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UFABC e UFSM são premiadas por pesquisa sobre imigração forçada
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Estudantes da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), vinculadas ao Ministério da Educação (MEC), venceram os prêmios concedidos pela Cátedra Sérgio Vieira de Mello (CVSM), iniciativa do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), agência da ONU responsável por proteger e assistir pessoas forçadas a fugir de suas casas devido a guerras, perseguições, conflitos armados ou graves violações dos direitos humanos. O reconhecimento contempla diferentes modalidades de trabalhos acadêmicos sobre imigração forçada.
A dissertação de mestrado da UFABC e a tese de doutorado da UFSM serão premiadas oficialmente no XVI Seminário Nacional da Cátedra. O evento será em João Pessoa, entre os dias 27 e 29 de agosto, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
“Esse reconhecimento acadêmico é muito importante não apenas para o meu trabalho de pesquisa e para minha carreira acadêmica, mas também como uma forma de representar, com muito orgulho, o excelente trabalho que é realizado pela UFABC”, afirmou Luiza Silva, autora da dissertação “Mulheres migrantes/estrangeiras encarceradas no Brasil e Relações Internacionais”. O Brasil tem a terceira maior população feminina carcerária do mundo, o que reforça a relevância do tema e do estudo premiado.
Já Diana Erazo, da UFSM, venceu com a tese de doutorado “De Colômbia com Amor: a comida no processo de construção de memória coletiva das famílias de refugiados colombianos em Santa Maria, RS”. A pesquisa explora a dimensão afetiva e cultural na experiência de refugiados, oferecendo outra perspectiva para o debate público sobre o tema.
O acolhimento de estudantes estrangeiros também é parte da realidade acadêmica brasileira, favorecido por políticas de internacionalização como os programas PEC-G e PEC-PLE, além da revalidação de diplomas. Essa integração contribui para o enriquecimento cultural e acadêmico tanto dos alunos internacionais quanto dos brasileiros.
Cátedra – Criada pelo Acnur, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello estabelece parcerias com universidades brasileiras para promover ações de ensino, pesquisa, extensão e gestão voltadas à proteção e integração local de solicitantes de refúgio e migrantes. A cada ano, premia trabalhos de graduação, mestrado e doutorado que contribuam para essa causa. Os seminários anuais da iniciativa, geralmente realizados em universidades, também debatem a capacitação de professores e estudantes, a inclusão acadêmica e a formação de pessoas refugiadas.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Superior (Sesu), da UFSM, UFABC
Fonte: Ministério da Educação
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Mulher Indígena: educação, protagonismo e enfrentamento à violência
A partir de 2026, o dia 5 de setembro reúne dois marcos dedicados às mulheres indígenas. A data, tradicionalmente reconhecida como o Dia Internacional da Mulher Indígena, passa a ser também o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas, instaurado pela Lei nº 15.382/2026.
A celebração internacional foi instituída em 1983, durante a Segunda Reunião de Organizações e Movimentos das Américas, realizada em Tiwanaku, na Bolívia. A data homenageia Bartolina Sisa, mulher indígena aimara que liderou movimentos de resistência ao domínio espanhol no Alto Peru, atual Bolívia, e foi assassinada em 1782.
No Brasil, a criação da data nacional acrescenta ao 5 de setembro uma dimensão específica de proteção e enfrentamento à violência contra mulheres e meninas indígenas.
A valorização e a proteção das mulheres indígenas também passam pela garantia de acesso a direitos e pela possibilidade de ocupar diferentes espaços da sociedade. Na educação, essas trajetórias podem ser vistas no ingresso e na permanência das mulheres indígenas em escolas e universidades, onde levam consigo saberes, conhecimentos e experiências construídas em seus territórios.
Educação e Protagonismo – A trajetória de Luizete Nukini ajuda a mostrar como a educação pode transformar trajetórias individuais e ampliar possibilidades para as comunidades indígenas. Natural de Mâncio Lima, no Acre, e integrante do povo Nukini, chegou à Universidade de Brasília (UnB) para cursar farmácia depois de uma trajetória escolar marcada por limitações de acesso.
Na infância, Luizete estudou em uma escola composta por apenas uma sala, onde estudantes de diferentes séries compartilhavam o espaço e tinham aulas com uma única professora. Anos depois, já adulta, retomou o projeto de ingressar no ensino superior. Foi aprovada no processo seletivo e passou a integrar a universidade.
Para a estudante, a chegada à universidade representa também uma possibilidade de inspirar outras meninas e crianças de sua comunidade a reconhecerem a educação como um caminho possível. “Assim como eu consegui, como eu estou conseguindo, elas também têm essa capacidade, principalmente nós, como mulheres”.
Hoje, Luizete busca aproximar os conhecimentos adquiridos na formação acadêmica dos saberes tradicionais de sua comunidade. Entre seus futuros projetos está a produção de uma cartilha sobre plantas medicinais, construída a partir do diálogo entre os conhecimentos aprendidos na universidade e aqueles transmitidos pelas demais gerações.
A experiência também evidencia como a presença de mulheres indígenas em espaços de formação pode contribuir para ampliar referências para outras gerações. Para Luizete, ocupar a universidade representa também a possibilidade de levar novos conhecimentos para sua comunidade e fortalecer os vínculos com os saberes tradicionais.
A diretora de Políticas de Educação Escolar Indígena no Ministério da Educação (MEC), Rosani Kamuri Kaingang, também destaca a importância da presença de mulheres indígenas em diferentes espaços da sociedade.
“Apoiar a presença das indígenas mulheres em todos os espaços de poder é garantir o rompimento de um silenciamento histórico e é fortalecer a nossa luta pela valorização das nossas línguas, dos nossos territórios, das nossas culturas e das nossas tradições”.
Proteção Contra Violência – A instituição do Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas estabelece um marco para ampliar a atenção à proteção desse público e ao enfrentamento das diferentes formas de violência.
A escolha do 5 de setembro conecta essa agenda à memória de Bartolina Sisa e à trajetória histórica de resistência das mulheres indígenas. A data passa, assim, a reunir duas dimensões: o reconhecimento do protagonismo das mulheres indígenas e a necessidade de garantir seus direitos e sua proteção.
No campo educacional, essa perspectiva também envolve assegurar condições para que meninas e mulheres indígenas possam acessar, permanecer e avançar em suas trajetórias escolares e acadêmicas, preservando os vínculos com seus territórios, culturas e comunidades.
A data reforça ainda a importância de reconhecer as mulheres indígenas como sujeitos de direitos e protagonistas na construção de seus próprios caminhos, seja nas comunidades, nas escolas, nas universidades ou em espaços de participação e decisão.
Multimídia
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Fonte: Ministério da Educação




