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TJMT debate autismo sob a ótica dos Tribunais e reforça caminhos jurídicos para garantir inclusão

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A 4ª edição do TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo promoveu, no Fórum da Comarca de Cáceres, a palestra “TEA sob a ótica dos Tribunais: alguns casos”, com o juiz auxiliar da Vice-Presidência do TJMT, Antônio Veloso Peleja Júnior, e a juíza coordenadora da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, Renata do Carmo Evaristo Parreira. O encontro integrou o dia de debates sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), reunindo especialistas da saúde e educação, magistrados(as), servidores(as) e familiares, em ação realizada em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e a Escola dos Servidores do Judiciário.

Abrindo a exposição, o juiz Peleja Júnior fez um resgate histórico da invisibilidade social de condições “não visíveis a olho nu”, como os transtornos do neurodesenvolvimento, e destacou a mudança gradual de paradigma que o Judiciário brasileiro vem consolidando. “Não é um tema de responsabilidade exclusiva da família ou da escola; é um tripé que envolve família, governo e sociedade”, pontuou, ao defender que a pessoa autista tenha lugar e voz em todos os espaços.

O magistrado também sublinhou a evolução das práticas clínicas, que envolvem Análise do Comportamento Aplicado (ABA) e terapias multiprofissionais, e a importância do diagnóstico, aliados à intervenção precoce. Citou as novas diretrizes do Ministério da Saúde para rastreamento de crianças entre 16 e 30 meses de idade, com início de estímulos antes mesmo do diagnóstico fechado, aproveitando a plasticidade cerebral na primeira infância.

No campo judicial, ele trouxe ainda um panorama das demandas de saúde, tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto na saúde suplementar, e das orientações das Jornadas da Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que recomendam decisões fundamentadas em medicina baseada em evidências e o diálogo estruturado dos juízes com órgãos técnicos, como a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) e o Núcleo de Apoio Técnico do Judiciário (NAT-Jus).

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Ao tratar de precedentes, Peleja Júnior explicou a virada de entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o rol de coberturas da Agência Nacional de Saúde (ANS): embora seja, em regra, taxativo, admite-se a cobertura de procedimentos não listados quando houver eficácia comprovada por evidências científicas e recomendações técnicas. O entendimento foi, depois, positivado pela Lei 14.454/2022, que alterou a Lei dos Planos de Saúde, e referendado em julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF), desde que atendidos critérios como prescrição fundamentada, comprovação científica, registro na Anvisa e análise de custo-efetividade.

No âmbito do TJMT, o juiz apresentou enunciados orientativos construídos com magistrados(as) em jornadas internas, que têm ecoado nas decisões, como o caráter abusivo da negativa de tratamento multidisciplinar prescrito para TEA; custeio do método ABA pelas operadoras quando indicado; apoio escolar individualizado pelo poder público quando necessário; mitigação do rol da ANS para equoterapia com prescrição médica; e a redução de carga horária a servidores(as) que são cuidadores de pessoa com TEA, conforme avaliação técnica, entre outros pontos.

“Equilíbrio entre o direito individual e o impacto coletivo do sistema é premissa; decidir com técnica é proteger vidas e a política pública. A construção coletiva de parâmetros dá segurança jurídica, acelera o acesso a direitos e qualifica a prestação jurisdicional”, resumiu Peleja.

Em seguida, a juíza Renata Parreira apresentou a “decisão apoiada”, instituto previsto na Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015). Diferente da curatela, que é medida restritiva e transfere decisões ao curador, a decisão apoiada preserva a autonomia da pessoa com deficiência (incluídas as pessoas autistas) e lhe garante suporte de dois apoiadores de sua confiança exclusivamente para atos patrimoniais e negociais, como por exemplo abrir conta bancária, firmar contrato ou consentir em tratamento. O procedimento é voluntário, delimitado pelo juiz, revogável a qualquer tempo e, em regra, conta com manifestação do Ministério Público e oitiva de equipe multiprofissional.

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“O objetivo é oferecer liberdade com dignidade: a pessoa decide, mas decide com apoio. É ferramenta de cidadania, não de tutela”, afirmou a magistrada.

