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Trilhas de longo curso e pesca sustentável fortalecem turismo comunitário em diferentes regiões do Brasil

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O turismo de base comunitária esteve no centro de debates realizados nesta sexta-feira (8) no Salão do Turismo, em Fortaleza (CE). Durante palestras sobre trilhas de longo curso e o turismo de pesca sustentável, especialistas apresentaram modelos de desenvolvimento que unem conservação ambiental, geração de renda e a participação ativa das populações locais.

As discussões mostraram como experiências ligadas à natureza têm se transformado em alternativas econômicas sustentáveis para diferentes territórios brasileiros, especialmente em áreas rurais, comunidades tradicionais e regiões ambientalmente protegidas, a exemplo da Serra da Ibiapaba (Ceará e Piauí) e na Floresta Amazônica.

Segundo Fabiana Oliveira, coordenadora-geral de Produtos e Experiências Turísticas do Ministério do Turismo, iniciativas oferecidas no segmento vão além dos atrativos naturais. “É possível, de fato, se envolver com as pessoas do local no turismo de base comunitária”, apontou, destacando a forte procura pelo turismo de experiência no Brasil.

Ao longo do painel sobre trilhas, representantes dos roteiros Caminhos da Ibiapaba, Amazônia Atlântica (Pará) e Caminho da Fé (Minas Gerais e São Paulo) apresentaram opções que conectam municípios, unidades de conservação e comunidades locais por meio de percursos para caminhadas de longa distância.

No Brasil, há 22 rotas homologadas pela Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade, coordenada pelos ministérios do Turismo; do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). (Saiba mais AQUI)

Impacto econômico local

Segundo os debatedores, as trilhas ajudam a fortalecer economias locais a partir da oferta de hospedagem familiar, alimentação, artesanato e serviços de condução turística, além de criarem vínculos de pertencimento nas comunidades.

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“O turismo de base comunitária é o que hoje o turista está buscando cada vez mais”, afirmou Waldemar Justo, gestor do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, que representa a unidade na recém-lançada Trilha Caminhos da Ibiapaba. 

Júlio Meyer, diretor de Planejamento da Trilha Amazônia Atlântica, ressaltou o suporte que as comunidades têm hoje a partir das tecnologias e das etapas de formação que antecedem a implementação de um roteiro. “Toda trilha que nasce hoje já nasce com aplicativo e site. Isso é maravilhoso e essencial para o turismo de base comunitária”, disse.

Outro destaque foi o Caminho da Fé, que liga o Santuário Nacional de Aparecida (SP) ao interior de Minas Gerais e à capital paulistana. Ana Paula Rinaldi, coordenadora da rota, apresentou experiências relacionadas à internacionalização da trilha e à criação de redes empreendedoras ao longo do percurso. A iniciativa conta com sinalização a cada dois quilômetros e já está inserida em plataformas internacionais voltadas a caminhantes.

“Os moradores das cidades sempre falam: ‘a minha cidade é antes do Caminho da Fé e depois do Caminho da Fé”, comentou Ana Paula, ao comentar os impactos econômicos e sociais percebidos nas comunidades.

Pesca esportiva e sustentável

Já o painel sobre turismo de pesca sustentável trouxe vivências da região Norte do Brasil – especialmente dos estados do Amazonas, Rondônia, Roraima e Amapá – e discutiu como a atividade esportiva pode contribuir para manter espécies vivas e fortalecer povos ribeirinhos.

Conforme dados da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur), apresentados por Ana Cláudia Pereira, diretora de Marketing do órgão, o turismo de pesca atrai atualmente cerca de 35 mil visitantes ao Amazonas, dentro de um universo total de aproximadamente 405 mil turistas que visitam o estado.

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Representantes do segmento defenderam que a conservação ambiental é indispensável para a própria atividade turística. “Para ter nossa floresta de pé, a gente precisa conservar. A pesca esportiva tem essa força”, destacou Ana Cláudia.

