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Parlamentares do Brics defendem multilateralismo e criticam protecionismo

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A necessidade de fortalecer o multilateralismo e a preocupação com a expansão de medidas protecionistas nortearam o debate na primeira sessão da Reunião de Presidentes das Comissões de Relações Exteriores (CREs) dos Parlamentos do Brics, na manhã desta terça-feira (3). O encontro, que prossegue à tarde, é parte da 11ª edição do Fórum Parlamentar do Brics, sediada no Congresso Nacional até quinta-feira (5).

Pela manhã, parlamentares do Brasil, China, Índia, África do Sul, Emirados Arábes Unidos, Irã, Egito, Belarus, Indonésia, Bolívia, Cuba e Nigéria discutiram o tema “Fortalecendo o comércio do Brics no atual cenário internacional”.

Presidente da CRE no Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS) presidiu os trabalhos. O senador destacou que na atual conjuntura internacional — marcada por tensões geopolíticas, competição estratégica entre nações, desaceleração econômica, medidas protecionistas e crises migratórias —, o agravamento de antagonismos “não nos conduzirá à paz e à prosperidade que defendemos e aspiramos”.

— O Brics propicia aos países em desenvolvimento uma plataforma relevante para expressar suas preocupações e interesses, bem como para participar ativamente da promoção de uma ordem internacional mais justa e inclusiva. Estamos seriamente preocupados com a perspectiva de fragmentação da economia global e enfraquecimento do multilateralismo — afirmou.

Para o senador, é preciso haver um sistema multilateral de comércio aberto, transparente, previsível, não discriminatório e baseado em regras mutuamente acordadas, tendo a Organização Mundial do Comércio (OMC) em seu centro. O tema comércio é de fundamental importância para todos os países do bloco e seus parceiros, sendo que a promoção do comércio intra-Brics e extra-Brics é tema de interesse comum, disse Nelsinho:

— O comércio internacional é importante motor do crescimento inclusivo, da erradicação da fome, da diminuição da pobreza e da promoção do desenvolvimento sustentável em suas três dimensões: ambiental, econômica e social.

O parlamentar também demonstrou preocupação com o aumento de medidas protecionistas unilaterais injustificadas, inconsistentes com as regras da OMC, incluindo o incremento indiscriminado de medidas tarifárias e não tarifárias e o uso abusivo de políticas verdes para fins protecionistas. 

A vice-presidente da CRE no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), lembrou que inicialmente Brics se referia a grandes economias emergentes, com potencial de transformar substancialmente o centro de gravidade dos fluxos econômicos, comerciais e financeiros globais. Mas hoje, segundo a parlamentar, “nosso grupo de países logrou transcender, em muito, essa acepção original, tornando-se uma voz coletiva legítima e inescapável do novo cenário mundial”.

— Devemos responder, conjuntamente, ao recrudescimento do protecionismo, à erosão do multilateralismo, à crise de confiança, à perda de canais de diálogo e às ameaças a uma paz duradoura. Temos uma oportunidade histórica, e a inação não será perdoada. É o momento de agir. E, enquanto parlamentos, temos essa responsabilidade perante nossos povos.

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Presidente da CRE na Câmara, o deputado federal Felipe Barros (PL-PR) enfatizou que essa reunião de parlamentares representa um marco significativo, ao se consolidar como uma plataforma essencial ao fortalecimento da democracia parlamentar. Por meio do diálogo franco e da cooperação, segundo o parlamentar, é possível construir “um Brics mais integrado”.

— É preciso fortalecer e intensificar as relações comercias intrabloco — expôs Barros.

O líder do governo no Senado, senador Jaques Wagner (PT-BA), deu as boas-vindas em nome do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

— Acreditamos muito na caminhada do Brics. O fortalecimento e a busca de objetivos comuns que possam fazer prosperar os nossos países, as nossas populações, devem estar no foco de todos os parlamentares.

Multilateralismo 

O multilateralismo também foi defendido por grandes potências como a China e a Índia. Vice-presidente da CRE do Congresso Nacional do Povo da China, o deputado Wang Ke disse que os conflitos geopolíticos estão crescendo, ao mesmo tempo em que guerras exacerbam a instabilidade política e econômica.

