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MPMT destaca papel da educação em visita de jovens do socioeducativo

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O Ministério Público do Estado de Mato Grosso recebeu, na tarde desta terça-feira, 10 adolescentes internos do sistema socioeducativo de Cuiabá para uma visita educativa. A atividade integrou a programação da “Semana da Saúde Mental” nas Unidades Socioeducativas Masculina e Feminina, promovida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), do Poder Judiciário. O MPMT foi a primeira instituição a receber os adolescentes, que ainda visitarão a Defensoria Pública e o Tribunal de Justiça ao longo da semana.
Os adolescentes foram recebidos pelo procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Procuradoria Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente, por sua equipe, pela procuradora de Justiça Elisamara Sigles Vodonós Portela e pela mestre de cerimônias da instituição, a jornalista Janã Pinheiro, que fez a contextualização da visita. “Nós queremos que este momento seja de aprendizado, mas também de troca, de escuta e de acolhimento a vocês”, afirmou Janã.
A visita guiada a alguns setores da instituição começou pelo Espaço Memória, localizado na entrada da Procuradoria-Geral de Justiça, onde o procurador Paulo Prado falou sobre a história do Ministério Público. Os adolescentes, acompanhados por psicólogas, agentes de segurança do sistema socioeducativo e integrantes do GMF-MT, conheceram o Departamento de Comunicação (Decom), o Departamento de Tecnologia da Informação (DTI), a Diretoria-Geral (DG), a Corregedoria-Geral, o gabinete do procurador-geral de Justiça e o gabinete do procurador de Justiça Paulo Prado. A visita foi encerrada com a exibição de um vídeo institucional do MPMT, seguida de esclarecimento de dúvidas e um lanche especial.
“Essa visita foi extremamente importante. Em primeiro lugar, para que os Adolescentes em conflito com a lei pudessem conhecer o Ministério Público e entender melhor a função da instituição. O MP não é apenas o órgão que apresentou a representação ou que solicitou a internação desses jovens. É também a instituição que acredita na ressocialização, que abre suas portas para mostrar, setor por setor, como funciona, e que está disposta a acolher esses adolescentes, oferecendo a oportunidade de um novo começo, uma nova vida”, afirmou o procurador de Justiça Paulo Prado.
Segundo o procurador, o que aconteceu é passado. “Agora é hora de recomeçar. Nós acreditamos nisso e queremos que eles também acreditem. Por isso, esse momento, essa visita, é tão significativa: para que eles deixem de ver o Ministério Público apenas como um órgão repressor e passem a enxergá-lo como um defensor da cidadania e dos direitos, que aposta na recuperação e na reintegração social”, acrescentou.
O corregedor-geral do MPMT, João Augusto Veras Gadelha, falou sobre o papel da Corregedoria na orientação e fiscalização dos membros da instituição, reforçando a importância da educação para o futuro dos adolescentes. “Qualquer pessoa que estudar, se formar em Direito, começar a advogar, pode fazer um concurso e vir a ser um promotor de Justiça, por exemplo. É só ter disposição e querer vencer na vida, de forma honesta, lícita e estudando. Esse é o principal: trabalhar e estudar”, argumentou.
A ouvidora-geral do MPMT, procuradora de Justiça Eliana Cícero de Sá Maranhão Ayres Campos, também orientou os adolescentes a seguirem o caminho do bem. “Não é porque você caiu que não pode olhar para o amanhã e vislumbrar um futuro melhor. Todos vocês têm um futuro, basta querer. E terão amigos que vão chamá-los para outro mundo, mas vocês têm que saber diferenciar o amigo verdadeiro do amigo aproveitador, que só quer que vocês os acompanhem na derrocada da vida deles. Parabéns por estarem aqui, porque o recomeço da vida de vocês, com certeza, está aqui”, enfatizou.
O secretário-geral do MPMT, Adriano Augusto Streicher de Souza, disse ser um prazer receber os adolescentes na instituição e contribuir para que eles tenham uma outra visão da vida. “Devemos aprender com os erros. Vocês podem ter errado, mas saibam que existem pessoas que acreditam em vocês, que vocês podem ter um futuro melhor, desde que também pensem assim. Porque não basta só nós querermos, é preciso que vocês também invistam nisso. O Ministério Público acredita em vocês. Mas vocês também precisam fazer a sua parte. É preciso querer algo melhor. E nós acreditamos que vocês são capazes disso”, assinalou.
A profissional de Educação Física e analista do Sistema Socioeducativo Elka Moura Victorino, cedida ao GMF-MT, explicou que a visita faz parte do projeto da Semana da Saúde Mental, organizado pelo GMF em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus). “Tivemos uma abertura oficial com uma palestra sobre saúde mental e, junto a essa programação, temos as visitas aos órgãos de garantia de direitos. O Ministério Público foi o primeiro a ser visitado, com adolescentes da unidade masculina. Todos os internos vão participar das visitas ou de oficinas artísticas”, revelou.
Para ela, reconhecer todo esse sistema, essa esfera, essa imensidão de possibilidades profissionais e de estudo pode abrir caminhos na construção de novos pensamentos. “Isso, associado também ao fazer artístico, tem toda uma possibilidade de outra conexão, de outra coerência desses pensamentos, para vislumbrar as possibilidades do futuro, principalmente profissionais”, defendeu.
O promotor de Justiça Augusto Cesar Fuzaro, da 18ª Promotoria Cível da Infância e Juventude de Cuiabá, também enalteceu a importância do evento. “Estamos participando de uma semana voltada à promoção da saúde mental no sistema socioeducativo, e o objetivo foi proporcionar a um grupo de adolescentes em meio de internação a oportunidade de conhecer as instituições e vivenciar momentos de integração”, apontou.
A visita foi autorizada pelo procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca Costa que considerou “a atividade proposta guarda pertinência pedagógica, integrativa e socioeducativa, compatível com os princípios da proteção integral e da prioridade absoluta conferidos às crianças e adolescentes pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Segundo ele, a ação é também uma medida de caráter formativo, permitindo aos adolescentes o conhecimento direto das instituições que compõem o Sistema de Justiça, favorecendo a cidadania, a compreensão de direitos e deveres e a ressocialização.
Sobre o MPMT – Na recepção aos adolescentes, Janã explicou qual a atribuição do Ministério Pùblico. “É um órgão que existe para defender a justiça e os direitos das pessoas, incluindo os de vocês, especialmente de quem mais precisa, como crianças, adolescentes, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. O Ministério Público não é polícia, não é juiz, nem governo. A nossa missão é fazer com que seja cumprida a justiça e garantida a cidadania. E aqui dentro tem pessoas que trabalham todos os dias para proteger os direitos de adolescentes como vocês. Hoje vocês vão conhecer um pouco do nosso trabalho e ver que o MP é um lugar de portas abertas, escuta e de cuidado”, afirmou Janã Pinheiro.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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