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Como escolas e famílias formam novos leitores
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A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho.
Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância.
A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura.
Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo.
“Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso”.
As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância – e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças.
“Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas – hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês –, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”.
A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo.
“Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar”.
Cooperação – Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida.
Instituída pela Portaria nº 540/2026, a comunidade reúne gestores públicos indicados pelos municípios, estados e Distrito Federal em uma rede de cooperação federativa. A iniciativa busca fortalecer as capacidades institucionais dos entes para planejar, executar, monitorar e avaliar políticas públicas destinadas a bebês e crianças de até seis anos, além de promover a troca de experiências, a difusão de conhecimentos técnicos e o aprimoramento contínuo das ações voltadas à primeira infância.
A comunidade está estruturada em dois eixos. O primeiro, Pactuação e Articulação Federativa, prevê oficinas, encontros técnicos e seminários para discutir iniciativas, projetos e programas voltados à primeira infância e incentivo à cooperação entre os entes federativos. Já o eixo Desenvolvimento de Capacidades Institucionais contempla a criação de instrumentos de gestão, protocolos, sistemas de informação, monitoramento e avaliação, além da oferta de ações formativas voltadas ao fortalecimento das capacidades individuais e coletivas da gestão pública.
As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas. Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação
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Dia do Escritor: a escola na formação de leitores e escritores
Onde há um escritor, é possível encontrar ao menos um leitor. É no contato com livros, histórias, poemas, ilustrações e diferentes manifestações artísticas que crianças e adolescentes ampliam o repertório cultural, desenvolvem a imaginação e descobrem que também podem criar e contar suas próprias histórias. Celebrado em 25 de julho, o Dia do Escritor convida a refletir sobre o papel da escola, das famílias e dos mediadores de leitura na formação de novas gerações de leitores e autores.
A data foi escolhida em homenagem ao I Festival do Escritor Brasileiro, promovido pela União Brasileira de Escritores (UBE), em 25 de julho de 1960. Mais de seis décadas depois, a literatura segue ocupando espaços de encontro, diálogo e aprendizagem, um exemplo é a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que ocorre até domingo (26), em Paraty (RJ).
O Dia do Escritor também celebra quem transforma experiências, memórias e observações em histórias capazes de ampliar o olhar dos leitores sobre o mundo. Para a escritora Socorro Acioli, vencedora do Prêmio Jabuti, traduzida para diversos países e autora de obras como A Cabeça do Santo, escrever é, antes de tudo, um exercício de sensibilidade e observação.
“O escritor é alguém que observa o mundo de uma maneira mais atenta e mais profunda. Tenho muito orgulho da minha profissão e do efeito que aquilo que escrevemos pode causar nas pessoas. Espero que o Brasil se torne cada vez mais um país de leitores”.
Flip – Com a poeta Orides Fontela como autora homenageada, a edição de 2026 da Flip reúne mais de 600 atividades espalhadas pela cidade, como mesas literárias, oficinas e ações educativas da Flipinha e FlipEduca voltadas especialmente para crianças, jovens, educadores e famílias.
Ao longo da programação educativa, escritores, ilustradores e pesquisadores mostraram que formar leitores vai muito além de ensinar a ler. Significa despertar a curiosidade, incentivar a criatividade e mostrar que toda pessoa pode encontrar, na literatura, uma forma de compreender o mundo e de expressar a própria experiência.
Essa é a visão da poeta, professora, tradutora e pesquisadora Nina Rizzi, autora de obras como Tambores pra N’zinga, A Melhor Mãe do Mundo e Elza, a Voz do Milênio. Responsável também por traduzir para o português autores como bell hooks, Alice Walker e James Baldwin, ela acredita que o primeiro passo para formar escritores é fazer com que cada estudante reconheça o valor da própria voz. “José Saramago dizia que, para ser escritor, basta escrever. Eu acredito piamente nisso. Todos nós temos uma história para contar e só a gente pode contar essa história”.
Para Nina, a escola amplia horizontes quando apresenta aos estudantes diferentes autores, culturas e formas de escrever, permitindo que cada criança encontre referências com as quais possa se identificar. “A minha dica para educadores é oferecer aos estudantes uma infinidade de histórias: poesia, romance, conto, distopia, escritores do Sul, do Nordeste, do Norte, escritores brancos, pretos e indígenas. Além de celebrar as histórias que os próprios estudantes estão contando, lembrando que todos nós podemos contar as nossas histórias”.
A formação de leitores também passa pela convivência com diferentes linguagens artísticas. Atriz, educadora e pesquisadora nas áreas de teatro, música, dança e literatura, Cláudia Ribeiro defende que o contato com a arte desde a infância fortalece a criatividade, a sensibilidade e a construção de vínculos entre as crianças. “Ver crianças envolvidas com arte, leitura, ludicidade e criatividade nas escolas é o adubo necessário para essa semente florescer e trazer bons frutos para a nossa sociedade”.
Além das palavras, as imagens também exercem um papel importante na aproximação das crianças com os livros. Autora, ilustradora e roteirista, Janaína Tokitaka foi head writer da animação Clube da Anittinha, desenvolveu produções para diversas plataformas de streaming, seu livro Pedro Vira Porco-Espinho recebeu uma tiragem de dois milhões de exemplares distribuídos em todo o país, e foi finalista do Prêmio Jabuti de 2020 com sua obra Ovo de Pégaso.
Segundo ela, as ilustrações ajudam a transformar a leitura em uma experiência mais envolvente e despertam o interesse das crianças pelas histórias. “A imagem tem o poder de encantar, de tornar reais palavras que, às vezes, não são tão concretas. Ela tem um potencial imersivo muito grande, e dar esse repertório visual para as crianças também é muito importante”.
Ao construir suas narrativas, Janaína procura partir de perguntas simples que despertem a imaginação dos pequenos leitores. “Eu gosto de partir do ‘E se…?’. E se um dinossauro aparecesse no café da manhã? E se você acordasse em um mundo onde só tem gatos? São perguntas que despertam curiosidade e fazem as crianças quererem seguir na leitura até o final”.
Para a autora, esse processo só acontece graças ao trabalho cotidiano desenvolvido nas escolas por professores, bibliotecários e mediadores de leitura. “Eu acredito muito no papel do formador de leitores no Brasil. Sem vocês, a nossa literatura não circula. São profissionais de extrema importância”.
As reflexões compartilhadas durante a Flip mostram que formar leitores é um processo que começa cedo e envolve o acesso aos livros, às artes e às diferentes formas de narrar o mundo. Quando a escola cria espaços para a leitura, a escrita, a contação de histórias, a ilustração e a imaginação, ela também incentiva crianças e jovens a perceberem que suas próprias vivências merecem ser registradas e compartilhadas.
Neste Dia do Escritor, a literatura é celebrada não apenas como produção artística, mas como uma ferramenta de educação, cidadania e desenvolvimento humano. Ao estimular o gosto pela leitura desde a infância, escolas, famílias e mediadores ajudam a formar leitores mais críticos, criativos e participativos, além de escritores das próximas gerações.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação


