MATO GROSSO
Quatro municípios de MT já atingiram meta da companha do TRE-MT para biometria
MATO GROSSO
A pouco mais de um ano para as Eleições Gerais de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) comemora os primeiros resultados da Campanha Biometria 100%, coordenada pela Corregedoria Regional Eleitoral (CRE). Quatro municípios mato-grossenses estão próximos de atingir 100% dos municípios e, portanto, já conseguiram atingir ou ultrapassar a meta mínima da campanha que é de 98% de cadastramento biométrico, são eles: Araguainha (99,76%), Ponte Branca (99,61%), Vale do São Domingos (99,15%) e Indiavaí (98,08%).
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), até sexta-feira (25), nenhum município brasileiro havia conseguido o índice de 100% de biometria no país. Por outro lado, dos mais 5.500 municípios brasileiros apenas 5 deles atingiram ou ultrapassaram a marca dos 99% de biometria: destes, três são de Mato Grosso. A campanha Biometria 100%, lançada no dia 2 de julho, busca ampliar a biometria no Estado intensificando ações da Justiça Eleitoral, por meio de postos eleitorais, unidade móvel da Justiça Eleitoral na capital e interior e parcerias com Prefeituras Municipais.
“Além de participar de ações realizadas pelo Estado e municípios, em mutirões próprios ou de parceiros, a Justiça Eleitoral vem marcando presença em eventos que atrai grande quantidade de público, oferecendo as comodidades para fazer o cadastramento biométrico. Foi assim com a Expoagro e prossegue agora com o Festival de Inverno de Chapada dos Guimarães. Também participaremos da ExpoJuína, com o ônibus do projeto Justiça Eleitoral Móvel (JEM), nesta que é a mais importante feira agropecuária de Juína. Todos os esforços estão concentrados para alcançarmos a meta da campanha no Estado”, afirma, confiante, o corregedor Regional Eleitoral, o desembargador Marcos Henrique Machado.
Em Mato Grosso, atualmente o índice de cadastramento biométrico é 87,90%, o correspondente a 2,2 milhões do total de 2,5 milhões de pessoas aptas ao voto. Ainda faltam 12,1% do eleitorado ou um contingente de 292.363 eleitores e eleitoras. A estatística estadual é um pouco melhor que a média nacional. No país são 154.444.368 eleitores e eleitoras aptos (as) a votar, sendo que 133.978.255 (86,75%) já possuem cadastramento biométrico, enquanto 20.466.113 (13,25%) não fizeram a identificação por biometria.
“Os cartórios eleitorais das Zonas Eleitorais de Mato Grosso estão numa busca ativa permanente com o intuito de atingirmos 100% da coleta biométrica. Além de termos um eleitorado integralmente identificado pela biometria, seria um feito inédito em nível de Brasil. A biometria é uma tecnologia que confere mais segurança à identificação do eleitor por ser pessoal e intransferível”, completa Marcos Henrique Machado ao considerar que o crescimento dos indicadores reflete os esforços de mobilização e valorização do trabalho da Justiça Eleitoral na missão de atingir a integralidade da coleta biométrica no Estado
Dados parciais relativos a Mato Grosso indicam que dos 142 municípios, 46 Municípios estão a menos de 4% de atingirem a meta de 98% de coleta biométrica para o ano de 2025. Em princípio no início de julho dois municípios já tinham alcançado o índice superior a 99% e poucos dias depois o Município de Vale do São Domingos passou a ser o terceiro Município do Estado e o quinto do Brasil a atingir o índice superior a 99% dos eleitores com cadastro biométrico regular. No Brasil, 25 municípios estão a menos de 0,5% de ultrapassarem o índice de 99%.
Araguainha e Ponte Branca são municípios localizados no Vale do Araguaia. Em Araguainha, o eleitorado apto a votar é formado por 1.225 eleitores, dos quais 1.220 (99,76%) já possuem biometria e apenas 3 pessoas (0,24%) ainda não. Em Ponte Branca são 2.086 aptos a votar, sendo 2.079 (99,66%) já fizeram cadastramento biométrico e apenas sete (0,4%) não possuem biometria. No Vale do São Domingos são 2.706 aptos a votar, sendo 2.683 (99,15%) com biometria e 23 (0,85%) sem biometria. Em Indiavaí, faltam apenas 38 (1,2%) eleitores para concluir a biometria ao passo que 1.975 (98,08%) eleitores já fizeram o cadastramento.
Jornalista: Anderson Pinho
#PraTodosVerem – A imagem mostra um ônibus azul da Justiça Eleitoral de Mato Grosso estacionado em frente ao Mercado do Porto, em Cuiabá. O veículo, identificado como “Justiça Eleitoral Móvel”, está sinalizado com informações sobre serviços eleitorais. Ao lado, há uma motocicleta vermelha e parte de um carro branco. Acima da entrada do mercado, vê-se a logomarca do local e o brasão da Prefeitura de Cuiabá. A cena ocorre durante o dia, sob céu limpo e iluminação solar intensa.
Fonte: TRE – MT
MATO GROSSO
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.



