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Professor fala sobre dosimetria da pena em ciclo de palestras sobre violência doméstica

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Nesta terça-feira (30 de agosto), o professor e advogado Giovane Santin foi o palestrante do 1º ciclo de palestras “Atuação nas Varas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, promovido pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis/MT) e pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher). O tema da palestra, realizado de maneira on-line, foi “Aspectos relevantes na dosimetria da pena nos crimes envolvendo violência doméstica e familiar contra a mulher”.
 
A abertura do evento foi feita pela juíza Tatiane Colombo, titular da 2ª Vara de Violência Doméstica, que lembrou que o Brasil, apesar de ter uma lei com a envergadura da Lei Maria da Penha, ainda é um dos países onde mais mulheres são vítimas de feminicídio no mundo. Na oportunidade, a magistrada representou a coordenadora da Cemulher, desembargadora Maria Aparecida Ribeiro, que está em Brasília para receber uma premiação nacional relacionada ao Prêmio CNV Viviane Amaral, ao lado das desembargadoras Maria Helena Póvoas (presidente) e Maria Erotides Kneip.

 
Na palestra, Giovani Santin explicou que, em relação à dosimetria da pena, não existe um modelo que sirva como regra, e sim as circunstâncias relacionados a cada fato, que determinam como deve ser a fixação de pena naquela hipótese. Ele aproveitou para listar os principais erros cometidos quando da fixação da pena, que frequentemente são corrigidos pelo Tribunal de Justiça ou pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
 
Conforme o professor, que conta com 12 anos de experiência em assessoria jurídica no Poder Judiciário de Mato Grosso, algumas fundamentações que não são admitidas para crimes cotidianos, são reconhecidas como válidas para casos envolvendo violência doméstica diante da sua peculiaridade. Citou casos de erros frequentes cometidos quando da análise da culpabilidade do réu e vários exemplos de julgamentos do Tribunal de Justiça que reformaram decisões de Primeira Instância. “Devemos reconhecer que os elementos da culpabilidade qualitativa não podem ser valorados para aumentar a pena privativa de liberdade”, salientou.
 
O palestrante falou ainda sobre temas diversos, como culpabilidade e premeditação (intensidade do dolo), sobre a motivação decorrente do ciúmes ser fundamento apto a justificar o aumento da pena-base, sobre o dolo de ímpeto afastar o aumento de pena em crimes de premeditação, a presença de filhos na cena do crime ser considerada fundamentação válida para justificar o aumento da pena na primeira fase, dependência química e alcoólica, entre outros.
 
Erros frequentes em relação aos antecedentes criminais também foi um assunto bastante explorado pelo palestrante. “Sem sentença condenatória transitado em julgado, não poderá ser usado para valorar a pena-base. O Tribunal de Justiça está reformando decisões que consideram sentenças que não transitaram em julgado para valorar os antecedentes”, pontuou. Ainda conforme Santin, fatos posteriores ao crime que está sob análise não podem ser valorados como maus antecedentes. “Para valorar como maus antecedentes, precisa de sentença condenatória transitado em jugado. Mas precisa saber a data do fato que ensejou essa sentença. Se o ato foi praticado depois do crime que estou sentenciando, não posso utilizar como maus antecedentes.”
 
Santin falou ainda sobre outros aspectos relacionados à valoração dos maus antecedentes, relacionados a atos infracionais, multirreincidência, prazo quinquenal, assim como sobre a conduta social do agente. “Já está consolidado também que a agressividade, a violência do indivíduo, no âmbito social que ele está inserido, é considerado fundamentação idônea para exasperação da pena na primeira fase.”
 
Ao final da apresentação, o advogado enalteceu o trabalho dos desembargadores que atuam nas câmaras criminais do Judiciário mato-grossense, que, na avaliação dele, são referência para todo o país. “As decisões proferidas são de grande importância. Tenho orgulho de dizer que, mesmo que indiretamente, pude fazer parte de todas essas conquistas.”
 
