CUIABÁ
Pesquisar
Close this search box.

BRASIL

Inclusão racial no trabalho é foco da 13ª Reunião da Rede de Observatórios do Trabalho

Publicados

BRASIL

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) participaram na última quinta-feira (6) da 13ª Reunião da Rede de Observatórios do Trabalho, em formato virtual. A atividade, coordenada pela economista Eloá Nascimento dos Santos, da Assessoria de Participação Social e Diversidade do MTE, reuniu pesquisadoras, técnicas e representantes de observatórios estaduais de diversas regiões do país para tratar sobre o mundo do trabalho e a inclusão de negros e negras no período recente.

Eloá destacou que a exclusão de pessoas negras de postos de trabalho “é uma questão estrutural e, portanto, permanentemente presente nas relações de trabalho do país”. Segundo ela, a persistência do tema se explica pelo fato de “tocar em raízes históricas da sociedade brasileira e exigir ações concretas e duradouras”.

A economista do Dieese, Ana Georgina Dias, expôs o resultado de um estudo do Observatório do Trabalho da Bahia, desenvolvido em parceria com a Secretaria da Promoção da Igualdade Racial (Seprom) e a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), que trata da inserção da mulher negra baiana entre 2013 e 2023, com base em dados da Pnad Contínua, da Rais e do Caged. O estudo é pioneiro no acompanhamento do mercado de trabalho sob a ótica racial.

Leia Também:  Recursos do Fundeb poderão ser utilizados em obras

“As mulheres negras são maioria entre as pessoas em idade de trabalhar e participam mais do mercado de trabalho do que as mulheres não negras, mas enfrentam taxas mais altas de desemprego, subocupação e informalidade”, explicou Ana Georgina. Segundo ela, a discriminação racial se sobrepõe à de gênero em vários indicadores. “Há situações em que o homem negro tem rendimento menor do que o da mulher não negra”, afirmou.

Sobrecarga de trabalho – O estudo também abordou a sobrecarga do trabalho não remunerado e de cuidado doméstico, revelando que as mulheres negras dedicam mais horas a essas tarefas. Para Ana, “esse trabalho invisível é um componente essencial da desigualdade”.

Os dados da PNAD mostram “uma queda significativa na proporção de mulheres negras com ensino superior que realizam atividades de cuidado, o que indica que essas tarefas continuam sendo transferidas para outras mulheres, e não redistribuídas de forma mais justa.

Outro ponto de destaque foi a informalidade feminina. A maioria das mulheres negras que trabalham por conta própria o faz em atividades de subsistência, e não por escolha. Ana Georgina observou que, na Bahia, a taxa de informalidade supera 52% e que, entre as mulheres, o índice é ainda maior. “Há uma glamourização do empreendedorismo, mas, na prática, trata-se de uma estratégia de sobrevivência”, afirmou.

Leia Também:  Planejamento energético: entenda as diferenças entre o PDE 2035 e o PNE 2055

Precariedade – Ana Georgina ressaltou que as mulheres negras estão concentradas nas ocupações mais precárias da informalidade, como o trabalho doméstico e o comércio ambulante — setores que foram os primeiros a desaparecer durante a pandemia. Essas atividades, observou, são fundamentais na economia baiana, especialmente nas festas populares e no Carnaval. “Quando a prefeitura abre o cadastro de ambulantes, as filas são compostas majoritariamente por mulheres negras”, relatou.

Ao encerrar o encontro, Eloá Nascimento afirmou que discutir inclusão racial e igualdade de oportunidades “não é apenas uma pauta de reparação histórica, mas uma condição indispensável para o desenvolvimento justo e sustentável do país”.

Ela destacou que o Observatório Nacional do Mercado de Trabalho, vinculado ao MTE, integra essa estrutura e tem a missão de reunir, analisar e disseminar informações sobre emprego e renda, atuando como elo entre produtores de dados e formuladores de políticas públicas.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

BRASIL

MEC e FNDE avançam na modernização das prestações de contas

Publicados

em

O Ministério da Educação (MEC), por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), tem fortalecido a modernização da análise de prestações de contas dos programas educacionais com foco em inovação, gestão de riscos e maior eficiência no controle dos recursos públicos destinados à educação.

O trabalho começou ainda em 2024, com o levantamento detalhado do estoque de prestações de contas existente no órgão, que acumulava mais de quinze anos de passivo. A partir desse diagnóstico, duas medidas principais foram adotadas.

A primeira foi a automatização da forma como os entes realizam a prestação de contas, permitindo análises mais céleres, por meio da parceria com o Banco do Brasil e da implantação da solução BB Gestão Ágil.

A segunda medida foi o fortalecimento da articulação com o Tribunal de Contas da União (TCU), que resultou na revisão das regras sobre tomada de contas especial e prescrição, formalizada pela Instrução Normativa nº 48, de 27 de novembro de 2024.

Com esses avanços, o FNDE passou a adotar novas frentes de atuação que ampliaram a capacidade de análise, reduziram passivos históricos e fortaleceram os mecanismos de controle e transparência.

