MATO GROSSO
Professores da rede estadual são capacitados para abordarem violência doméstica em sala de aula
MATO GROSSO
Mais de mil profissionais da Educação estadual serão capacitados pelo Poder Judiciário de Mato Grosso sobre como abordar a violência contra a mulher nas mais diversas disciplinas, entre esta terça (20) e quinta-feira (22), na Semana Pedagógica 2026. A iniciativa resultou de convite feito pela Secretaria de Estado de Educação à Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no âmbito do Tribunal de Justiça (Cemulher-TJMT), com o objetivo de fazer com que os estudantes tenham acesso a conhecimentos sobre o tema ao longo de todo o ano letivo.
As capacitações ocorrem por meio de oficinas conduzidas por magistrados e magistradas das Varas Especializadas de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá e da equipe da Cemulher. “Estar participando da Semana Pedagógica é uma grande oportunidade para trabalharmos o combate à violência contra mulheres e meninas e lembrar que não é somente em março que se trabalha o tema da violência doméstica e familiar. Mas, sim, durante todo o ano letivo”, afirma a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, titular da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá.
A magistrada destaca que, por terem contato diário com as crianças e adolescentes, geralmente são os professores os primeiros a identificar situações de violência entre os alunos. Ela pontua ainda que esses estudantes, por estarem em formação de caráter e de personalidade, precisam refletir a respeito de igualdade de gênero. “Se a gente conseguir trabalhar com essa geração, já consegue salvar grande parte da população. Eles acabam transmitindo em casa esse conhecimento adquirido porque, muitas vezes, percebem que pai e mãe ou mãe e padrasto estão num relacionamento abusivo”.
Destacando que o objetivo da formação de professores sobre violência doméstica é trabalhar preventivamente em relação ao público jovem, a juíza Ana Graziela Vaz ressalta que, graças às palestras já realizadas pela Cemulher nas escolas sobre a Lei Maria da Penha, já foi possível dar basta à violência sofrida por profissionais da Educação.
“Para o crime não ocorrer, precisamos trabalhar com a política pública primária no banco escolar para os adolescentes saberem respeitar o próximo, seu colega de sala de aula, sua namorada, sua futura esposa. E, muitas vezes, vão aparecer denúncias de fatos que estão ocorrendo dentro da casa dessa criança, desse adolescente. Também temos relatos de professoras, de colaboradoras que já foram salvas pelo simples fato de assistirem a uma palestra e perceberem que estavam vivendo um relacionamento abusivo, de mulheres que estavam com risco de suicídio, estavam com risco de feminicídio e buscaram ajuda após a formação dentro do contexto escolar”, afirma.
A professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental e Ensino Médio, Fátima Ramos, que atua em Campo Verde, conta que já se deparou com casos de violência, abuso e bullying no ambiente escolar, o que a levou a participar da oficina promovida pelo Poder Judiciário na Semana Pedagógica.
“São coisas que a gente acha que é simples, mas que, quando vai pesar, é uma coisa que vai se tornando algo grande. Alunos discutem, menino com menina ou namorados. Então, a gente tem necessidade desses encontros. Eles são muito úteis porque podemos aprender bastante, trocar experiências e levar coisas novas para nossa escola, trabalhando em conjunto”, destaca Fátima
Na oficina, foram abordados os cinco tipos de violência contra a mulher (física, psicológica, sexual, patrimonial e moral), formas de abordar o tema de maneira transversal no currículo escolar, estratégias de acolhimento aos alunos e também foram feitas dinâmicas de grupo para debater situações vivenciadas nas escolas. Após passar pela experiência, a professora Fátima Ramos aponta o resultado positivo que isso tende a gerar nas escolas.
“Eu acredito que vai ser impactante porque, às vezes a gente fica com medo de abordar o assunto em sala de aula, até para não constranger a criança que está passando por isso. Então, vejo como um trabalho em conjunto, troca de experiências que a gente pode levar para nossa escola, levar para o nosso município e trabalhar todo mundo junto para que a violência doméstica possa ser diminuída. Então, isso tudo é muito válido para nossa profissão”, avalia.
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Autor: Celly Silva
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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Sema monitora mais de 400 planos de manejo em execução no estado de Mato Grosso
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) monitora, atualmente, 402 planos de manejos autorizados e em execução. O Estado possui 5,2 milhões de hectares em áreas de manejo e a meta é chegar até 6,5 milhões até 2040.
