BRASIL
Dia da Indústria: Fortalecendo as cadeiras produtivas
BRASIL
O fortalecimento de cadeias produtivas industriais passa pela formalização do acordo do Mercosul com a União Europeia e expansão do comércio exterior. Segundo o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, esse é o momento de concretizar o compromisso entre os blocos econômicos e aumentar a inserção do Brasil.
O secretário participou do evento em homenagem ao Dia da Industria realizado nesta segunda-feira (26/5) na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.
O acordo UE-Mercosul, citado como exemplo, coloca à disposição dos produtos brasileiros um mercado de consumo de 720 milhões de pessoas e um PIB de US$ 23 trilhões.
Entre os pontos positivos do acordo firmado no final do ano passado, Elias Rosa citou a possibilidade de transferência tecnológica nas trocas comerciais, a convergência regulatória e as cláusulas relativas a compras governamentais.
Para o secretário, que participou do painel “Iniciativas do Setor Produtivo e a Transição Verde”, durante décadas o mercado transferiu o processo da manufatura para a Asia, em razão da mão de obra barata. No entanto, agora, o que se leva em consideração não é mais apenas o custo da mão de obra, mas também o grau de sustentabilidade das operações.
“E só o Brasil, neste trópico, oferece a solução sustentável que possui, com essa grande opção da indústria descarbonizada”.
Ele citou ainda o hiato tecnológico provocado pela desindustrialização do Brasil nos últimos anos, afirmando que o país só vai superar esse problema atraindo e promovendo investimentos, com uma política industrial que integre mercado, Estado e academia.
Política de Estado
Na mesma linha, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, defendeu a importância de se ter uma política industrial como um projeto de Estado e não de governo.
O Brasil, observou, ficou anos sem política industrial e, por consequência, pagou um preço muito alto, resultando na desindustrialização e na fragilidade de várias cadeias produtivas que demoram anos para serem construídas. Instrumentos de política industrial, segundo Uallace, também foram distorcidos ou abandonados ao longo dos anos.
“Isso fragilizou por completo a possibilidade de se ter uma política industrial de inovação. A destruição pode ser feita num espaço temporal muito curto, mas a construção demanda tempo e muito diálogo”.
A Nova Indústria Brasil (NIB), lembrou Moreira, tem a perspectiva de construir estruturas para que Brasil tenha uma indústria do futuro capaz de adensar cadeias produtivas e que tenha protagonismo no crescimento econômico.
“Não podemos ficar refém apenas do crescimento puxado pela demanda. A gente precisa ter um crescimento puxado pela oferta, que tem como base a revolução tecnológica”, afirmou.
O secretário ponderou que toda revolução tecnológica traz novos paradigmas técnico-econômico de transformações institucionais e sociais. Ele citou, no caso do Brasil, a criação do Plano + Produção, instrumento de financiamento da NIB que já soma R$ 548 bilhões em recursos do BNDES, da Caixa, do Banco do Brasil, do Banco do Nordeste (BNB), do Bando da Amazônia (Basa), da Finep e da Embrapii.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
BRASIL
Turismo plural é estratégia de competitividade, defendem especialistas no Fórum Internacional de Mulheres no Turismo
Ir além do óbvio e incluir recortes de gênero, raça, idade e ancestralidade não é apenas uma pauta social, mas uma estratégia de competitividade e mercado para os destinos brasileiros. Essa avaliação marcou o painel “Diversidade e Inclusão Turística da Mulher”, realizado nesta quinta-feira (4), durante o segundo dia do Fórum Internacional de Mulheres no Turismo, em João Pessoa (PB). O debate reuniu especialistas em afroturismo, turismo 60+ e turismo indígena para discutir como diferentes trajetórias, identidades e territórios influenciam a forma de viajar, empreender e consumir turismo no país.
A coordenadora-geral de Turismo Responsável e Sustentável do Ministério do Turismo, Carolina Fávero, destacou que as políticas públicas voltadas às mulheres precisam considerar essa pluralidade. “As mulheres viajam de maneiras diferentes, vivem realidades diferentes e se relacionam com os destinos de formas distintas. Pensar em um turismo mais inclusivo significa reconhecer essa diversidade e construir experiências que contemplem todas elas”, afirmou.
Afroturismo
Especialista em afroturismo, Thaís Rosa Pinheiro defendeu que os destinos brasileiros avancem no reconhecimento da diversidade racial presente no país e valorizem histórias que, por muito tempo, permaneceram invisibilizadas.
Segundo ela, os turistas buscam cada vez mais experiências autênticas, ligadas à identidade, à cultura e à memória dos territórios. ”O turismo é feito de pessoas para pessoas. As belezas naturais são importantes, mas o que conecta o visitante aos destinos são as histórias, a cultura e a identidade de quem vive nesses lugares”, ressaltou.
Para Thaís, ampliar o olhar sobre o afroturismo também significa qualificar o acolhimento e combater situações de discriminação, que ainda afetam viajantes negros em diferentes etapas da experiência turística.
Turismo 60+
A criadora do blog Sentidos do Viajar, Sylvia Yano, chamou a atenção para o crescimento da população idosa e para a necessidade de o setor desenvolver produtos e experiências mais adequados a esse público. Segundo ela, muitas mulheres acima dos 60 anos ainda não se reconhecem na comunicação e na oferta turística disponíveis atualmente.
Dados apresentados pela especialista mostram que 74% das pessoas com mais de 60 anos não se enxergam representadas no turismo. Atualmente, o Brasil possui cerca de 35 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que tende a crescer nas próximas décadas.
”A população está envelhecendo e o turismo precisa se preparar para isso. Não estamos falando apenas de acessibilidade, mas de experiências significativas, autênticas e alinhadas aos interesses desse público”, ressaltou.
Protagonismo indígena
Representando a Rota dos Encantados Potiguara, a empreendedora indígena Îasypytã Potiguara defendeu que os povos originários deixem de ser vistos apenas como atrativos turísticos e passem a ocupar o papel de protagonistas na construção e na gestão das experiências oferecidas aos visitantes.
Segundo ela, iniciativas de etnoturismo sustentável têm contribuído para preservar tradições, fortalecer economias locais e gerar renda para mulheres indígenas em seus próprios territórios. ”Quem melhor para contar a história de um povo do que as pessoas que pertencem a ele? Quando os povos indígenas assumem o protagonismo do turismo, fortalecem sua cultura, preservam seus territórios e transformam a realidade das comunidades”, afirmou.
Encerrando o painel, as participantes defenderam que a ampliação da diversidade no turismo não deve ser vista apenas como uma pauta de inclusão, mas como uma estratégia para tornar os destinos mais competitivos, autênticos e preparados para atender aos diferentes perfis de viajantes que movimentam o setor.
Por Natália Moraes e Isadora Lionço
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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