MATO GROSSO
Alegação de reserva para moradia não afasta penhora de aplicação financeira
MATO GROSSO
Resumo:
- A Justiça manteve a penhora de R$ 47,2 mil bloqueados em ação de cobrança de dívida. O devedor alegou que o valor seria uma reserva para amortização de financiamento imobiliário e, por isso, teria natureza alimentar.
- O relator, desembargador Marcos Regenold Fernandes, destacou que essa proteção exige prova concreta da destinação essencial dos recursos.
A Quinta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso analisou um caso envolvendo a penhora de R$ 47.276,37 bloqueados em um fundo de investimento, no âmbito de uma ação de execução para cobrança de dívida. O devedor recorreu ao Tribunal alegando que o valor não poderia ser penhorado, por se tratar de uma reserva financeira destinada à amortização de financiamento imobiliário.
No recurso, ele sustentou que a quantia teria natureza alimentar, expressão jurídica usada para indicar valores destinados à subsistência da pessoa e de sua família, como gastos essenciais com moradia. Por isso, pediu a aplicação da regra de impenhorabilidade prevista no Código de Processo Civil, que protege determinados valores contra penhora.
Ao analisar o caso, o relator, desembargador Marcos Regenold Fernandes, explicou que não se tratava de alimentos no sentido de pensão alimentícia. A discussão envolvia apenas a alegação de natureza alimentar do dinheiro bloqueado, o que exige prova concreta de que os recursos são efetivamente usados para garantir a subsistência ou a moradia do devedor.
Segundo o entendimento da Câmara, a proteção automática da lei se aplica apenas aos valores depositados em caderneta de poupança, dentro do limite de 40 salários mínimos. Para outras modalidades, como fundos de investimento, é indispensável a apresentação de documentos que comprovem a destinação essencial do dinheiro.
No caso analisado, os desembargadores entenderam que a simples afirmação de que o valor seria uma reserva patrimonial para pagamento futuro de financiamento imobiliário não foi suficiente para demonstrar a natureza alimentar. Como não houve comprovação documental da finalidade essencial dos recursos, a penhora foi mantida.
A decisão consta no 25º Ementário Eletrônico do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Autor: Flávia Borges
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
MATO GROSSO
Ressocialização e inteligência no sistema prisional pautam encontro
Na manhã desta quinta-feira (28 de maio), o secretário de Justiça de Mato Grosso, Valter Furtado Filho, e o secretário adjunto de Inteligência, Diogo Santana Souza, foram os palestrantes do painel “Inteligência Institucional no Ambiente Prisional de Mato Grosso”. Esse foi o primeiro tema debatido no Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”, que será realizado hoje e amanhã (28 e 29 de maio), no Auditório da Sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá, das 8h30 às 12h e das 14h às 17h.O painel inicial contou com a participação da juíza Edna Ederli Coutinho (titular do Gabinete 2 do Núcleo de Justiça do Juiz de Garantias e juíza cooperadora da 2ª Vara Criminal de Cuiabá) e foi presidido pelo promotor de Justiça Renee do Ó Souza, do Ministério Público de Mato Grosso.Fortalecimento estratégico – O secretário de Justiça de Mato Grosso, Valter Furtado Filho, destacou que a atuação da pasta tem se concentrado no fortalecimento de estratégias para conter o avanço das organizações criminosas, aliando segurança à promoção da dignidade no sistema prisional. Segundo ele, a ampliação de oportunidades de trabalho para pessoas privadas de liberdade é um dos principais caminhos para a ressocialização.“Não há recuperação sem trabalho e sem dignidade. Temos investido na criação de vagas de trabalho nas unidades prisionais e estudado a construção de novos galpões para ampliar esse alcance”, afirmou. O secretário ressaltou, contudo, que a implementação dessas iniciativas enfrenta desafios, como a resistência de internos e a interferência de facções criminosas, que, em alguns casos, ameaçam familiares para impedir a adesão ao trabalho.Furtado Filho também chamou a atenção para a necessidade de um olhar ampliado sobre o sistema, incluindo os profissionais que atuam nas unidades prisionais. “Não temos que restaurar apenas as pessoas privadas de liberdade, mas também os servidores do sistema, que lidam diariamente com situações complexas”, pontuou.Ao abordar o contexto social, o secretário alertou que o problema das facções está enraizado além do sistema prisional, alcançando inclusive ambientes como escolas, o que reforça a importância de ações integradas e contínuas para o enfrentamento do crime organizado.Panorama do sistema prisional em Mato Grosso – O secretário adjunto de Inteligência, Diogo Santana Souza, apresentou um panorama do sistema prisional em nível mundial, nacional e estadual, destacando os desafios estruturais e a importância da inteligência na gestão penitenciária. Segundo ele, o Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, com cerca de 909 mil presos para uma capacidade de aproximadamente 705 mil vagas, evidenciando um cenário de superlotação.Em Mato Grosso, a realidade segue a mesma tendência: são 16.619 pessoas privadas de liberdade para 13.870 vagas, o que representa uma taxa de ocupação de 123% e um déficit de 2.749 vagas, conforme dados atualizados em maio de 2026. O secretário destacou ainda que cerca de 30% da população carcerária no Estado cumpre pena por crimes relacionados ao tráfico de