Para o juiz Vagner Dupim Dias, que acompanhou a iniciativa, a palestra foi muito proveitosa. “Dosimetria é tema do nosso cotidiano e discutir sobre isso sempre agrega, ainda mais com a visão peculiar da violência doméstica”, avaliou. Ele elogiou ainda os cursos e eventos promovidos pela Esmagis. “Eles têm sido muito enriquecedores. Todos têm sido proveitosos.”
 
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 1: Captura de tela do webinário, onde aparece a imagem do advogado Giovane Santin. Ele usa óculos de grau e terno azul escuro. Ao fundo, aparece uma estante repleta de livros.
 
Lígia Saito
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Mato Grosso sediará Certificação Nacional de Cães de Busca, Resgate e Salvamento

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Mato Grosso receberá, entre os dias 15 e 19 de junho, a Certificação Nacional de Cães de Busca, Resgate e Salvamento – Etapa Centro-Oeste, o principal processo de avaliação técnico-operacional dos cães empregados pelos Corpos de Bombeiros Militares em missões de busca e salvamento no país.

Coordenada pela Liga Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares (LIGABOM), por meio do Comitê Nacional de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (CONABRESC), a certificação reúne equipes especializadas de diferentes regiões do país e contribui para a padronização da atividade desenvolvida pelos Corpos de Bombeiros Militares.

Ao todo, 20 equipes participarão da certificação, sendo 12 do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT). Também estarão representados os Corpos de Bombeiros Militares do Acre, Bahia, Ceará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Ao longo dos cinco dias, os participantes passarão por provas práticas elaboradas para reproduzir cenários encontrados em ocorrências reais, permitindo avaliar o preparo técnico das equipes para atuação em diferentes tipos de missão.

As provas contemplam modalidades como obediência e destreza, busca rural e urbana por pessoas vivas, busca rural e urbana por remanescentes mortais e busca por odor específico. Além do desempenho dos cães, os avaliadores observam aspectos relacionados à condução das missões, como a leitura comportamental dos animais, a tomada de decisão e o gerenciamento das ações em campo.

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De acordo com o responsável pelo Núcleo de Operações de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (Nobresc), vinculado ao 2º Batalhão Bombeiro Militar (2º BBM), major BM Anderson Rodrigo da Silva, a certificação é uma etapa indispensável para o emprego operacional dos cães de busca. Após o período de formação e treinamento, cães e condutores precisam demonstrar, por meio de avaliações padronizadas, que possuem condições de atuar com segurança, eficiência e confiabilidade em missões reais.

“A certificação é obrigatória para que o cão possa atuar em operações de busca e salvamento. Esse processo permite comprovar a capacidade técnica do animal e a confiabilidade das indicações realizadas durante as buscas. Quando um cão indica um determinado local, essa sinalização pode mobilizar equipes, equipamentos e outros recursos especializados. Por isso, é fundamental garantir que ele esteja preparado para atuar com segurança e precisão nas mais diversas ocorrências”, destacou o major.

As atividades da certificação terão início no dia 14 de junho, com a realização do congresso técnico no Shopping Goiabeiras. Ao longo da semana, os participantes serão submetidos a avaliações em diferentes cenários operacionais preparados para reproduzir situações encontradas em ocorrências reais.

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As provas de habilidades e obediência ocorrerão no dia 15 de junho, no campo de futebol do IPASE, em Várzea Grande. Já as avaliações de busca rural serão realizadas nos dias 16 e 17 de junho, na Fazenda São José, localizada na região do Trevo do Lagarto.

As provas de busca urbana serão realizadas nos dias 17 e 18 de junho, na Rodovia Palmiro Paes de Barros, na região do Parque Atalaia, em Cuiabá.

A cerimônia de encerramento acontecerá no dia 19 de junho, às 10h, na Praça das Bandeiras.

O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso desenvolve atividades de busca, resgate e salvamento com cães desde 2012. Ao longo dos anos, a corporação se consolidou como referência nacional na área, sediando certificações e cursos especializados, além de alcançar, em 2020, o primeiro lugar no ranking nacional de binômios certificados pela Liga Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares (LIGABOM). As equipes do CBMMT também atuaram em grandes operações no país, como os desastres de Brumadinho (MG), Petrópolis (RJ) e Rio Grande do Sul.

Fonte: Governo MT – MT

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