O debate, que contou ainda com a colaboração de Bruno Dantas, da Secretaria de Cultura e Turismo de Roraima; William Rocha, da Secretaria de Turismo do Amapá, e Alexandre Resende, da FishTV, também reforçou a importância da participação comunitária na construção de produtos turísticos.

Lariessa Moura, coordenadora de Desenvolvimento da Pesca Industrial, Amadora e Esportiva do Mistério da Pesca e Aquicultura, abordou o fortalecimento do pescador amador e esportivo e a construção do Plano Nacional da Pesca Amadora e Esportiva.

SALÃO DO TURISMO – Realizado pela primeira vez no Nordeste, em Fortaleza, o 10º Salão do Turismo reuniu representantes dos 26 estados e do Distrito Federal em uma programação voltada à promoção de destinos, experiências e negócios. Ao longo de três dias, o evento promoveu palestras, rodadas de negócios, apresentações culturais, espaços gastronômicos e exposições de artesanato, além de debates sobre inovação, sustentabilidade, conectividade aérea, turismo de base comunitária e estratégias para o setor. 

A edição também marcou o fortalecimento das políticas de incentivo ao turismo interno e da integração entre poder público, iniciativa privada e comunidades locais, reforçando o papel do turismo como motor de desenvolvimento econômico, geração de emprego e valorização da diversidade brasileira.

Por Lianne Ceará
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo 

Fonte: Ministério do Turismo

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Diagnóstico Equidade 2026 mostra avanço das políticas de educação étnico-racial

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Os dados do Diagnóstico Equidade 2026, realizado pelo Ministério da Educação (MEC), por meio da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), mostram que as estratégias de equidade racial estão cada vez mais presentes nos estados e municípios brasileiros. Entre 2024 e 2026, o percentual de redes municipais que declararam contar com áreas especificas para a gestão dessas ações passou de 15% para 42%; entre as redes estaduais, o indicador chegou a 100% em 2026.  

Esse diagnóstico é uma iniciativa criada em 2024 pelo MEC, pondo fim a uma lacuna de dados cuja ausência comprometia a capacidade estatal de promoção da equidade. Em sua segunda edição, o diagnóstico manteve participação próxima à universalidade, com resposta ao questionário de 97% das redes municipais e 100% das redes estaduais. O resultado está ligado ao primeiro biênio de execução da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), em regime de colaboração interfederativa. 

Do ponto de vista institucional, por exemplo, houve um aumento no percentual de redes de ensino com áreas específicas para fazer a gestão de ações de equidade racial. Entre 2024 e 2026, o número saiu de 15% para 42% entre os municípios, e alcançou 100% em 2026 entre as redes estaduais. Além disso, a presença de normativa local relacionada à promoção da educação para as relações étnico-raciais (Erer) passou de 43% para 55% entre municípios e de 74% para 93% entre as redes estaduais. 

Os dados também mostram crescimento percentual de redes municipais que realizam campanhas de declaração racial, ação para promover o reconhecimento e a valorização das identidades étnico-raciais, bem como para permitir análises educacionais racializadas cada vez mais precisas. O levantamento revela que este crescimento foi de 66% para 86% em dois anos nas redes municipais, e de 63% para 93% nas redes estaduais. 

Houve também uma redução do percentual de estudantes sem declaração racial no Censo Escolar entre 2023 e 2025, representando uma queda de 24% para 10%, sendo que o indicador vinha se mantendo constante em torno de 26%, nos anos anteriores.  

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Os novos dados apresentam um crescimento da maturidade de organização das redes em diferentes frentes e que a temática da equidade racial entrou no centro da agenda da política pública, demonstrando as ações da Pneerq e de mecanismos indutores, tais como o Selo Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva e a complementação-VAAR Fundeb da União. 

