MATO GROSSO
Rio Adentro-o Rio
MATO GROSSO
Quando menino, que fui (ainda sou um tanto), em casa, tínhamos que escolher entre o “corte da luz” ou o “corte da água” (as concessionárias, para isso, são impreteríveis); sempre escolhíamos ficar com a água.
Lembrei-me disso quando conversava com várias empresas, que estão por instalar PCHs (usinas hidrelétricas de tamanho e potência relativamente reduzidos) na região em que vivo. Estávamos reunidos por videoconferência. Eles em salas suntuosas e espelhadas, com ternos elegantes, com técnicos, empresários, advogados, doutores e PhDs, em São Paulo ou Brasília. Juntaram todo esse “instrumental” para me convencer de que os impactos no Rio Cabaçal e no Rio Vermelho seriam “ínfimos e que a empresa é séria e responsável”. Fiquei até triste. Lembrei que gentes e empresas absoluta, totalmente notáveis só são aceitáveis através do cartão-postal — porque afinal fala de si, mas fala pouco.(João do Rio)
Não é razoável reduzir a licença ambiental à condição de autorização administrativa, não é adequado que o direito ao livre exercício da atividade econômica depende apenas do atendimento de determinadas restrições legais (e políticas, talvez mais políticas).
Na visão de mundo dos Mapuches, o maior grupo indígena do Chile, o rio abriga uma força espiritual a ser reverenciada, não um recurso natural a ser explorado. E não são só os Machupes que sabem disso, as pessoas que moram perto dos rios sabem, ou no mínimo sentem, que ele carrega algo a mais que água (que já é vida).
Isso levou muitos mapuches do sul do Chile a lutarem contra usinas hidrelétricas, e está levando os “ribeirinhos mato-grossenses” a lutarem também contra as PCHs.
Brigamos a favor dessa “energia essencial” que nos impede de adoecer.
Esses dias “os ribeirinhos” conseguiram proteger por mais um tempo o Rio Cuiabá. Vi no jornal. Até fiquei feliz. Lembrei e falei dentro de mim: “e me depositem também numa canoinha de nada, nessa água, que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio acima, rio adentro-o rio.” (João Guimarães Rosa)
*Emanuel Filartiga é promotor de Justiça em Mato Grosso
Crédito Foto Capa: Leandro Obadowiski – Ecoa.org
Fonte: MP MT
MATO GROSSO
Empreendedorismo feminino é tema de oficina no Espaço MP Por Elas
A busca pela independência financeira e pelo fortalecimento do protagonismo feminino reuniu mulheres na oficina gratuita de Empreendedorismo Feminino, realizada na terça-feira (7), no Espaço MP Por Elas, instalado no Shopping Três Américas, em Cuiabá. A capacitação, que integra a programação de cursos oferecidos pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) para incentivar a geração de renda e ampliar as oportunidades de qualificação profissional para mulheres, contou com a carga horária de quatro horas. Ministrada pela instrutora do Senac Adriana Damasceno, a oficina foi estruturada em três momentos: uma exposição sobre os principais conceitos do empreendedorismo feminino e seu início no Brasil, uma roda de conversa com uma empreendedora convidada e, por fim, uma atividade prática de elaboração do planejamento de um empreendimento. A metodologia buscou aproximar teoria e prática, incentivando as participantes a refletirem sobre seus objetivos profissionais e os primeiros passos para transformar ideias em negócios. Durante a palestra, a instrutora destacou que o empreendedorismo vai além da criação de uma empresa e representa uma ferramenta de transformação social e econômica para as mulheres. “Esse curso traz para as mulheres a oportunidade de trocar experiências, conhecer situações inspiradoras dentro do empreendedorismo. A mulher tem um diferencial característico próprio para empreender no Brasil”, afirmou. A programação também contou com a participação da empreendedora Kamila Leal, de 27 anos, que está iniciando sua trajetória no ramo da massagem e foi convidada a falar para as alunas. Ao compartilhar sua experiência, ela ressaltou a importância da identificação entre mulheres que estão vivendo momentos semelhantes. “É muito legal quando a gente vê uma pessoa que está no início. A gente se identifica com isso e vê que é um começo que está dando certo. Minha maior motivação é inspirar outras mulheres a serem independentes, donas de si mesmas, mostrando que elas podem e conseguem conquistar seus objetivos”, destacou. Entre as participantes estava Amanda Nunes, que atua como designer de sobrancelhas e pretende expandir seu negócio. Para ela, o conhecimento adquirido durante a oficina contribuirá para o crescimento profissional. “Eu quero chegar ao topo da minha profissão. Já trabalho como designer de sobrancelhas, mas quero ampliar o meu negócio. O empreendedorismo feminino, para mim, hoje é imprescindível”, afirmou. A manicure Tamires Keylla participou da capacitação em busca de mais conhecimento para iniciar sua atuação no mercado. “Estou começando agora na área de manicure e pedicure. Esse curso é uma oportunidade muito grande para aprender mais e talvez construir algo para mim. Estou aqui para adquirir conhecimento”, contou. A aposentada Evanete de Godoy viu na oficina uma oportunidade de investir em um novo projeto de vida. “Mesmo aposentada, sei que sempre tenho mais a aprender. Tenho vontade de empreender, sempre fiz muitos cursos e gostaria de abrir meu próprio negócio”, disse.Espaço MP Por Elas – É uma iniciativa do Ministério Público do Estado de Mato Grosso voltada à prevenção e ao enfrentamento da violência doméstica, aliando acolhimento, orientação e ações de fortalecimento da autonomia feminina. As oficinas gratuitas seguem até o dia 30 de julho, de segunda a sexta-feira, das 13h às 19h, e são destinadas exclusivamente ao público feminino. A programação inclui cursos nas áreas de empreendedorismo, marketing, beleza, estética e qualificação profissional, realizados em parceria com o Senac, o Shopping das Unhas e a Prefeitura de Cuiabá.
*Sob supervisão da jornalista Ana Luíza Anache.
Fonte: Ministério Público MT – MT


