MATO GROSSO
Ouvidoria do MPMT revela contrastes na recuperação de dependentes
MATO GROSSO
A Ouvidoria Geral do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do projeto Escuta Proativa, realizou neste mês de setembro uma nova rodada de visitas a comunidades terapêuticas em Cuiabá e Várzea Grande. A iniciativa tem como objetivo verificar as condições de acolhimento e garantir o respeito à dignidade das pessoas em situação de vulnerabilidade. Nesta etapa, foram vistoriadas quatro instituições. Em uma das comunidades terapêuticas da capital, 31 internos, entre eles seis mulheres e 25 homens, dividiam os mesmos espaços, inclusive os banheiros. Os quartos apresentavam problemas estruturais e não possuíam fechaduras internas, evidenciando um cenário de insalubridade e precariedade. Situação semelhante foi encontrada em Várzea Grande, onde 22 pessoas estavam abrigadas em condições degradantes: esgoto a céu aberto, banheiros improvisados, colchões rasgados e alimentos vencidos. “Não há condições mínimas de funcionamento. Falta estrutura física e humanidade no tratamento dos internos”, destacou a procuradora de Justiça Eliana Cícero de Sá Maranhão Ayres Campos, Ouvidora-Geral do MPMT. Em contraste, uma associação que administra duas comunidades terapêuticas apresentou uma realidade oposta. Com mais de 70 acolhidos, os espaços são separados por gênero, possuem estrutura adequada e oferecem tratamento humanizado. Além da recuperação por meio da educação e atividades colaborativas, a instituição desenvolve projetos sustentáveis como produção de biogás, aquaponia e cultivo de rosas do deserto, iniciativas viabilizadas com recursos de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) firmados pelo MPMT. “Hoje não pagamos mais pela energia elétrica graças à instalação de painéis solares com recursos do TAC. Isso nos permite investir ainda mais na recuperação dos acolhidos”, afirmou Raimundo Assis, pastor presidente da associação As visitas também revelaram histórias de superação, como a de Edilene Farias, que após 20 anos em situação de rua e dependência química, encontrou acolhimento e esperança. “Procure ajuda. Tem jeito. Foi dentro de uma casa de recuperação que eu encontrei verdadeiramente ajuda”, relatou emocionada. Outro exemplo é Luiz Carlos Costa, ex-morador de rua que hoje atua como monitor na comunidade terapêutica. “Cheguei destruído, mas fui transformado. Hoje sou um homem liberto”, disse.
Fonte: Ministério Público MT – MT
MATO GROSSO
MP recomenda suspensão de novos pacientes em clínica de reabilitação
A 1ª Promotoria de Justiça Cível de Chapada dos Guimarães (a 65 quilômetros de Cuiabá) recomendou a suspensão imediata da admissão de novos pacientes no Centro de Tratamento Vida Serena Premier após identificar indícios de irregularidades no funcionamento da unidade. A medida foi adotada no âmbito de um inquérito civil instaurado para apurar supostas irregularidades na clínica, que atende pessoas com transtornos mentais e dependência química. As investigações começaram após denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público de Mato Grosso. A apuração integra ações do projeto Escuta Pró-Ativa, coordenado pela ouvidora-geral do MPMT, procuradora de Justiça Eliana Cícero de Sá Maranhão Ayres Campos, que realiza visitas técnicas para verificar as condições de atendimento em unidades de acolhimento e tratamento. Neste ano, o projeto já promoveu fiscalizações em penitenciárias de Cuiabá e Várzea Grande, além de comunidades terapêuticas e clínicas localizadas em Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Durante as inspeções, relatórios técnicos apontaram possíveis inconsistências entre o licenciamento da unidade e as atividades efetivamente desenvolvidas no local. Em inspeção realizada na instituição, foram identificados cerca de 43 pacientes acolhidos. Também foram constatadas possíveis inadequações estruturais e indícios da realização de procedimentos típicos de unidades médico-hospitalares. De acordo com a promotoria, a fiscalização realizada pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) constatou que a unidade realiza internações voluntárias, involuntárias e compulsórias. O relatório também apontou incompatibilidades entre os serviços prestados e o licenciamento sanitário então vigente, além de outras inconformidades administrativas e técnicas. O Ministério Público também constatou, durante a inspeção, a ausência de licença sanitária válida para o funcionamento da clínica. Conforme o procedimento, o alvará anteriormente apresentado perdeu a vigência e, até o momento, não houve comprovação da obtenção de uma nova autorização. Para o promotor de Justiça Leandro Volochko, a medida tem caráter preventivo e busca garantir a proteção dos pacientes. “Nosso objetivo é resguardar a saúde e a segurança das pessoas acolhidas enquanto os órgãos competentes analisam a regularidade do funcionamento da unidade e das atividades desenvolvidas no local”, destacou. Além da recomendação para suspender novas internações, a Promotoria requisitou informações sobre os pacientes atualmente acolhidos e determinou o envio de ofícios à Vigilância Sanitária e ao CRM-MT para a realização de novas fiscalizações.
Fonte: Ministério Público MT – MT



