MATO GROSSO
Manual de Linguagem Clara e Direito Visual do TJMT aproxima a Justiça do cidadão
MATO GROSSO
O universo jurídico é tradicionalmente marcado por textos extensos, técnicos e de difícil compreensão para o cidadão comum. Isso gera barreiras de acesso e afasta a população de seus próprios direitos. Para mudar esta realidade, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio do Laboratório de Inovação (InovaJusMT), elaborou o Manual de Linguagem Clara e Direito Visual, uma publicação inédita no Judiciário estadual que busca traduzir a informação jurídica em linguagem compreensível, objetiva e acessível, sem perder o rigor técnico necessário.
O material foi desenvolvido com foco em magistrados, servidores e operadores do Direito, mas está disponível para todos os interessados em adotar práticas mais claras, inclusivas e modernas de comunicação.
A Linguagem Simples, também conhecida como Linguagem Clara, é o ponto de partida da proposta. Diferente de um texto simplório, trata-se de uma técnica de comunicação em que a mensagem é transmitida de forma direta, transparente e de fácil entendimento. O uso desse recurso garante maior inclusão social, fortalece a cidadania e possibilita que qualquer pessoa compreenda seus direitos sem necessidade de intermediários.
O manual destaca ainda que a clareza na comunicação jurídica contribui para reduzir interpretações equivocadas, aumentar a confiança nas instituições e ampliar a efetividade das decisões judiciais.
Outro conceito abordado na publicação é o Direito Visual (Visual Law), tendência internacional que aplica técnicas de design para facilitar a compreensão de conteúdos jurídicos. Por meio de elementos como ícones, fluxogramas, tabelas, gráficos, ilustrações e infográficos, a comunicação ganha um formato mais moderno e atrativo, auxiliando tanto profissionais do Direito quanto cidadãos que buscam informações jurídicas.
A ideia é que documentos e decisões não sejam apenas lidos, mas também “vistos” e compreendidos com mais agilidade, otimizando tempo e garantindo maior transparência.
O guia está dividido em três módulos:
- Módulo 1 – Linguagem Simples: fundamentos, dicas práticas e exemplos de aplicação.
- Módulo 2 – Direito Visual: introdução ao Visual Law e principais recursos do design jurídico.
- Módulo 3 – Integração: orientações para criação de projetos completos, que unem linguagem clara e elementos visuais.
Para a coordenadora do InovaJusMT, Juíza Joseane Quinto Antunes, a publicação simboliza mais um passo rumo a um Judiciário inclusivo e inovador. “O Manual de Linguagem Clara e Direito Visual mostra que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso quer uma Justiça mais próxima e fácil de entender. A utilização de palavras simples dá mais clareza sobre as ações do Judiciário e reduz a desconfiança e as dúvidas dos cidadãos. Essa iniciativa aproxima a Justiça da população, elimina barreiras linguísticas e permite que qualquer pessoa compreenda os atos judiciais”.
O Manual deLinguagem Clara e Direito Visual está disponível no portal do TJMT, na página do InovaJusMT e pode ser consultado por magistrados, servidores, estudantes e toda a sociedade.
Autor: Roberta Penha
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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MP ajuíza medida para proteger criança contra exposição indevida
A Promotoria de Justiça de Colniza (a 1.065 km de Cuiabá) ajuizou, nesta quarta-feira (12), uma medida de proteção em favor de uma criança residente no município que vem sendo exposta indevidamente nas redes sociais por meio da divulgação de vídeos contendo seu relato sobre supostos abusos sofridos. A atuação do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) foi motivada pela ampla circulação de gravações nas quais a vítima aparece narrando fatos que já são objeto de investigação criminal e de ação penal em tramitação no Poder Judiciário.Diante da repercussão do caso e da exposição da criança, o MPMT adotou providências para garantir a preservação de seus direitos fundamentais, especialmente a dignidade, a integridade psicológica, a privacidade e a proteção da imagem.Na ação, o Ministério Público requereu a adoção de medidas urgentes voltadas à proteção integral da vítima, entre elas a proibição de novas divulgações de fotos, vídeos ou relatos que possam possibilitar sua identificação, bem como a remoção imediata dos conteúdos já publicados em redes sociais e plataformas digitais. Também foi solicitado que o Conselho Tutelar realize diligências para avaliar as condições de proteção e cuidado oferecidas à criança no ambiente familiar.Além disso, o MPMT pediu o acompanhamento psicológico e assistencial da criança e de seus familiares, a realização de estudo psicossocial por equipe técnica do Poder Judiciário e, de forma excepcional, a possibilidade de acolhimento institucional caso seja constatada situação de risco grave ou insuficiência da rede familiar de proteção. As medidas têm como finalidade resguardar a integridade física, emocional e psicológica da vítima e evitar sua revitimização.De acordo com o promotor de Justiça Bruno Barros Pereira, é importante esclarecer que os fatos divulgados não se referem a uma denúncia recente. O caso teve início em 2023, quando a criança foi ouvida por meio do procedimento de escuta especializada. Em 2025, foi instaurado inquérito policial para apuração dos fatos, posteriormente concluído e encaminhado ao Ministério Público. Após a conclusão da investigação policial, em março de 2026, o MPMT ofereceu denúncia criminal, que foi recebida pela Justiça e segue em regular tramitação.“O Ministério Público entende que a divulgação pública de vídeos e relatos envolvendo crianças e adolescentes vítimas de violência pode causar revitimização e graves prejuízos emocionais, sobretudo quando expõe sua identidade e detalhes de situações traumáticas”, ressaltou o promotor de Justiça.
Foto: Imagem ilustrativa | Magnific.
Fonte: Ministério Público MT – MT



