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Diálogos com a Sociedade mostra a transformação por trás das grades

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O sistema prisional, os caminhos para a ressocialização e a atuação das facções criminosas foram tema de um importante debate durante mais uma edição do projeto Diálogos com a Sociedade, realizado nesta quinta-feira (31 de julho), em Sinop. Estiveram presentes no estúdio de vidro, o promotor de Justiça Luiz Gustavo Mendes de Maio, o diretor da Penitenciária Ferrugem, Adalberto Dias de Oliveira e o diretor do Conselho da Comunidade na Execução Penal (Consep), José Magalhães Pinheiro. A discussão trouxe à tona os principais desafios da gestão penitenciária, o papel fiscalizador do Ministério Público e as ações que têm promovido a reintegração social de recuperandos.O promotor de Justiça destacou o papel do Ministério Público na fiscalização das unidades prisionais, por meio de visitas mensais, análise de denúncias e acompanhamento dos processos de execução penal. “Nosso objetivo é garantir que os direitos dos presos sejam respeitados e que o cumprimento da pena esteja dentro da legalidade”, explicou.Conforme o diretor da Penitenciária Ferrugem, a unidade atualmente abriga aproximadamente 1.430 presos e se organiza como um “mini bairro”, com desafios nas áreas de segurança, saúde e educação. Segundo ele, no momento, 267 presos exercem atividades laborais dentro e fora do presídio, resultado de parcerias com a prefeitura e empresas locais.O Conselho da Comunidade, segundo Magalhães, atua como elo entre a sociedade e o sistema penal, promovendo ações de ressocialização por meio de trabalho, educação e assistência jurídica. “Nosso foco é oferecer uma segunda chance ao recuperando e preparar sua reinserção social”, afirmou. Ele ainda destacou a importância da confiança social: “Temos presos hoje operando máquinas, limpando valas, dirigindo, muitos já saíram do sistema e estão plenamente integrados, inclusive como empresários”.Um ponto crítico debatido foi a influência das facções criminosas dentro das penitenciárias. O promotor ressaltou que a adesão de presos a organizações criminosas dificulta a ressocialização e aumenta a reincidência. O diretor relatou que operações de enfrentamento vêm sendo intensificadas no estado. “Só neste ano, já retiramos quase três mil celulares de dentro dos presídios”.Apesar dos desafios, os participantes reforçaram o compromisso das instituições em transformar o ambiente prisional em espaço de reconstrução de vidas. “É preciso superar a visão de que prisão é só castigo. Ali, com trabalho, estudo e dignidade, é possível mudar trajetórias”, concluiu o promotor.Um ponto importante do processo de ressocialização destacado no debate é a seleção rigorosa dos recuperandos que participarão de atividades externas e internas de trabalho. Segundo o diretor da penitenciária e o Conselho da Comunidade, presos com vínculos com facções criminosas não são autorizados a participar desses programas.“Mesmo que a pessoa tenha perfil técnico adequado, se ela for faccionada, não permitimos que saia para trabalhar”, explicou Magalhães. A decisão visa proteger os demais recuperandos e garantir que a reinserção seja feita com responsabilidade. “Não podemos permitir que alguém comprometido com o crime organizado contamine a massa carcerária que está buscando uma nova chance”, completou.A triagem é feita por uma comissão multidisciplinar dentro da penitenciária, que analisa histórico, tipo de crime, comportamento e vínculos externos. O Ministério Público e o Judiciário também avaliam os nomes indicados antes da autorização final.Com esse cuidado, o projeto busca garantir segurança para a sociedade, integridade ao processo de ressocialização e, principalmente, oportunidades reais para aqueles que desejam reconstruir suas vidas longe do crime.A realização do projeto conta com o apoio de parceiros institucionais, como Aprosoja, Energisa, Águas Cuiabá, Oncomed, Ampa, Unimed Mato Grosso, Imad, Nova Rota do Oeste, Bom Futuro, Amaggi, Águas de Sinop e Aliança do Setor Produtivo.Fotos: Jaime Jr

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Edital da Secel viabiliza inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande

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O edital “Inventários de Patrimônio Imaterial de Mato Grosso – edição Política Nacional Aldir Blanc (Pnab”, promovido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), está viabilizando a documentação dos saberes seculares das redeiras de Limpo Grande, em Várzea Grande.

Realizado pela Associação Tece Arte, o projeto vai, pela primeira vez, transformar o “saber-fazer” das artesãs locais em um acervo documental definitivo. O objetivo é transformar esse “segredo de família” em um guia de consulta digital para pesquisadores, estudantes e entusiastas da arte popular de todo o mundo.

“Não estamos registrando apenas um objeto de decoração, mas uma tecnologia ancestral de resistência feminina. Mais do que fios e nós, o que se produz em Limpo Grande é memória viva “, afirma a coordenadora do projeto, Ester Moreira Almeida.

O Inventário do Patrimônio Imaterial das Redeiras de Limpo Grande utiliza um registro minucioso de imagens e depoimentos para mapear todo o processo — desde a colheita e preparo da matéria-prima até o acabamento dos padrões que deram fama nacional às redes de Várzea Grande. Com lançamento previsto para junho deste ano, o projeto está na fase de entrevistas.

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Por décadas, a técnica da tecelagem em Limpo Grande residiu apenas na tradição oral, passada de mãe para filha sob o som ritmado dos teares de madeira. O projeto, agora, mergulha nesse universo para registrar o que antes era invisível: os nomes dos pontos, a simbologia das cores e os relatos de resistência das mulheres que transformaram o artesanato em sustento e voz.

Para Ester, o inventário é um tributo à autonomia das mestras redeiras, preservando a tecelagem como símbolo de orgulho e desenvolvimento social.

“Ao sistematizar esse conhecimento, a Associação Tece Arte, com apoio da Secel, não apenas protege o passado, mas projeta o futuro. O projeto reafirma que, enquanto houver mãos tecendo em Limpo Grande, o patrimônio brasileiro continuará pulsando”, conclui.

(Com informações da Assessoria)

Fonte: Governo MT – MT

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