expandir a produção agrícola, energética e extrativista com recuperação de áreas degradadas e conhecimento técnico já disponível.
Marinho reforçou que o Brasil avança na transição energética, mas precisa blindar empregos e fortalecer a indústria nacional. “Queremos parceria para desenvolver, produzir e gerar empregos aqui. A transição só será bem-sucedida se elevarmos o desenvolvimento humano, garantirmos renda, inclusão e condições dignas de trabalho”.
Inovação – O ministro ainda visitou o Complexo de Hidrogênio, um espaço criado para promover a integração entre inovação, sustentabilidade e tecnologia. Instalado na região turística do Cais do Porto, em Belém (PA), o local abriga o primeiro barco a hidrogênio da América Latina, desenvolvido em parceria com Grupo Náutica, JAQ, Itaipu Parquetec e GWM Hydrogen powered by FTXT.
BRASIL
Turismo plural é estratégia de competitividade, defendem especialistas no Fórum Internacional de Mulheres no Turismo
Ir além do óbvio e incluir recortes de gênero, raça, idade e ancestralidade não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de competitividade e mercado para os destinos brasileiros. Essa avaliação marcou o painel “Diversidade e Inclusão Turística da Mulher”, realizado nesta quinta-feira (4), durante o segundo dia do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa (PB). O debate reuniu especialistas em afroturismo, turismo 60+ e turismo indígena para discutir como diferentes trajetórias, identidades e territórios influenciam a forma de viajar, empreender e consumir turismo no país.
A coordenadora-geral de Turismo Responsável e Sustentável do Ministério do Turismo, Carolina Fávero, destacou que as políticas públicas voltadas às mulheres precisam considerar essa pluralidade. “As mulheres viajam de maneiras diferentes, vivem realidades diferentes e se relacionam com os destinos de formas distintas. Pensar em um turismo mais inclusivo significa reconhecer essa diversidade e construir experiências que contemplem todas elas”, afirmou.
Afroturismo
Especialista em afroturismo, Thaís Rosa Pinheiro defendeu que os destinos brasileiros avancem no reconhecimento da diversidade racial presente no país e valorizem histórias que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.
Segundo ela, os turistas buscam cada vez mais experiências autênticas, ligadas à identidade, à cultura e à memória dos territórios. ”O turismo é feito de pessoas para pessoas. As belezas naturais são importantes, mas o que conecta o visitante aos destinos são as histórias, a cultura e a identidade de quem vive nesses lugares”, ressaltou.
Para Thaís, ampliar o olhar sobre o afroturismo também significa qualificar o acolhimento e combater situações de discriminação, que ainda afetam viajantes negros em diferentes etapas da experiência turística.
Turismo 60+
A criadora do blog Sentidos do Viajar, Sylvia Yano, chamou a atenção para o crescimento da população idosa e para a necessidade de o setor desenvolver produtos e experiências mais adequados a esse público. Segundo ela, muitas mulheres acima dos 60 anos ainda não se reconhecem na comunicação e na oferta turística disponíveis atualmente.
Dados apresentados pela especialista mostram que 74% das pessoas com mais de 60 anos não se enxergam representadas no turismo. Atualmente, o Brasil possui cerca de 35 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que tende a crescer nas próximas décadas.
”A população está envelhecendo e o turismo precisa se preparar para isso. Não estamos falando apenas de acessibilidade, mas de experiências significativas, autênticas e alinhadas aos interesses desse público”, ressaltou.
Protagonismo indígena
Representando a Rota dos Encantados Potiguara, a empreendedora indígena Îasypytã Potiguara defendeu que os povos originários deixem de ser vistos apenas como atrativos turísticos e passem a ocupar o papel de protagonistas na construção e na gestão das experiências oferecidas aos visitantes.
Segundo ela, iniciativas de etnoturismo sustentável têm contribuído para preservar tradições, fortalecer economias locais e gerar renda para mulheres indígenas em seus próprios territórios. ”Quem melhor para contar a história de um povo do que as pessoas que pertencem a ele? Quando os povos indígenas assumem o protagonismo do turismo, fortalecem sua cultura, preservam seus territórios e transformam a realidade das comunidades”, afirmou.
Encerrando o painel, as participantes defenderam que a ampliação da diversidade no turismo não deve ser vista apenas como uma pauta de inclusão, mas como uma estratégia para tornar os destinos mais competitivos, autênticos e preparados para atender aos diferentes perfis de viajantes que movimentam o setor.
Por Natália Moraes e Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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