Ampliação das análises pelo modelo Malha Fina – O resultado mais expressivo ocorreu com a publicação da Portaria nº 1.146, de 27 de dezembro de 2024, que estabeleceu a segunda aplicação do modelo Malha Fina no FNDE.

A medida reforça o compromisso da autarquia com a gestão de riscos ao aprimorar a identificação de inconsistências nos documentos apresentados pelos gestores públicos, ampliando a capacidade de detectar erros e possíveis fraudes e assegurando a correta aplicação dos recursos destinados à educação.

Nesta segunda aplicação, 101.304 prestações de contas foram homologadas, o que representa mais de 68% do escopo de passivo analisado. O resultado gerou um benefício financeiro de R$ 1.942.656.911,02 aos cofres públicos.

O impacto demonstra a eficiência da ferramenta na recuperação de valores que poderiam ser mal aplicados ou não utilizados adequadamente, fortalecendo a governança e a transparência na execução das políticas públicas educacionais.

Leia Também:  MEC capacita instituições que visam ter polo de inovação

Convênios com uso da plataforma Transferegov – Também em 27 de dezembro de 2024, foi publicada a Portaria FNDE nº 1.148/2024, que estabeleceu novos limites de tolerância ao risco por faixas de valor na análise informatizada das prestações de contas de convênios operacionalizados no Transferegov.br até 30 de junho de 2023, conforme previsto na Portaria Conjunta MGI/CGU nº 41/2023.

A medida permite a homologação informatizada de até 161 prestações de contas, de um total de 164 convênios analisados, já que três foram considerados não elegíveis pelas condições metodológicas estabelecidas.

O valor total dos recursos envolvidos soma R$ 133,6 milhões. Desse montante, cerca de 70%, o equivalente a R$ 92,3 milhões, correspondem a 127 convênios das faixas A e B que não apresentaram ocorrências em trilhas de auditoria da CGU e estão habilitados para análise automatizada.

Outros 34 convênios, que totalizam R$ 23,4 milhões, ainda apresentam pendências em trilhas de auditoria, mas poderão ser habilitados posteriormente após a regularização das inconsistências.

A portaria representa mais um avanço no fortalecimento dos mecanismos de controle e na racionalização da análise das prestações de contas no FNDE.

Solução BB Gestão Ágil – Outro importante instrumento de modernização é o BB Gestão Ágil, ferramenta do Banco do Brasil adotada pelo FNDE para simplificar a prestação de contas de repasses da educação, especialmente no Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e no Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (PNATE), conforme previsto na Resolução CD/FNDE nº 7/2024.

A plataforma permite o acompanhamento digital dos recursos, a categorização das despesas e a realização da prestação de contas de forma mais ágil, reduzindo burocracias e facilitando o trabalho dos gestores locais.

Com isso, o processo se torna mais transparente, eficiente e acessível, contribuindo para diminuir erros formais, acelerar análises e fortalecer a regularidade na execução dos programas educacionais.

Como exemplo, no início dos trabalhos, o PNAE contava com cerca de 60 mil prestações de contas pendentes, sendo parte delas com mais de 15 anos de tramitação dentro do órgão, totalizando mais de R$ 40 bilhões distribuídos ao longo desse período.

Leia Também:  Mais de 58% dos municípios melhoraram alfabetização

Com a utilização dessas medidas, além da aplicação da IN TCU nº 48/2024, esse número caiu para 45 mil prestações de contas, com valor estimado em R$ 28 bilhões. Isso significa que, em pouco mais de um ano de trabalho, 25% do passivo foi solucionado, com expectativa de ganhos de escala ainda maiores nos próximos anos.

Cooperação com a CGU e reconhecimento nacional – A modernização das análises de prestação de contas no FNDE teve início em 2020, com a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre a autarquia e a Controladoria-Geral da União (CGU).

O objetivo da parceria foi desenvolver mecanismos mais eficientes para verificar a correta aplicação dos recursos públicos destinados à educação em todo o país, com base em critérios de gestão de riscos e automação de processos.

A partir desse acordo, foi publicada a Resolução CD/FNDE nº 20/2021, que instituiu oficialmente o modelo Malha Fina no FNDE, com a primeira aplicação efetivada pela Portaria nº 101/2022.

Na ocasião, mais de 60 mil prestações de contas foram homologadas, gerando um benefício financeiro estimado em R$ 800 milhões para a autarquia.

Com a segunda aplicação do modelo, formalizada pela Portaria nº 1.146/2024, os resultados foram ainda mais expressivos. Foram 101.304 prestações de contas homologadas e um benefício financeiro de R$ 1,9 bilhão aos cofres públicos, mais que o dobro do impacto registrado na primeira etapa.

A iniciativa foi reconhecida nacionalmente com o Prêmio de Inovação da Escola Nacional de Administração Pública (Enap), consolidando o FNDE como referência em modernização da gestão pública e no uso de inteligência aplicada ao controle de recursos da educação.

Assessoria de Comunicação Social do MEC e do FNDE

Fonte: Ministério da Educação

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CUIABÁ

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA