MATO GROSSO
Promotor afirma que Instagram de políticos é laboratório eleitoral
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“O maior laboratório de Direito Eleitoral é o Instagram dos políticos.” A afirmação foi feita pelo promotor de Justiça do Ministério Público do Ceará (MPCE) Igor Pereira Pinheiro durante a capacitação “Integridade em Foco: Intersecções entre Direito Eleitoral, Probidade Administrativa e Responsabilização Criminal”, na tarde desta quinta-feira (18). No painel “Ilícitos Penais e a Improbidade Administrativa: repercussão política e eleitoral”, o palestrante defendeu uma atuação mais estratégica, preventiva e proativa do Ministério Público no acompanhamento das eleições.Ao abordar a atuação ministerial em anos eleitorais, Igor Pereira Pinheiro alertou para a necessidade de os integrantes do Sistema de Justiça ampliarem o conhecimento sobre os tipos penais eleitorais. Segundo ele, o desconhecimento da legislação criminal eleitoral ainda representa um obstáculo para a identificação, investigação e responsabilização de condutas ilícitas durante o processo eleitoral.Na sequência, o promotor destacou que, entre os diversos crimes previstos na legislação, dois merecem atenção prioritária por terem como consequência a cassação do registro, diploma ou mandato. Um deles é o uso indevido de veículos oficiais nos 90 dias que antecedem a eleição. O outro é a distribuição de bens, prêmios, sorteios ou benefícios com a finalidade de promover candidaturas ou influenciar eleitores. Para ele, são práticas recorrentes, presentes em diferentes realidades municipais e que exigem atuação firme dos órgãos de controle.Sobre o tema, enfatizou que essas condutas muitas vezes passam despercebidas, apesar dos seus impactos sobre a lisura do pleito. “Quando a gente fala em crimes eleitorais que cassam diploma ou mandato, evidentemente que estamos diante de situações que deveriam ser prioritárias na nossa atuação fiscalizatória. São condutas que acontecem em todas as comarcas e que muitas vezes passam despercebidas”, afirmou.O palestrante também defendeu uma atuação preventiva, com o acompanhamento das movimentações políticas antes do início oficial da campanha eleitoral. Para ele, a fiscalização não deve se limitar ao período eleitoral, mas começar já na pré-campanha, quando surgem os primeiros sinais de promoção política e possíveis irregularidades. “A pré-campanha é um conceito fluido que depende muito mais do comportamento do pré-candidato do que da norma em si. A partir do momento em que alguém se apresenta como pré-candidato, passa a fazer reuniões, participar de eventos e buscar visibilidade política, ele atrai para si não apenas direitos, mas também todas as restrições e mecanismos de fiscalização previstos na legislação eleitoral”, argumentou.Dentro dessa perspectiva, o promotor de Justiça chamou atenção para a importância do monitoramento de redes sociais, eventos políticos e atos administrativos. Segundo ele, as plataformas digitais se transformaram em importantes ferramentas de investigação, permitindo identificar comportamentos, reunir provas e acompanhar a movimentação de agentes políticos de forma contínua. “O político e o pré-candidato precisam de exposição, precisam divulgar os atos que praticam. Se você tem uma rotina mínima de acompanhamento, consegue identificar comportamentos, registrar provas e perceber situações que muitas vezes ocorrem de forma totalmente aberta, porque já foram naturalizadas”, observou.Ao incentivar os membros do Ministério Público a adotarem uma postura mais ativa e investigativa, Igor Pinheiro defendeu que a atuação eficiente exige curiosidade, iniciativa e disposição para identificar irregularidades antes que produzam efeitos mais graves sobre o processo eleitoral. “Nós somos pagos para duvidar. Nós temos que desconfiar de tudo e de todos, porque só o curioso é que vai descobrir”, afirmou.O promotor ressaltou ainda que os resultados mais efetivos costumam surgir quando o acompanhamento das condutas começa ainda no período pré-eleitoral, permitindo a construção de um histórico de comportamentos capaz de demonstrar eventual abuso de poder. “Os dados mostram que os casos de maior sucesso são justamente aqueles que começam a ser acompanhados ainda no ano pré-eleitoral, permitindo demonstrar uma sequência de condutas e um padrão de comportamento”, reforçou.Ao tratar do uso da máquina pública para promoção política, Igor Pinheiro chamou atenção para o aumento da exposição de possíveis candidatos e para a utilização de perfis pessoais em redes sociais para divulgar ações institucionais. Na avaliação dele, muitas vezes os indícios de uma candidatura se manifestam antes mesmo de qualquer anúncio formal, exigindo atenção dos órgãos de fiscalização.“Na política, muitas vezes o não dito é um sim. Quando começam a apontar alguém como pré-candidato, quando essa pessoa passa a ter uma exposição que antes não tinha e quando há sinais concretos de movimentação política, cabe ao Ministério Público investigar, acompanhar e reunir elementos objetivos. Não podemos esperar que tudo esteja declarado formalmente para começar a fiscalizar”, destacou.O promotor também ressaltou que a fiscalização deve alcançar todos os atores políticos, independentemente de posicionamentos ideológicos ou partidários. Segundo ele, a atuação isonômica é fundamental para preservar a credibilidade institucional e afastar questionamentos sobre eventual perseguição ou seletividade. “A maior estratégia contra qualquer alegação de perseguição ou assédio processual é agir de forma igual contra todos. Se a conduta é irregular, ela deve ser investigada independentemente de quem a pratique. O Ministério Público não pode ter lado político; o lado do Ministério Público é o lado da legalidade”, enfatizou.Ao abordar a corrupção eleitoral, o painelista criticou a realização de acordos penais e defendeu uma postura mais rigorosa na responsabilização dos envolvidos. Para ele, o Ministério Público deve exercer protagonismo na proteção da integridade do processo eleitoral e atuar de forma efetiva na prevenção e repressão dessas práticas. Na avaliação do promotor, a baixa efetividade da repressão aos crimes eleitorais exige uma reflexão sobre as respostas adotadas pelo Sistema de Justiça. “Em um país que registra historicamente altos índices de corrupção eleitoral, o Ministério Público precisa refletir sobre a efetividade das suas respostas. Se o sistema já puniu pouco, se são raríssimos os casos de prisão e condenação efetiva, precisamos avaliar com muito cuidado até que ponto determinados acordos contribuem para a prevenção e para a credibilidade do processo democrático”, apontou.Por fim, o palestrante reiterou a defesa de uma atuação mais firme do Ministério Público diante dos crimes eleitorais e da corrupção política. “O MP tem que ser demandista sim, em algumas hipóteses graves. E nós estamos falando de corrupção eleitoral, de algo gravíssimo. Nós temos um déficit punitivo alarmante. Como é que você, num país que tem mais de cinco mil municípios, em que a Polícia Federal apreendeu mais de R$ 40 milhões só na última eleição por corrupção eleitoral, não tem um indivíduo condenado e preso? É um sistema totalmente sem efetividade”, finalizou.
Fotos: Chico Ferreira.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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OMNIA: Judiciário lança ferramenta de IA de apoio à gestão das unidades judiciais
O uso da inteligência artificial já contribui para tornar a Justiça mais eficiente sem substituir a atuação humana. Segundo o presidente do Comitê de Governança Estratégica de Inteligência Artificial (CGEIA) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador Luiz Octávio Oliveira Saboia Ribeiro, mais de 80 milhões de processos tramitaram no país em 2024, período em que houve redução histórica de 3,5 milhões de processos pendentes, o equivalente a 5,3%. Na Justiça Estadual, a redução foi de 5,4%.
Para o desembargador Saboia, que representou o corregedor-geral da Justiça, desembargador José Luiz Leite Lindote, o uso adequado da inteligência artificial contribuiu para a redução do estoque processual. A avaliação foi feita na quinta-feira (18), no Fórum de Cuiabá, durante o lançamento da OMNIA, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida por servidores da Divisão de Inteligência Artificial e Automação (IAA), vinculada ao Departamento de Aprimoramento da Primeira Instância (DAPI) da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT).
“O Judiciário não trabalha com substituição da força humana, e sim para potencializá-la. Queremos que a tecnologia amplifique a capacidade de magistrados e servidores. A máquina deve impulsionar o trabalho humano, nunca substituí-lo”, afirmou o desembargador.
A OMNIA utiliza inteligência artificial para transformar dados em informações estratégicas. Por meio de uma interface em linguagem natural, magistrados, gestores, assessores e servidores podem consultar indicadores de desempenho, acompanhar metas nacionais do CNJ, obter relatórios de produtividade e acessar informações gerenciais sem necessidade de navegar por diferentes sistemas ou painéis.
Com o lançamento, a ferramenta passou a ser disponibilizada para magistrados e servidores do Fórum de Cuiabá.
Para a juíza auxiliar da Presidência do TJMT, Christiane da Costa Marques Neves, que representou o presidente do Tribunal, desembargador José Zuquim Nogueira, a ferramenta demonstra a capacidade de inovação da instituição ao ser desenvolvida por servidores que conhecem a realidade e os desafios enfrentados diariamente pelo Judiciário mato-grossense.
“É uma honra estar aqui para celebrar mais um momento significativo da trajetória de inovação do TJMT. Queremos um Tribunal que não apenas acompanhe as tendências, mas que as crie, que invista nas pessoas, confie no talento dos seus servidores e transforme esse investimento em inovação com impacto direto na qualidade da prestação jurisdicional”, destacou.
Conforme apresentado durante o lançamento, a OMNIA será nacionalizada e passará a integrar o Programa Conecta, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) voltada à expansão de soluções tecnológicas desenvolvidas pelos tribunais.
A juíza diretora do Foro da Comarca de Cuiabá, Hanae Yamamura de Oliveira, ressaltou que a ferramenta auxiliará magistrados e servidores na análise de indicadores e no planejamento das atividades das unidades judiciais.
“Quem vive a realidade das unidades judiciárias sabe que o tempo é um recurso precioso. Muitas vezes, entre audiências, despachos, sentenças e a gestão da própria unidade, sobra pouco espaço para analisar indicadores, identificar gargalos e planejar estratégias. A OMNIA surge justamente para auxiliar nesse processo”, afirmou.
Demonstração
O diretor do Departamento de Aprimoramento da Primeira Instância (DAPI), Guilherme Schultz, a coordenadora de Tecnologia da Informação (CTI), Márcia Regina de Carvalho Buhr, o juiz auxiliar da CGJ, Jorge Alexandre Martins Ferreira, e o gestor de projetos de Inteligência de Dados, Uiller Del Prado, apresentaram as funcionalidades e aplicações da OMNIA e responderam às dúvidas dos participantes.
Uiller explicou que a ferramenta reúne, em um único ambiente, os dados de produtividade das unidades judiciárias e as regras estabelecidas pelo CNJ, permitindo que magistrados e servidores consultem informações por meio de perguntas em linguagem natural.
“A ferramenta une dois universos e, a partir disso, entrega respostas mais ágeis e objetivas, permitindo que o usuário dialogue com as informações da sua própria unidade”, explicou.
O gestor de projetos de Inteligência de Dados destacou ainda que a ferramenta, criada no Judiciário mato-grossense, foi selecionada pelo CNJ pelo potencial de aplicação em outros tribunais.
“Recebemos o convite para nacionalizar a ferramenta. Ela será disponibilizada juntamente com manuais, vídeos e materiais de capacitação para que magistrados e servidores de todo o país possam utilizá-la”, afirmou.
Segundo o juiz auxiliar da Corregedoria, Jorge Alexandre Martins Ferreira, a inteligência artificial foi desenvolvida para facilitar a rotina de magistrados, assessores e servidores, tornando a gestão das unidades mais eficiente e contribuindo para uma resposta mais rápida ao jurisdicionado.
“Quando você sabe onde estão os seus processos, quais estão há mais tempo parados e em quais tarefas eles se encontram, consegue dar uma resposta mais rápida à população. Nossa ideia é utilizar os meios tecnológicos para facilitar o trabalho e entregar uma prestação jurisdicional cada vez mais eficiente”, destacou.
Participaram ainda do lançamento a juíza auxiliar da Corregedoria, Anna Paula Gomes de Freitas, o coordenador da CGJ, João Gualberto Nogueira Neto, a vice-diretora-geral do TJMT, Renata Bueno, magistrados e servidores.
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Autor: Larissa Klein
Fotografo: Lucas Figueiredo
Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
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