BRASIL
Municípios debatem com o MJSP estratégias de atendimento a mulheres migrantes e refugiadas
BRASIL
Brasília, 16/3/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) promoveu, na terça-feira (10), uma ação para fortalecer o atendimento a mulheres e meninas migrantes, refugiadas e apátridas em municípios de todo o País. O encontro reuniu representantes de 23 municípios das cinco regiões do Brasil, instituições públicas, organismos internacionais, organizações da sociedade civil e universidades em um fórum sobre a incorporação da perspectiva de gênero nas políticas e nos serviços públicos.
O evento foi realizado pela Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), por meio da Coordenação-Geral de Política Migratória (CGPMIG), em parceria com a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), e teve caráter educacional e de conscientização. A atividade qualificou profissionais que atendem diretamente essa população e fortaleceu ações de prevenção à violência e de garantia de acesso a direitos.
Ao todo, 117 pessoas participaram do encontro, que integrou as ações do Governo Federal relacionadas ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Durante a atividade, o grupo discutiu sobre os desafios e as estratégias para que os municípios ampliem a proteção e o acolhimento de mulheres migrantes e refugiadas, especialmente em saúde, educação e assistência social.
O debate também contou com a participação de profissionais migrantes que atuam com a temática e compartilharam experiências sobre os desafios enfrentados no acesso a direitos e oportunidades.
A migrante angolana Catarina Lucala Mananga João, que atua com a temática em São Paulo (SP), destacou que muitas mulheres ainda encontram dificuldades para acessar oportunidades compatíveis com sua formação.
“Conheço engenheiras, médicas e enfermeiras migrantes que hoje trabalham com limpeza ou serviços gerais — não por escolha, mas por falta de acesso à informação sobre direitos e oportunidades”, relatou.
A coordenadora-geral de Política Migratória do MJSP, Sarah Fernanda Lemos Silva, enfatizou que é essencial promover iniciativas para fortalecer políticas públicas voltadas a essa população. “Espaços como este são fundamentais para fortalecer o diálogo entre municípios e ampliar a capacidade das políticas públicas de atender às necessidades específicas de mulheres migrantes, refugiadas e apátridas”, afirmou.
A especialista em Empoderamento Econômico das Mulheres da ONU Mulheres, Flávia de Moura Muniz, responsável por conduzir a atividade, explicou a importância de capacitar quem atua diretamente nessa temática.
“É na execução da política, na entrega concreta ao território, que se garante o caminho para uma sociedade em que mulheres e homens tenham os mesmos direitos e oportunidades. Iniciativas como assim são essenciais, pois capacitam profissionais na ponta e transformam realidades”, concluiu.
BRASIL
Turismo plural é estratégia de competitividade, defendem especialistas no Fórum Internacional de Mulheres no Turismo
Ir além do óbvio e incluir recortes de gênero, raça, idade e ancestralidade não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de competitividade e mercado para os destinos brasileiros. Essa avaliação marcou o painel “Diversidade e Inclusão Turística da Mulher”, realizado nesta quinta-feira (4), durante o segundo dia do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa (PB). O debate reuniu especialistas em afroturismo, turismo 60+ e turismo indígena para discutir como diferentes trajetórias, identidades e territórios influenciam a forma de viajar, empreender e consumir turismo no país.
A coordenadora-geral de Turismo Responsável e Sustentável do Ministério do Turismo, Carolina Fávero, destacou que as políticas públicas voltadas às mulheres precisam considerar essa pluralidade. “As mulheres viajam de maneiras diferentes, vivem realidades diferentes e se relacionam com os destinos de formas distintas. Pensar em um turismo mais inclusivo significa reconhecer essa diversidade e construir experiências que contemplem todas elas”, afirmou.
Afroturismo
Especialista em afroturismo, Thaís Rosa Pinheiro defendeu que os destinos brasileiros avancem no reconhecimento da diversidade racial presente no país e valorizem histórias que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.
Segundo ela, os turistas buscam cada vez mais experiências autênticas, ligadas à identidade, à cultura e à memória dos territórios. ”O turismo é feito de pessoas para pessoas. As belezas naturais são importantes, mas o que conecta o visitante aos destinos são as histórias, a cultura e a identidade de quem vive nesses lugares”, ressaltou.
Para Thaís, ampliar o olhar sobre o afroturismo também significa qualificar o acolhimento e combater situações de discriminação, que ainda afetam viajantes negros em diferentes etapas da experiência turística.
Turismo 60+
A criadora do blog Sentidos do Viajar, Sylvia Yano, chamou a atenção para o crescimento da população idosa e para a necessidade de o setor desenvolver produtos e experiências mais adequados a esse público. Segundo ela, muitas mulheres acima dos 60 anos ainda não se reconhecem na comunicação e na oferta turística disponíveis atualmente.
Dados apresentados pela especialista mostram que 74% das pessoas com mais de 60 anos não se enxergam representadas no turismo. Atualmente, o Brasil possui cerca de 35 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que tende a crescer nas próximas décadas.
”A população está envelhecendo e o turismo precisa se preparar para isso. Não estamos falando apenas de acessibilidade, mas de experiências significativas, autênticas e alinhadas aos interesses desse público”, ressaltou.
Protagonismo indígena
Representando a Rota dos Encantados Potiguara, a empreendedora indígena Îasypytã Potiguara defendeu que os povos originários deixem de ser vistos apenas como atrativos turísticos e passem a ocupar o papel de protagonistas na construção e na gestão das experiências oferecidas aos visitantes.
Segundo ela, iniciativas de etnoturismo sustentável têm contribuído para preservar tradições, fortalecer economias locais e gerar renda para mulheres indígenas em seus próprios territórios. ”Quem melhor para contar a história de um povo do que as pessoas que pertencem a ele? Quando os povos indígenas assumem o protagonismo do turismo, fortalecem sua cultura, preservam seus territórios e transformam a realidade das comunidades”, afirmou.
Encerrando o painel, as participantes defenderam que a ampliação da diversidade no turismo não deve ser vista apenas como uma pauta de inclusão, mas como uma estratégia para tornar os destinos mais competitivos, autênticos e preparados para atender aos diferentes perfis de viajantes que movimentam o setor.
Por Natália Moraes e Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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