BRASIL
Brasil é eleito para presidir a Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (Cicad)
BRASIL
Brasília, 17/12/2025 – O Brasil foi eleito para presidir a Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (Cicad) no mandato 2025–2026. A eleição ocorreu durante a 78ª Sessão Ordinária da Comissão, realizada entre os dias 16 e 18 de dezembro de 2025, em Washington, D.C., nos Estados Unidos. A escolha consolida o protagonismo brasileiro na cooperação hemisférica sobre políticas de drogas e ocorre após o País ter exercido, no mandato anterior, a vice-presidência do órgão.
O novo comando da Cicad foi anunciado durante a sessão de abertura do encontro. Representando o Brasil, a secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), Marta Machado, destacou a responsabilidade de conduzir os trabalhos da Comissão.
Em seu pronunciamento, ela ressaltou a centralidade da prevenção e afirmou que a atuação brasileira será pautada pelo fortalecimento do diálogo construtivo entre os Estados-membros, pela cooperação regional e pelo compromisso com soluções baseadas no intercâmbio técnico e na construção de consensos.
Segundo Marta, a liderança buscará reforçar o papel da Cicad como espaço estratégico de articulação regional, capaz de promover a troca de experiências, o compartilhamento de boas práticas e o desenvolvimento de respostas conjuntas aos desafios do setor. A condução dos trabalhos levará em consideração a diversidade dos contextos nacionais e o respeito à soberania dos Estados — princípios fundamentais para o avanço de políticas eficazes e sustentáveis no continente.
“A cooperação não é apenas desejável, mas indispensável para enfrentar desafios complexos e interligados. Nosso papel é contribuir para a criação de condições que favoreçam o diálogo, o intercâmbio técnico e a construção de convergências”, afirmou a secretária durante o discurso de abertura.
Entre as diretrizes da presidência da Cicad estão o reconhecimento da Comissão como principal fórum de diálogo das Américas, o compromisso com a cooperação regional e a valorização de abordagens baseadas em evidências e orientadas pelos direitos humanos. Também foi enfatizada a necessidade de fortalecer a atuação conjunta diante de desafios comuns, respeitando as especificidades sociais, culturais e institucionais de cada nação.
Sobre a Cicad
Criada em 1986, a Comissão Interamericana para o Controle do Abuso de Drogas (Cicad) é o principal órgão hemisférico dedicado à formulação de estratégias, à discussão de soluções e à promoção da cooperação regional. Sua atuação busca ampliar as capacidades dos Estados-membros na prevenção e no enfrentamento do abuso e do tráfico de drogas. A Comissão funciona como instância técnica e política no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA), promovendo o diálogo multilateral e o fortalecimento institucional da região. Conforme seu estatuto, a Cicad se reúne duas vezes por ano, em sessões ordinárias de primavera e de outono.
BRASIL
Turismo plural é estratégia de competitividade, defendem especialistas no Fórum Internacional de Mulheres no Turismo
Ir além do óbvio e incluir recortes de gênero, raça, idade e ancestralidade não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de competitividade e mercado para os destinos brasileiros. Essa avaliação marcou o painel “Diversidade e Inclusão Turística da Mulher”, realizado nesta quinta-feira (4), durante o segundo dia do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa (PB). O debate reuniu especialistas em afroturismo, turismo 60+ e turismo indígena para discutir como diferentes trajetórias, identidades e territórios influenciam a forma de viajar, empreender e consumir turismo no país.
A coordenadora-geral de Turismo Responsável e Sustentável do Ministério do Turismo, Carolina Fávero, destacou que as políticas públicas voltadas às mulheres precisam considerar essa pluralidade. “As mulheres viajam de maneiras diferentes, vivem realidades diferentes e se relacionam com os destinos de formas distintas. Pensar em um turismo mais inclusivo significa reconhecer essa diversidade e construir experiências que contemplem todas elas”, afirmou.
Afroturismo
Especialista em afroturismo, Thaís Rosa Pinheiro defendeu que os destinos brasileiros avancem no reconhecimento da diversidade racial presente no país e valorizem histórias que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.
Segundo ela, os turistas buscam cada vez mais experiências autênticas, ligadas à identidade, à cultura e à memória dos territórios. ”O turismo é feito de pessoas para pessoas. As belezas naturais são importantes, mas o que conecta o visitante aos destinos são as histórias, a cultura e a identidade de quem vive nesses lugares”, ressaltou.
Para Thaís, ampliar o olhar sobre o afroturismo também significa qualificar o acolhimento e combater situações de discriminação, que ainda afetam viajantes negros em diferentes etapas da experiência turística.
Turismo 60+
A criadora do blog Sentidos do Viajar, Sylvia Yano, chamou a atenção para o crescimento da população idosa e para a necessidade de o setor desenvolver produtos e experiências mais adequados a esse público. Segundo ela, muitas mulheres acima dos 60 anos ainda não se reconhecem na comunicação e na oferta turística disponíveis atualmente.
Dados apresentados pela especialista mostram que 74% das pessoas com mais de 60 anos não se enxergam representadas no turismo. Atualmente, o Brasil possui cerca de 35 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que tende a crescer nas próximas décadas.
”A população está envelhecendo e o turismo precisa se preparar para isso. Não estamos falando apenas de acessibilidade, mas de experiências significativas, autênticas e alinhadas aos interesses desse público”, ressaltou.
Protagonismo indígena
Representando a Rota dos Encantados Potiguara, a empreendedora indígena Îasypytã Potiguara defendeu que os povos originários deixem de ser vistos apenas como atrativos turísticos e passem a ocupar o papel de protagonistas na construção e na gestão das experiências oferecidas aos visitantes.
Segundo ela, iniciativas de etnoturismo sustentável têm contribuído para preservar tradições, fortalecer economias locais e gerar renda para mulheres indígenas em seus próprios territórios. ”Quem melhor para contar a história de um povo do que as pessoas que pertencem a ele? Quando os povos indígenas assumem o protagonismo do turismo, fortalecem sua cultura, preservam seus territórios e transformam a realidade das comunidades”, afirmou.
Encerrando o painel, as participantes defenderam que a ampliação da diversidade no turismo não deve ser vista apenas como uma pauta de inclusão, mas como uma estratégia para tornar os destinos mais competitivos, autênticos e preparados para atender aos diferentes perfis de viajantes que movimentam o setor.
Por Natália Moraes e Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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