LUCAS DO RIO VERDE
“Hoje eu conto os dias para voltar”: oficinas culturais fortalecem vínculos, promovem bem-estar e transformam histórias em Lucas
LUCAS DO RIO VERDE
Segurar um pincel pode parecer um gesto simples. Para Rosângela Cristina Almeida Brito, representa uma vitória.
Depois de enfrentar dois Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) e conviver com a depressão, ela encontrou nas aulas da Oficina de Artes Plásticas, oferecida gratuitamente pela Prefeitura de Lucas do Rio Verde, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, um espaço para recomeçar.
Foi uma amiga quem apresentou a oficina. A intenção inicial era apenas sair de casa. Hoje, ela afirma que já não consegue imaginar a rotina sem os encontros semanais.
“Eu conto os dias para estar aqui de novo. Isso está me ajudando muito. Não é mais uma aula. É um lugar onde fui acolhida.”
Rosângela conta que, após os AVCs, passou um período sem conseguir caminhar normalmente e enfrentou limitações nos movimentos das mãos, o que parecia tornar impossível voltar a pintar.
“Hoje, para mim, segurar um pincel é uma vitória muito grande. Minha mão tremia, doía muito. Depois do AVC a depressão também piorou bastante. Então estar aqui significa muito.”
Segundo ela, o primeiro dia foi cercado de insegurança.
“Achei que precisava saber desenhar e pensei: se eu não gostar, não volto mais. Mas a professora (Sandra Birnfeld), acolhe a gente. Não era aquilo que eu imaginava.”
A experiência mudou completamente sua percepção.
“Hoje eu não falto. Eu espero a semana inteira pela aula.”
Muito além do aprendizado
Em Lucas do Rio Verde, as oficinas culturais gratuitas vão além do ensino de técnicas artísticas. Os espaços se consolidaram como ambientes de convivência, troca de experiências, fortalecimento de amizades e incentivo à participação social.
Ao reunir crianças, jovens, adultos e idosos, as oficinas favorecem o desenvolvimento da criatividade, estimulam a autoestima, ampliam o círculo de convivência e ajudam a reduzir o isolamento social, fatores reconhecidos pela ciência como importantes para a promoção da saúde mental e da qualidade de vida.
No caso de Rosângela, o ambiente coletivo fez toda a diferença.
“Aqui é uma terapia para mim. Tanto para o AVC quanto para a depressão, que ainda me acompanha. O mais difícil é aceitar que a depressão é uma doença e buscar tratamento. Vir para um ambiente como esse ajuda muito. Aqui a gente conversa, aprende, é acolhido e ganha mais ânimo para viver.”
Ela acredita que iniciativas como essa deveriam existir em todos os municípios.
“Na cidade onde eu morava não tinha uma oficina assim. Quem dera toda cidade tivesse, principalmente para ajudar pessoas que passam por dificuldades.”
Cultura que acolhe
Outro aspecto lembrado por Rosângela é o acesso gratuito aos materiais oferecidos durante as aulas.
Tintas, pincéis, telas e demais insumos são disponibilizados pela Prefeitura, permitindo que qualquer pessoa participe, independentemente da condição financeira.
“Aqui temos tudo. Além disso, fazemos amizades, conversamos, aprendemos. A professora é uma companheira. Eu só tenho que agradecer à Secretaria de Cultura e Turismo e à Prefeitura por manterem essas oficinas.”
Antes de encerrar a entrevista, ela deixa um convite para quem ainda tem receio de participar.
“Eu recomendo para qualquer pessoa, não importa a idade. Se pudesse, eu vinha todos os dias.”
Cultura que transforma vidas
Mais do que oferecer cursos gratuitos, as oficinas culturais da Prefeitura de Lucas do Rio Verde cumprem um importante papel social. São espaços onde a arte aproxima pessoas, fortalece vínculos, desperta talentos e cria oportunidades para que histórias de superação, como a de Rosângela, encontrem novos capítulos.
Ao democratizar o acesso à cultura, o município investe também em inclusão, cidadania e qualidade de vida, mostrando que, muitas vezes, um simples pincel pode representar muito mais do que uma ferramenta artística: pode ser o primeiro passo para um recomeço.
LUCAS DO RIO VERDE
Oficina Cultural de Teatro leva arte e conscientização sobre bullying a centenas de estudantes de Lucas
A Oficina Cultural de Teatro da Secretaria de Cultura e Turismo encerrou nesta quarta-feira (9) mais uma etapa do Projeto de Contação de Histórias, com uma apresentação na Escola Municipal Professor Marcelino Espíndola Dutra. A ação reuniu 166 alunos dos 2°, 4° e 5° anos do colégio.
Criado em 2025, o projeto usa o teatro para abordar o bullying de forma lúdica e acessível aos estudantes da rede municipal. Neste ano, a iniciativa ganhou força e já passou por três escolas. Na Cora Coralina, 100 alunos assistiram à encenação. Na Joice Martinelli Munhak, 530 estudantes da Educação Infantil e do Ensino Fundamental acompanharam a peça ao longo de quatro sessões. Com a apresentação na Marcelino Espíndola Dutra, o projeto já alcançou 796 alunos em 2026.
Apresentação na Escola Municipal Professor Marcelino Espíndola Dutra (Foto: Ascom/Janderson Kawano)
A coordenadora das Oficinas Culturais, Keila Fernandes, explica a escolha pela linguagem teatral no lugar de palestras tradicionais.
“Se eu chegasse aqui com uma palestra de 15 minutos eles não entenderiam nada. Então nós trouxemos pra cá, os alunos mesmos estão apresentando de uma forma simples na linguagem das crianças para que eles possam assimilar a mensagem de uma melhor forma”, afirma Keila.
Segundo ela, a ação também oferece aos alunos das oficinas uma vivência de palco em apresentações reais, fora do ambiente das aulas.
A coordenadora da Escola Marcelino Espíndola Dutra, Andréia Vitto, destaca que a apresentação reforça um trabalho que a escola já desenvolve.
“Uma ação de teatro com esse tema só vem a fortalecer e somar às ações que a escola já faz para evitar esse tipo de situação. Então foi muito bom. A gente quando recebeu a proposta prontamente aceitamos porque só vem a complementar”, diz Andréia.
Apresentação na Escola Municipal Cora Coralina (Foto: Ascom/Janderson Kawano)
Para a estudante Emanuele Demzki, de nove anos, a peça deixou uma mensagem clara sobre os efeitos do bullying.
“Eu achei muito legal porque isso ensina as crianças que não é legal fazer isso, as pessoas ficam muito tristes, eu sei porque já passei por isso. Eu queria que eles fizessem em várias outras escolas para que todo mundo aprenda”, conta Emanuele.
(Foto: Na Cora Coralina)
O professor de teatro da Oficina Cultural, Pedro Moroz, conta que a peça nasceu a partir de casos reais registrados no município.
“A ideia de criar essa peça surgiu perante episódios de bullying que foram registrados aqui mesmo no município. Então trouxe esse senso de urgência e essa ideia veio para se somar às ações e juntos conscientizar as escolas sobre os riscos e os impactos dessa prática”, afirma Pedro.
O Projeto de Contação de Histórias segue com o objetivo de democratizar o acesso à cultura, levando apresentações teatrais para diferentes espaços da rede municipal de ensino. A previsão é passar por pelo menos mais duas escolas até o fim do ano, impactando cerca de mil estudantes.



