BRASIL
Oficina do MJSP debate interculturalidade na política sobre drogas com indígenas
BRASIL
Brasília, 02/07/2025 – Lideranças indígenas, representantes de organizações da sociedade civil e gestores públicos federais, estaduais e municipais se reuniram, nessa terça-feira (1º), para dialogar, trocar experiências e discutir diretrizes para políticas sobre drogas de atenção e cuidado específicas para povos indígenas. O encontro ocorreu no Palácio da Justiça, em Brasília (DF), e fez parte da programação da Semana Nacional de Políticas sobre Drogas, conduzida pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad).
A proposta do Governo Federal é criar Centros de Acesso a Direitos e Inclusão Social na Política sobre Drogas (Cais) que atuem no acolhimento de indígenas tanto no contexto de seus territórios quanto em áreas urbanas, respeitando seus conhecimentos, espiritualidades e modos de vida. O primeiro Cais voltado especificamente para povos indígenas foi inaugurado em abril, em Tabatinga (AM), na tríplice fronteira com Peru e Colômbia.
A secretária da Senad, Marta Machado, destacou que o fortalecimento de políticas públicas voltadas a povos indígenas é uma das prioridades da atual gestão. “Desde o início, fomos provocados a pensar uma política de drogas específica para povos indígenas. E é esse o compromisso: pensar não só os Cais para territórios indígenas, mas também construir metodologias e estratégias para trabalhar com jovens indígenas e outras demandas que não se encaixam nas abordagens urbanas tradicionais”, afirmou.
Durante a oficina Cais Povos Indígenas: Interculturalidade e Intersetorialidade na Política sobre Drogas, o cacique Ninawa Inu, do povo Huni Kui, compartilhou a experiência de seu território no enfrentamento ao uso abusivo de álcool entre os jovens. “Conseguimos recuperar mais de cem jovens a partir do cuidado coletivo e das nossas medicinas. Hoje, mais de 90% do nosso povo não consome mais álcool. Eles voltaram a se orgulhar de quem são, com suas pinturas, seus cantos e suas tradições”, contou.
Ao longo do dia, a oficina aprofundou temas como os conhecimentos tradicionais e as tecnologias de cuidado adotadas nos territórios. Paula Gwyrapendu, do povo Tupi Guarani, refletiu sobre o papel do coletivo e da espiritualidade como ferramentas de fortalecimento comunitário e de redução de danos. Na sequência, Nadya Pitaguary, em participação on-line, destacou a força dos encantados no processo de cura e de acolhimento entre os Pitaguary.
Durante a oficina, também foram apresentados relatos de experiências com juventudes indígenas em uso problemático de álcool e de outras drogas, como o trabalho realizado pelo Centro de Trabalho Indigenista (CTI) com jovens Guarani, em São Paulo. A programação incluiu ainda a roda de experiência do Cais Povos Indígenas de Tabatinga (AM), conduzida por Delcilene Jovito e Camila Araújo.
Marta ressaltou que o cuidado com a juventude indígena e o enfrentamento das vulnerabilidades agravadas pelo uso problemático de substâncias psicoativas devem estar articulados a ações de geração de renda, de valorização da cultura e de fortalecimento comunitário. “A política de drogas precisa chegar a todos os territórios com escuta, acolhimento e respeito às culturas tradicionais. É um esforço de reunir muitas pontas: saúde, inclusão, alternativas econômicas e justiça social. E esse esforço só é possível com os saberes que vêm dos próprios povos”, disse.
A coordenadora da Estratégia Povos Indígenas na Política sobre Drogas na Senad, Lara Montenegro, completou ao dizer que o cuidado ofertado pelos Cais deve considerar as formas próprias de organização e espiritualidade dos povos originários. “Não se trata de aplicar um modelo pronto, mas de construir caminhos a partir da escuta, das práticas e da sabedoria dos territórios. Os Cais voltados aos povos indígenas têm o desafio de garantir acesso a direitos respeitando os modos de vida e a forma de organização de cada comunidade”, afirmou.