Nesta quinta-feira (25.6), equipes do órgão ambiental participaram de uma imersão prática na Fazenda Leonel Bedin, em Ipiranga do Norte, onde cerca de 150 pessoas acompanharam em campo as etapas do manejo em uma área de 300 hectares.
A atividade integrou a programação da 6ª edição do Dia na Floresta, promovida pelo Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem).
“Quando nós olhamos para as áreas de manejo, a incidência é de menos de 10% de desmatamentos posteriores e também não há incidência de incêndios florestais porque essas áreas possuem acessos e mantém toda uma estrutura”, destacou a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti.
Ela explicou que o manejo florestal não se confunde com a supressão de vegetação. “A incidência de ilegalidade nos desmatamentos é superior do que em manejo florestais sustentáveis”, assegurou.
No manejo florestal, conforme a secretária, existem critérios a serem seguidos para o levantamento florestal e realização do inventário dos indivíduos existentes na área contemplada no projeto de manejo. A partir desses dados e levando em consideração a renovação da floresta, é estabelecida uma matriz com a indicação do quanto é possível ser extraído do manejo.
“O Brasil tem critérios técnicos muito mais especializados do que em os outros países, que não possuem um regramento que faça uma composição que considera a especificidade de cada área. Em Mato Grosso nós possuímos várias matrizes, pois as regiões são diferentes. Mas ao final, todos esses critérios levam para o objetivo principal que é manter a floresta para o novo ciclo”, ressaltou Lazzaretti.
O processo para autorização do manejo florestal, segundo a secretária, começa com a elaboração do projeto pelo empreendedor. O órgão ambiental recebe todos os dados de forma digital, com 100% do inventariado e georreferenciado.
Na sequência, os dados são analisados pelos técnicos que atuam no licenciamento e se tudo estiver de acordo com a legislação, inclusive o Cadastro Ambiental Rural (CAR) validado, a Sema emite a autorização de exploração florestal.
“Com a emissão da autorização, nós temos uma estrutura de monitoramento e passamos a confrontar as imagens de área que nós temos com a exploração que acontece em campo e com a comercialização desses produtos no nosso sistema Sisflora 2.0, que acompanha o corte, a secção, o transporte e o comércio de todo o produto florestal deste manejo”, explicou.
Segundo a secretária, o monitoramento contínuo permite ao órgão ambiental acompanhar se a exploração está ocorrendo exatamente onde foi autorizada e se a árvore que foi cortada e informada no sistema é compatível com a que foi apresentada no projeto.
Para o presidente do Cipem, Gleisson Tagliari, o manejo representa um compromisso de longo prazo com a manutenção da floresta em pé, capaz de manter a área produtiva e preservada nas décadas seguintes.
“Quando você faz manejo florestal, assume um compromisso de garantir que aquela propriedade permaneça com floresta e que, daqui a 25 ou 30 anos, exista um novo ciclo de madeira. Ou seja, você promove também a conservação das nossas florestas. Levar esse conhecimento adiante traz mais credibilidade, mais visibilidade e gera mais confiança sobre o trabalho desenvolvido pelo setor”.
Nas áreas de manejo, o corte das árvores é feito de maneira seletiva, respeitando o ciclo de vida dos indivíduos. Árvores que já cumpriram o seu papel na natureza são colhidas de forma estratégica, minimizando o impacto ambiental e dando espaço para que suas filhas possam crescer para proliferação da espécie.
Imersão na floresta
Durante a trilha técnica, os participantes percorreram trechos da floresta acompanhados por especialistas. A atividade contou com apoio tecnológico do aplicativo Madereiro, G2R Soluções tecnológicas, que fornece em tempo real o mapa da área, árvores catalogadas e a classificação das espécies por um sistema de cores.
Fechando o ciclo, os participantes visitaram a Madeireira São Miguel, em Sinop, para conhecer de perto as etapas da indústria, acompanhando a transformação de toras brutas em matéria-prima pronta para uso na construção civil, fabricação de móveis ou outros setores.
O Dia na Floresta 2026 contou com o apoio de diversas entidades, entre elas, a Sema, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec), Universidade Federal de Mato Grosso, Corpo de Bombeiros Militar, Associação Mato-grossense dos Engenheiros Florestais (AMEF) e vários sindicatos.
Fonte: Governo MT – MT


