MATO GROSSO
Mutirão “Procon Perto de Você” leva serviços de cidadania ao bairro Cristo Rei
MATO GROSSO
Para comemorar o Dia Mundial do Consumidor, celebrado neste domingo, 15 de março, o Procon de Mato Grosso realizou mais uma edição do mutirão “Procon perto de você”. A iniciativa teve como objetivo de levar os serviços do Procon e órgãos parceiros para os bairros mais distantes, ampliando e facilitando o acesso à população.
Os atendimentos foram realizados na Escola Estadual José Leite de Moraes, localizada no bairro Cristo Rei, neste sábado (14.3). Das 8h às 15h, consumidores de Várzea Grande utilizaram os serviços oferecidos na ação, como orientação e registro de reclamação.
Durante a abertura, o secretário de Estado de Assistência Social e Cidadania, Klebson Gomes, agradeceu a presença de todos e salientou que o Dia do Consumidor é um dia de cidadania.
“O Procon é uma secretaria adjunta da Setasc que exerce uma atividade muito importante, que é garantir que os direitos dos consumidores sejam respeitados. Direitos esses que têm sido muito afetados atualmente. E o Procon é um órgão que nos defende. Quero parabenizar a todos os profissionais que trabalham no Procon, neste dia que é um dia de todos nós, pois todos somos consumidores”, destacou o secretário.
A secretária adjunta do Procon-MT, Ana Rachel Pinheiro Gomes, lembrou que o Dia Mundial do Consumidor é a data mais importante para os órgãos de defesa do consumidor.
“Quero agradecer a comunidade que está participando do mutirão, aos parceiros e à Setasc, que sempre apoia o nosso trabalho. O Dia Mundial do Consumidor é uma data muito especial e o Procon Estadual reafirma o compromisso com a população de Mato Grosso em defender os direitos dos consumidores e promover a cidadania. Hoje, nós estamos trabalhando com um novo sistema, que é o Procon Digital. Disponível pelo aplicativo MT Cidadão, o consumidor de qualquer lugar do Estado pode acessar os serviços do Procon e registrar sua reclamação, direto do seu telefone celular”, explicou Ana Rachel.
O professor de música Odenil Seba, que representou a direção da unidade educacional no evento, ressaltou que o Procon e parceiros são recebidos na Escola José Leite de Moraes com alegria e gratidão.
“Em nome da direção da Escola José Leite, quero cumprimentar a todos que vieram buscar o exercício da cidadania. Quero agradecer especialmente ao Procon Estadual, ao Procon de Várzea Grande e à Setasc por virem até aqui e ofertar esses serviços. Que seja um dos muitos eventos que transformam a comunidade da nossa escola, do Cristo Rei e de Várzea Grande”, disse o docente.
O aposentado Euricler Romão, morador do bairro Cristo Rei, ficou sabendo do mutirão por um vizinho e procurou o Procon para registrar uma reclamação.
“Tive um problema com cartão de crédito. Eu achei que estava pagando o total da fatura, mas na verdade paguei só o mínimo, sem perceber. O restante da dívida foi parcelado automaticamente em 14 vezes. Isso aconteceu mais de uma vez e eu não me dei conta. Quando vi, estava com uma dívida grande, mais os juros do cartão de crédito que são muito altos, um beco sem saída. Procurei o Procon para ver se consigo juntar as parcelas em uma conta só, com um valor que eu possa pagar, pois preciso garantir que sobre alguma renda para mim”, contou.
Para Euricler, ações como o mutirão são essenciais, pois aproximam os serviços do cidadão. “Essa é uma iniciativa maravilhosa, que se pudesse ser levada para todos os bairros melhoraria muito a vida das pessoas. Especialmente para os mais humildes, que não têm condições de se deslocar, de ir até o Procon. Quero agradecer a todos vocês pela ajuda”, afirmou.
Wilson da Costa, que também é morador do bairro Cristo Rei, registrou reclamação sobre a concessionária de energia elétrica.
“Estou fazendo uma ampliação na minha casa e preciso instalar um novo padrão. Solicitamos na concessionária, mas foi negado e não entendemos o motivo. Vim buscar ajuda do Procon para entender o que está acontecendo, adequar a minha obra e fazer uma negociação. Fiquei sabendo do mutirão pelo celular e aproveitei a oportunidade. Moro pertinho da escola. Então facilitou para mim”, explicou.
Além de orientação sobre direitos do consumidor e registro de reclamações pelo Procon Estadual, também foram ofertados serviços de orientações sobre Direitos Humanos, políticas públicas para mulheres e atendimento da Van Rosa pela Setasc e ações educativas, pelo Procon Municipal de Várzea Grande.
A população ainda contou com ensaios de medidores de pressão e instruções sobre produtos certificados, pelo Instituto de Pesos e Medidas de Mato Grosso (Ipem-MT); atendimento à população pela Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (Ager-MT); Defensoria Pública do Estado e concessionárias Energisa e Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE).
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.