À tarde, os participantes se dividiram em grupos para refletir sobre os princípios de trabalho dos Cais para atuação com povos indígenas e propor ferramentas e metodologias interculturais para a redução de danos. Um debate sobre tráfico de drogas e desenvolvimento alternativo sustentável finalizou as atividades do dia.
Nos momentos de abertura e encerramento da Oficina, as lideranças indígenas presentes conduziram cantos e rezos de seus povos, expressões da espiritualidade indígena e importantes tecnologias adotadas como práticas de cuidado e acolhimento.
BRASIL
Salão do Turismo divulga inventário de emissões de gases de efeito estufa e guia com princípios regenerativos
A COP30 foi um marco para o turismo brasileiro e voltará a ganhar destaque no Salão do Turismo 2026. Duas das iniciativas mais inovadoras propostas pelo país durante o evento serão compartilhadas no Núcleo do Conhecimento, no dia 7 de maio: o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Turismo e o Guia com Princípios Regenerativos para a Ação Climática no Turismo.
Organizado pelo Ministério do Turismo (MTur) e pela primeira vez no Nordeste, o Salão do Turismo será realizado no Centro de Eventos do Ceará, de 7 a 9 de maio, com entrada gratuita e aberta ao público geral.
O painel “COP30: Impacto, Legado e Próximos Passos” visa promover um debate sobre os impactos da COP no Brasil e no setor de turismo, abordando as ações em andamento e o papel estratégico do turismo no enfrentamento às mudanças climáticas.
A iniciativa também busca discutir como o setor vem estruturando políticas públicas para alinhar seu desenvolvimento à agenda climática internacional, reforçando o papel do turismo na transição para uma economia de baixo carbono.
O encontro terá a participação de Glauber Santos, da Universidade de São Paulo; Elena Tarditi, especialista sênior em projetos da ONU Turismo; e Marina Marinho, do Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur), reunindo perspectivas acadêmicas, institucionais e internacionais sobre o tema.
O debate faz parte do lançamento do primeiro Inventário Internacional de Emissões de Gases de Efeito Estufa no Turismo, iniciativa liderada pelo MTur, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O inventário permitirá identificar e medir as emissões geradas por atividades como transporte, hospedagem e visitas a atrativos turísticos, contribuindo para uma compreensão mais precisa dos impactos do setor.
As discussões também abordarão o Guia com Princípios Regenerativos para a Ação Climática no Turismo, material em elaboração e resultado de um projeto conjunto entre Ministério do Turismo, ONU Turismo e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
As ações apresentadas integram o Plano de Aceleração de Soluções para o Turismo, proposto durante a COP30, que visa tornar o setor mais sustentável e resiliente às mudanças climáticas.
A iniciativa promove a adoção de medidas de adaptação, a ampliação de investimentos em projetos ambientais e o desenvolvimento de soluções inovadoras, contribuindo para posicionar o Brasil como referência global na integração entre turismo e o enfrentamento às mudanças climáticas.
Durante o Salão, os participantes terão a oportunidade de conhecer os avanços dessa agenda e discutir caminhos para a transição justa do turismo rumo a práticas mais sustentáveis, inovadoras e alinhadas aos compromissos internacionais de redução de emissões.
SOBRE O SALÃO DO TURISMO – Em sua histórica 10ª edição, o Salão do Turismo desembarca pela primeira vez no Nordeste, transformando Fortaleza na capital do turismo brasileiro.
Realizado pelo Ministério do Turismo, com apoio do Governo do Estado do Ceará e Prefeitura da Cidade de Fortaleza, o evento é uma vitrine viva das 27 unidades da Federação, promovendo uma imersão que une o sabor da gastronomia regional, a riqueza do artesanato e o pulsar das manifestações culturais com o que há de mais moderno em tecnologia e inovação no setor.
Mais do que uma exposição, o evento é o ponto de encontro estratégico para o trade e uma viagem completa pelo Brasil; tudo em um só lugar.
PROGRAME-SE:
Data: 7 a 9 de maio
Local: Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza
Entrada: Gratuita e aberta ao público.
Credenciamento: Inscreva-se aqui
Como chegar: Confira as rotas para o Centro de Eventos
Fortaleza: Dicas do que curtir na cidade durante o evento
Por Bárbara Magalhães
Fonte: Ministério do Turismo
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