MATO GROSSO
Cinco mil alunos participam da cerimônia de formatura do Proerd em Cuiabá
MATO GROSSO
Cinco mil alunos de escolas da rede pública de ensino de Cuiabá e Várzea Grande receberam seus certificados de formação do Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd), na tarde deste sábado (26.11), no Ginásio Aecim Tocantins. O Proerd é desenvolvido pela Polícia Militar de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e prefeituras municipais.
Além da presença dos alunos formados no 2º semestre deste ano, o evento reuniu os policiais militares que desenvolveram as atividades educacionais do programa, professores e familiares. Na solenidade, alguns formandos foram premiados com um videogame Xbox, entre outros brindes, pela produção das melhores redações sobre o aprendizado com o Proerd.
A aluna Ana Júlia Pinheiro de Almeida, de 12 anos, da Escola Estadual Dom José do Despraiado, foi uma das premiadas. A jovem disse que ficou bastante contente por ter seu texto reconhecido. “É uma alegria muito grande, eu aprendi muito com o Proerd. Eu escrevi sobre tudo o que aprendi, como dizer não às drogas e como seus efeitos são prejudiciais para nossa saúde”, contou a jovem.
A mãe de Ana Júlia, a senhora Isabel Pinheiro de Almeida, estava muito orgulhosa com a conquista da filha e afirmou que o programa foi importante para toda a família. “Eu fiquei muito feliz por ela ser uma ganhadora, ela estava muito nervosa com o texto, mas sentamos juntas e também ajudei. O programa tem um ótimo ensinamento, até mesmo para nós pais, que também aprendemos coisas por meio dos nossos filhos”.
No evento, o comandante da Diretoria de Ensino, Instrução e Pesquisa (Deip) da PMMT, coronel Januário Batista, ressaltou que o Proerd existe em Mato Grosso há mais de 20 anos e que tem obtido grande sucesso na prevenção para que crianças e adolescentes fiquem longe do caminho das drogas.
“O objetivo do programa é trabalhar na prevenção primária, conscientizando e orientando esses jovens ao não uso das drogas, assim como não à violência. Sendo um projeto voltado para desenvolver o conhecimento e atitude crítica para que a criança não aceite o que é ilegal e para que a gente forme bons cidadãos, afirmou o coronel Januário.
Para o coordenador do Proerd em Mato Grosso, tenente-coronel Darwin Salgado Germano, o grande trunfo do programa é tríade formada pela ligação entre Polícia-Escola-Família, que resulta em ensinamentos educacionais para os jovens, bem como na redução da criminalidade em todos os ambientes em que elas estão inseridas.
“É um programa maravilhoso, que ensina as crianças a tomarem escolhas seguras e saudáveis, onde os efeitos são sentidos pelos professores, pais e pela Polícia Militar, onde os jovens atuam em prol da redução da violência e criminalidade. Aqui na Baixada Cuiabana, temos a redução de 80% em casos de violência no ambiente escolar onde o Proerd se faz presente, o que mostra uma eficiência clara da importância do programa, aqui em Mato Grosso”, finaliza o coordenador do programa.
A solenidade de formatura do Proerd também contou com apresentações do Corpo Musical da PMMT, da Escola Estadual Militar Tiradentes e do coral Canto e Encanto, da Escola Municipal de Educação Básica Salvelina Ferreira, de Várzea Grande.
Fonte: GOV MT
MATO GROSSO
Promotora MPPR apresenta estratégias de inteligência na execução penal
O combate ao crime organizado passa, cada vez mais, por uma guerra silenciosa de informações. Foi com esse alerta que a promotora de Justiça do Paraná, Janaína Bruel Marques, conduziu o Painel 3 do Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”, realizado nesta quinta-feira (28), na sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá. O evento, promovido em parceria pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) e pelo Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT), reúne representantes do sistema de justiça, segurança pública e especialistas de diversos estados para debater estratégias de inteligência, combate às facções criminosas e ressocialização no sistema prisional.Durante a palestra “Estratégias de Inteligência na Fiscalização e Atuação na Execução Penal”, Janaína apresentou casos concretos conduzidos pelo núcleo de inteligência do Ministério Público do Paraná (MPPR) e mostrou como o cruzamento de dados, o compartilhamento de informações entre instituições e o monitoramento permanente das organizações criminosas têm auxiliado promotores e forças de segurança em investigações e na fiscalização da execução penal.“Eu acredito que a existência das facções é um grande dificultador para a ressocialização. O preso acaba refém dessas organizações criminosas”, afirmou a promotora ao defender que o enfrentamento ao crime organizado exige ações em duas frentes: o enfraquecimento financeiro das facções e o fortalecimento do Estado nas áreas mais vulneráveis.Segundo Janaína Bruel Marques, o trabalho desenvolvido pelo núcleo de inteligência do MPPR não se confunde com investigação criminal. Ela explicou que a inteligência atua de forma permanente, produzindo conhecimento estratégico para subsidiar a tomada de decisões de promotores, magistrados e forças de segurança. “A inteligência pode ser o caminho iluminado da investigação”, resumiu.A promotora destacou que a atividade de inteligência do Ministério Público ainda é recente no país. A doutrina específica da área, aprovada pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), foi consolidada apenas em 2023.Integração entre instituições – Na avaliação da promotora, a integração entre Ministério Público, Judiciário e forças policiais é um dos principais instrumentos para ampliar a efetividade das ações contra o crime organizado. “Esse compartilhamento de informações e de troca de experiências é fundamental para o aprimoramento das nossas atividades”, afirmou.Ao longo da apresentação, Janaína detalhou operações realizadas a partir do compartilhamento de dados entre agências de inteligência de diferentes estados. Um dos exemplos citados foi uma investigação sobre integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), iniciada após o compartilhamento de materiais apreendidos em São Paulo.Segundo ela, o trabalho conjunto permitiu identificar lideranças da facção em diferentes estados e resultou em operações integradas envolvendo órgãos de segurança pública e o Ministério Público.A promotora também relatou situações em que o trabalho de inteligência ajudou a identificar fraudes em processos de execução penal, falsificações de documentos para obtenção de benefícios e até homicídios forjados como suicídios dentro de unidades prisionais.Em um dos casos apresentados, o núcleo de inteligência percebeu um aumento incomum de supostos suicídios em presídios do Paraná. Após análise detalhada das ocorrências, descobriu-se que parte das mortes eram, na verdade, execuções determinadas por facções criminosas e simuladas como enforcamentos. “Só através da inteligência a gente consegue entender e enxergar esse cenário todo e não trabalhando processo por processo”, explicou.Ressocialização e presença do Estado – Ao encerrar a palestra, Janaína defendeu que o combate às facções criminosas não depende apenas de repressão, mas também do fortalecimento das políticas públicas nas comunidades vulneráveis.Ela citou que organizações criminosas acabam ocupando espaços deixados pelo poder público, oferecendo ajuda financeira, assistência às famílias de presos e até serviços básicos em determinadas regiões. “O discurso das facções é sempre de acolhimento contra o Estado opressor. Então, precisamos fortalecer o Estado onde ele não está presente”, pontuou.A promotora também ressaltou que ações de inteligência precisam caminhar junto com o respeito aos direitos fundamentais e à garantia de uma execução penal justa. “Não é para impedir direitos. É para garantir o cumprimento de uma pena justa, nem mais e nem menos do que foi determinado pelo Poder Judiciário”, concluiu. Foto: Alair Ribeiro
Fonte: Ministério Público MT – MT
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