O Diagnóstico Equidade 2026 tem o objetivo de identificar diferentes aspectos da implementação de políticas equitativas no país, particularmente aquelas ligadas à promoção da educação para as relações étnico-raciais, em cumprimento à Lei 10.639/03, modificada pela Lei 11.645/08, e ao fortalecimento da educação escolar quilombola. 

Equidade racial no planejamento educacional – No indicador de incorporação da equidade racial como objetivo presente no Plano de Ações Articuladas (PAR), as redes municipais passaram de 30% para 67%. Nas redes estaduais, o avanço foi de 56% para 93%. Esse panorama revela a preocupação crescente das redes de ensino em planejar e buscar apoio técnico e financeiro para estratégias de enfrentamento das desigualdades. 

Formação em relações étnico-raciais – Outro indicador que apresentou avanço foi o percentual de redes municipais de ensino que ofereceram formações, seminários, oficinas e palestras sobre equidade racial, passou de 48%, no ano de 2024, para 69%, em 2026. Todas as redes estaduais declararam realizar essa oferta. Esse resultado demonstra que o tema da equidade racial também foi inserido no planejamento formativo das secretarias, ação crucial para trabalhar a difusão de práticas pedagógicas antirracistas entre os professores da rede pública. 

Monitoramento das Leis de Erer – O diagnóstico permitiu identificar o acompanhamento da implementação das leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008. O indicador passou de 18% para 34% para as redes municipais, e de 30% para 59% para as redes estaduais. O monitoramento permite às redes identificarem escolas onde há maior dificuldade de execução de práticas pedagógicas de educação para as relações étnico-raciais e gargalos operacionais, e assim planejar de forma mais efetiva as estratégias para cumprimento das leis. 

Identificação e resposta ao racismo e injúria racial – Cresceu também a adoção de protocolos para casos de racismo ou injúria racial nas redes estaduais, de 59% para 93% (mais de 30 pontos percentuais). Nas redes municipais, o percentual saiu de 36% para 53%. Nesse contexto, o Ministério da Educação publicou, em 2026, uma série de protocolos nacionais, os quais podem servir de referência para o trabalho das escolas públicas. 

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Práticas de gestão – O conjunto de perguntas com menor avanço no período foi o relacionado à dimensão das práticas de gestão das redes de ensino em relação a suas escolas. Acerca da evolução das respostas sobre protocolos de resposta ao racismo e de campanhas de declaração racial, que fazem parte desta dimensão, o Diagnóstico de Equidade 2026 permitiu identificar que alguns indicadores cruciais ainda não avançaram como o esperado. 

Os pontos de atenção para o próximo ciclo estão na implementação de estratégias de incentivos às escolas e aos professores para a implementação da educação para as relações étnico-raciais, bem como a consideração de conhecimentos sobre Erer nos processos seletivos de professores e diretores escolares. No período, passou de 44% para 74% o percentual de redes estaduais que incluíram a avaliação de conhecimentos sobre relações étnico-raciais nos processos de escolha da gestão escolar. 

Metodologia – O levantamento contou com 44 perguntas dirigidas às Secretarias de Educação de estados, municípios e do Distrito Federal. Foram realizadas 32 questões sobre Educação para as Relações Étnico-Raciais (Erer) e 12 sobre Educação Escolar Quilombola (EEQ). 

Para acompanhar os resultados, as informações foram organizadas em indicadores que avaliaram áreas como gestão, formação de profissionais, materiais didáticos, financiamento, avaliação e monitoramento. Os índices recebem notas de 0 a 100.  

As respostas foram declaradas pelos responsáveis pelas secretarias de educação ou, no caso dos municípios, pela prefeitura, o que contribui para a confiabilidade das informações. O questionário e os indicadores foram construídos com a participação de especialistas, pesquisadores e profissionais com experiência em políticas de equidade racial e combate ao racismo. 

Resultados do Diagnóstico de Equidade 2026 

Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secadi

Fonte: Ministério da Educação

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