drogas.Durante a apresentação, Diogo detalhou o funcionamento do Sistema de Inteligência de Segurança Pública de Mato Grosso (SISP/MT), criado em 2011, e explicou as atribuições das áreas de inteligência e contrainteligência, que atuam no monitoramento de lideranças criminosas, produção de relatórios estratégicos, apoio a operações nas unidades prisionais, implementação de medidas de segurança, entre outras atribuições.Ele também abordou as principais técnicas utilizadas para a obtenção de dados, como entrevistas, análise de dispositivos eletrônicos e troca de informações com outras agências, além de destacar o papel dessas ferramentas no combate às organizações criminosas. Entre elas, citou as quatro facções com atuação no Estado e suas dinâmicas, incluindo a disputa por rotas de tráfico e influência dentro e fora das unidades prisionais. São elas: Comando Vermelho de Mato Grosso, Primeiro Comando da Capital (PCC), Amigos do Estado e Tropa do Castelar.O secretário ainda apresentou a Penitenciária Central do Estado como modelo estrutural e tecnológico, além de destacar investimentos em inovação, como o uso do Sistema de Gestão Penitenciária (Sigepen), o processo de aquisição de serviço de bloqueador de sinal telefônico e Wi-Fi nas unidades (PCE e Centro de Ressocialização de Várzea Grande), a coleta de material genético de todos os presos condenados e a instalação de 330 câmeras do programa Vigia Mais MT nas unidades prisionais.Segundo ele, essas ações integram uma estratégia mais ampla de fortalecimento da inteligência e de enfrentamento qualificado ao crime organizado no sistema prisional mato-grossense.Mais investimentos – Presidente da mesa, o promotor de Justiça Renee do Ó Souza alertou para a necessidade de maior prioridade e investimento contínuo na segurança pública no Brasil. Segundo ele, os sucessivos contingenciamentos orçamentários e a baixa centralidade do tema nas agendas eleitorais contribuíram para o fortalecimento das organizações criminosas no país.“Precisamos virar essa página e dar à segurança pública a atenção que ela merece, inclusive no debate eleitoral e nas pautas ligadas aos orçamentos públicos”, afirmou. Para o promotor, o enfrentamento da criminalidade organizada exige uma revisão estruturante do sistema de execução penal, especialmente diante do perfil dos integrantes de facções, que, mesmo cumprindo pena, continuam vinculados às organizações e tratam a atividade criminosa como fonte de renda profissional.Nesse contexto, Renee destacou o papel estratégico da inteligência, sobretudo no avanço de instrumentos como as investigações patrimoniais, a recuperação de ativos e a desestruturação financeira das facções. “Esse me parece, senhores, o grande ponto de enfrentamento adequado da criminalidade organizada. Enquanto a prática criminosa continuar sendo vantajosa sob a lógica do custo-benefício, com geração de lucros para o indivíduo e seu grupo, não conseguiremos enfrentar o problema de forma eficaz”, pontuou.Já a juíza Edna Ederli Coutinho ressaltou a importância de que os integrantes do sistema de justiça conheçam de forma mais aprofundada a realidade do sistema prisional e o funcionamento das organizações criminosas. Segundo ela, o contato com dados e informações qualificadas contribui para uma atuação mais consciente e efetiva. “É fundamental que todos compreendam esse cenário, que reflete a estrutura e a dinâmica das facções. Esse é um conhecimento que precisa ser incorporado à formação e à atuação dos operadores do Direito”, destacou.A magistrada também enfatizou que é essencial que juízes conheçam de perto a realidade das unidades prisionais. “É preciso vivenciar, entrar nos corredores e entender o que acontece na prática”, pontuou.Para a juíza, o sistema prisional contemporâneo apresenta desafios que vão além da simples custódia. “Talvez o maior desafio do sistema prisional moderno não seja apenas custodiar pessoas, mas impedir que o cárcere continue funcionando como espaço de reorganização do crime”, afirmou.Nesse sentido, ela destacou que o enfrentamento das organizações criminosas exige um Estado preparado para atuar de forma antecipatória e integrada. “Isso exige um Estado capaz de antecipar riscos, compreender dinâmicas criminosas complexas e agir de forma articulada entre as instituições”, ressaltou.Por fim, Edna Coutinho destacou o papel central da inteligência institucional nesse contexto. “A inteligência deixa de ser acessória e passa a ocupar posição estratégica na preservação da segurança pública e na governabilidade do sistema penitenciário. O debate de hoje demonstrou exatamente isso: enfrentar organizações criminosas exige mais do que força operacional; exige informação qualificada, estratégia e capacidade permanente de adaptação”, concluiu.Encontro Técnico – O Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização” é realizado em parceria pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) e do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal, e pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e do Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJud).
Fotos: Josi Dias | TJMT
Fonte: Ministério Público MT – MT
-
AGRONEGOCIOS3 anos atrás
Agrônomo mineiro recebe a Comenda do Mérito Agronômico, a mais alta distinção da categoria
-
MATO GROSSO3 anos atrás
A solidão humana
-
Gourmet3 anos atrás
Molho Bolonhesa
-
Gourmet2 anos atrás
Brigadeiro
-
Gourmet2 anos atrás
Picolé detox
-
Gourmet2 anos atrás
Molho rosé
-
Gourmet2 anos atrás
Salpicão
-
Gourmet2 anos atrás
Moqueca capixaba