Para o representante da China, é preciso apoiar o multilateralismo por meio da legislação, de forma a construir uma cooperação não discriminatória. Para Wang Ke, também é necessário promover mais áreas coorporativas em cadeias, além de trocas comerciais em benefício da população.

— Os países do Brics são muito importantes para os países em desenvolvimento. Ele [Brics] está compromissado a ajudar o multilateralismo. É por causa disso que o Brics tem um reconhecimento extenso pelo mundo, tem virado a espinha dorsal da política do “Sul global”.  

Representante do Legislativo da Índia, o deputado Vijay Baghel também disse que seu país acredita nos princípios do multilateralismo e numa “ordem global equilibrada e justa”.

— No atual cenário, são grandes as oportunidades, diante dos complexos desafios econômicos e as tensões geopolíticas, incluindo as tendências protecionistas e sanções que causam crise global.

De acordo com o deputado indiano, as trocas com os parceiros dos Brics saltaram de US$ 59,6 milhões em 2008 para US$ 108 milhões em 2018, com as exportações aumentando a cada ano; por isso, “a Índia vê muito potencial em basear suas trocas comerciais com membros do Brics”.

O deputado Ali AlNuaimi, chefe da Divisão Parlamentar dos Emirados Árabes Unidos, enfatizou que a ordem mundial, após a 2ª Guerra, não existe mais, e isso tem um impacto nos investimentos, no comércio e na economia como um todo.

— Eu acredito que os fundadores do Brics tinham essa visão. A gente vê a importância de ter o Brics agora, quando nós precisamos de verdade de uma parceria para agregar valor, priorizar nossos povos e focar em construir as pontes, em servir ao interesse comum.

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Parcerias 

Presidente da Comissão de Cooperação Interparlamentar da Câmara dos representantes da Indonésia, o deputado Mardani Ali Sera salientou que no Brics há oportunidade de expandir e buscar cooperação financeira, transferência de tecnologia, financiamento e investimento para infraestrutura.

— Isso não vai só melhorar a operação, como também vai aumentar a nossa resiliência aos desafios globais. Entretanto, é também importante para nós promover mais investimento e comércio entre os membros do Brics, garantindo locais e opções de pagamento para reforçar a nossa resiliência econômica para que nós possamos lidar com os desafios econômicos recentes.

O deputado Sergei Rachkov, presidente da CRE da Câmara dos Representantes de Belarus, assinalou que seu país sempre demonstrou abertura comercial a parceiros. Ele afirmou que Belarus é um dos líderes globais de exportação de fertilizantes e tecnologia e maquinários e quer estreitar relações com os membros do Brics.

Para o deputado Supra Mahumapelo, representante da Comissão de Relações Internacional e Cooperação da Assembleia Nacional da África do Sul, seu país também tem experimentado grandes benefícios com o Brics.

— Hoje, o Novo Banco de Desenvolvimento está proporcionando financiamento a muitos projetos. A nossa parceria com o Brics tem trazido uma contribuição na implementação do plano de reconstrução, por meio do comércio e do desenvolvimento.

Ahmad Naderi, membro da Assembleia Consultiva Islâmica do Irã, disse que, apesar de o país enfrentar muitas sanções internacionais, a cooperação econômica com o Brics deve estar fundada em respeito mútuo e justiça econômica. Para o parlamenetar iraniano, o “Brics é ponte de inovação global na era digital, promovendo o desenvolvimento do comércio eletrônico e dando acesso ao comércio global por meio da tecnologia, logística e alfândega”.

Presidente da Comissão de Política Internacional da Câmara de Senadores da Bolívia, Felix Ajpi Ajpi disse que o país — que é parceiro do Brics—  tem muito a oferecer.

— Temos as mesmas potencialidades, que não são bem exploradas. E nós fomos submetidos ao unilateralismo. Por isso a gente contribui para trabalhar juntos com solidariedade e complementando os membros do Brics, para adicionar mais países a esse sistema moderno.

Também participaram o deputado Mohamed Soliman, do Egito; o deputado Alberto Núñez Betancourt, de Cuba;  e o deputado Busayo Oluwole Oke, da Nigéria.

