MATO GROSSO
Santo Afonso, Tangará da Serra e Barra do Bugres recebem Mutirão da Cidadania nesta semana
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A agenda começa com Santo Afonso (206 km de Cuiabá), que recebe o mutirão nesta terça-feira (27), no Centro de Eventos do município. Na quinta-feira (29) o mutirão chega em Tangará da Serra (245 km da Capital), onde os serviços serão ofertados no pátio da antiga Prefeitura. O mutirão encerra na sexta-feira (30), em Barra do Bugres (a 165 km de Cuiabá), em local que ainda será definido.
Nos três municípios, o Mutirão da Cidadania será realizado das 8h às 17h. Estarão disponíveis serviços como atendimentos do Sistema Nacional de Emprego (Sine); orientação jurídica do Procon-MT; roda de conversas e palestras voltadas para prevenção e combate à violência doméstica; emissão de carteira de idoso; foto 3×4; plastificação de documentos e requerimento de segunda via de documentos pessoais.
Desde o mês de maio levando serviços de cidadania, o Mutirão da Cidadania já percorreu 10 municípios do Estado, sendo eles Ponte Branca, Araguainha, São José do Povo, São Pedro da Cipa, Juscimeira, Dom Aquino, Sorriso, Tapurah, Conquista D’Oeste e Jauru.
Fonte: Governo MT – MT
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Quando um filho chama
Há um instante pequeno, quase invisível, em que a paternidade se revela: um filho chama, e o pai decide se continua o que estava fazendo ou olha para ele e o escuta. É uma cena comum, dessas que os adultos deixam passar. A criança pode guardá-la por muito tempo.
No Dia dos Pais, é natural celebrar afeto, cuidado e dedicação. A data também deixa uma pergunta incômoda: quando nossos filhos pensarem em nós anos depois, do que se lembrarão? Talvez esqueçam o que lhes demos. Dificilmente esquecerão como se sentiram ao nosso lado.
Quem trabalha na Justiça conhece as consequências de vínculos que se romperam ou nunca chegaram a se formar. Processos de reconhecimento de paternidade, pensão alimentícia e convivência familiar trazem histórias marcadas por espera, conflito e ausência. A lei pode reconhecer o vínculo, exigir sustento e proteger direitos. Nenhuma decisão judicial, porém, consegue fazer um pai parar e ouvir o filho com interesse.
Nos processos de família, os autos registram as versões dos adultos, mas a infância continua enquanto o caso é analisado. A rapidez importa. O tempo de uma criança não espera o andamento do processo. Um ano de demora pode atravessar uma etapa inteira de sua formação e transformar distância em costume.
Nenhum pai sabe tudo, embora muitos sintam que deveriam ter respostas para tudo. O filho precisa se aproximar sem achar que está incomodando quando o pai trabalha, usa o telefone ou está cansado. É preciso ouvi-lo antes de responder, perceber quando o silêncio esconde alguma coisa e reconhecer os próprios erros. Uma tarde comum pode ficar na memória por décadas porque o pai interrompeu o que fazia e permaneceu ali.
Muitos homens receberam pouco dos próprios pais e acabam repetindo a única forma de convivência que conheceram: disciplina sem ternura e afastamento. Esse passado ajuda a explicar a dificuldade, mas não precisa determinar o próximo gesto. Um pai pode pedir perdão, aproximar-se sem discurso e aprender, mesmo tarde, a demonstrar afeto.
Nenhum filho convive com um pai perfeito. Convive com um homem que trabalha, se cansa, erra e às vezes chega tarde à conversa necessária. Um pai pode morar longe e continuar presente. Há homens que não geraram uma criança, mas assumiram seu cuidado. Ao reconhecer a falha, o pai pode reconstruir a relação. A indiferença repetida ensina o filho a não esperar.
Toda criança tem direito a sustento, proteção e convivência. Há uma necessidade que nenhum processo consegue medir: saber que sua existência importa para alguém. Quando encontra essa certeza no pai, o filho ganha segurança para enfrentar a vida e tem condições de não repetir com os próprios filhos as ausências com que cresceu.
Muitos filhos esquecerão o presente dado ao pai neste domingo. Anos depois, uma conversa na cozinha ou a tarde em que o pai percebeu que havia algo errado poderá voltar à memória com nitidez inesperada. Ninguém planeja essas lembranças. Elas surgem enquanto a vida comum acontece: o telefone deixado sobre a mesa e uma conversa sem pressa.