Com carga horária de 24 horas e transmissão ao vivo pela pelo canal do Youtube do Tribunal, o TJMT Inclusivo – Capacitação e Conscientização em Autismo reforça o compromisso do Judiciário em alinhar-se às recomendações do CNJ, que incentiva os tribunais a promoverem políticas de acessibilidade e inclusão.

A edição em Cáceres soma-se a outras já realizadas em Sinop, Sorriso e Cuiabá, demonstrando o esforço do Tribunal em percorrer todo o estado levando informação e capacitação. Até o fim do ano, novas comarcas-polo receberão o projeto.

Todas as palestras do evento estão disponíveis no YouTube, assista aqui.

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Confira mais fotos do evento no Flickr do TJMT .

Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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3ª Corrida Maria da Penha será realizada no dia 1º e abre programação do Agosto Lilás em Sinop

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A 3ª Corrida e Caminhada Maria da Penha será realizada no dia 1º de agosto em Sinop, marcando a abertura da programação do Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. A largada será às 17h, na Orla do Residencial Recanto Suíço, com percurso de cinco quilômetros. Neste ano, o evento também contará com a Corrida Kids, ampliando a participação das famílias e da comunidade.

As inscrições podem ser feitas até 27 de julho ou até o preenchimento das 900 vagas, pelos sites Corrida 360 e Canal do Ciclista. O valor é de R$ 70,00. Os recursos arrecadados serão destinados às ações da Rede de Proteção à Mulher Vítima de Violência de Sinop.

Promovida pela Rede de Proteção à Mulher Vítima de Violência de Sinop, com organização técnica da Life e Canal do Ciclista, a corrida tem como objetivo conscientizar a população para o enfrentamento à violência doméstica e mobilizar a sociedade em defesa dos direitos das mulheres.

A coordenadora da Justiça Restaurativa da Comarca de Sinop, juíza Débora Caldas, integrante da Rede de Enfrentamento, ressalta que o evento simboliza o compromisso coletivo com a proteção das mulheres. “A violência contra a mulher é um desafio que exige o compromisso de toda a sociedade e, nesse contexto, a 3ª Corrida e Caminhada Maria da Penha simboliza exatamente isso, a união entre Poder Judiciário, instituições públicas, iniciativa privada e comunidade em uma mobilização pela vida, pelo respeito e pela garantia dos direitos das mulheres.”

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A magistrada lembra que a edição deste ano celebra os 20 anos da Lei Maria da Penha e reforça a importância da prevenção e da atuação integrada da Rede. “Cada inscrição, cada passo e cada participante representam um gesto de apoio às mulheres e um compromisso coletivo com uma sociedade mais justa, segura e livre de violência. Convidamos toda a população de Sinop e da região a participar dessa causa, porque o enfrentamento à violência contra a mulher é uma responsabilidade de todos.”

A presidente e coordenadora da Rede de Enfrentamento, advogada Eliane dos Santos destaca que a corrida já se consolidou como um dos principais eventos de mobilização social do município. “Estamos quase chegando aos 900 inscritos na corrida. Mais um evento promovido pela Rede de Sinop para conscientizar e mobilizar a sociedade em prol da causa. É uma corrida que envolve toda a sociedade sinopense, homens, mulheres e crianças, e este ano é especial, porque a Lei Maria da Penha completa 20 anos e porque marca a abertura do Agosto Lilás. A corrida dá início a todas as ações que serão realizadas pelos integrantes da Rede durante o mês.”

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No ano passado, a 2ª Corrida Maria da Penha contou com mais de 600 participantes.

Rede de Sinop

Criada em 2019, a Rede de Enfrentamento de Sinop conta com 30 parceiros, que realizam ações em diversas frentes, dentre elas educação, conscientização, responsabilização dos autores de violência doméstica contra a mulher, acolhimento e resgate das mulheres. A união dessas iniciativas conta com a intermediação do Poder Judiciário de Mato Grosso, que, desde o início, cumpre também o papel de articulador.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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