No período da tarde, a reunião prossegue com mais duas sessões de trabalho. Às 14h, inicia-se o debate sobre a “Promoção de investimentos e transferência de tecnologia para o desenvolvimento sustentável” e, às 15h, os representantes das CREs debruçam-se sobre a questão dos “Instrumentos financeiros para um Brics mais resiliente e sustentável”. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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MP das dívidas rurais prevê juros a partir de 5% ao ano

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Produtores rurais que perderam safras entre 2019 e 2025 poderão renegociar dívidas rurais com taxas de juros que variam de 5% a 12% ao ano. É o que determina a Medida Provisória (MP) 1.376/2026, assinada pela Presidência da República na quarta-feira (15). A MP atende de agricultores familiares até grandes produtores, com condições diferenciadas para cada categoria.

Os interessados têm até o dia 12 de novembro para contratar novo empréstimo com as instituições financeiras e utilizar os recursos para quitar as dívidas atuais. 

O prazo também vale para produtores emitirem novas Cédulas de Produto Rural (CPR), título que os bancos podem comprar sob promessa de receberem futuramente os ganhos da produção. Com os valores da venda, os agricultores devem quitar CPRs anteriores não pagas.

O Congresso Nacional terá no máximo 120 dias, sem contar o recesso, para decidir se transforma a medida em lei, tornando as regras definitivas.

Quais os tipos de dívidas?

As linhas de crédito devem ser utilizadas para quitar dívidas:

  • renegociadas ou prorrogadas até 31 de maio de 2026, desde que estejam com o pagamento em dia até o momento do novo empréstimo;
  • contratadas até 31 de dezembro de 2025, desde que estejam com pagamento atrasado de 1º de janeiro de 2024 a 31 de maio de 2026. Também contempla casos de crédito para investimento em que as parcelas estão vencidas desde o início de 2024, ou com vencimento até o fim de 2026;
  • outros casos que o Poder Executivo definir.

Quem pode se beneficiar?

Produtores e cooperativas rurais podem tomar os empréstimos com condições mais vantajosas que o mercado. Essas condições variam de acordo com o tamanho da dívida e com a categoria do produtor.

O agricultor familiar que se enquadra nas exigências poderá acessar, por exemplo, até R$ 500 mil a juros a partir de 5% ao ano, em casos excepcionais. Atualmente, a taxa básica de juros do mercado é de 14,25% ao ano. Veja aqui mais informações.

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Os mini, pequenos e médios produtores terão as mesmas condições (saiba mais aqui) com taxas de juros que variam entre 8% e 12%.

Outra categoria inclui todos os demais produtores, como os grandes agricultores, que podem receber até R$ 8 milhões emprestados (veja condições). 

Se a dívida for maior que as previstas na medida provisória, o interessado deve buscar a instituição financeira para negociar outras as taxas de juros até dia 12 de novembro. O prazo para quitação será de até 8 anos.

Quais regras para a CPR?

Para o produtor emitir nova CPR, é necessário que a CPR atual:

  • tenha sido emitida para liquidar uma terceira CPR mais antiga;
  • tenha sido emitida até 31 de dezembro de 2025;
  • não tenha sido paga entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026.

Impacto

O Ministério da Fazenda estima que mais de 100 bilhões de dívidas podem ser renegociadas. Foi o que disse o ministro Dario Durigan em coletiva à imprensa na quarta-feira (15), após reunião entre o governo, parlamentares da Frente Parlamentar de Apoio à Agropecuária (FPA) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou que o alívio atingirá a maioria dos produtores. Os CPRs, por exemplo, são usados por mais da metade dos produtores para se financiar, disse ela.

— Com o Plano Safra já vigente, muita gente não conseguiria participar do crédito. A tramitação [da medida provisória] é de maneira célere, para que os produtores possam já encaminhar sua renegociação e também acessar o Plano Safra [programa que financia a atividade agropecuária] para fazer a próxima safra, que começa a ser plantada em setembro deste ano — disse na coletiva.

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O governo federal publicou a medida provisória como forma de aplicar desde já regras previstas no Projeto de Lei (PL) 5.122/2023, que retornou à análise dos deputados após alteração feita pelos senadores em junho. O texto original demorou quase dois anos para ser aprovado pela primeira vez na Câmara. Segundo o acordo, agora os parlamentares analisarão apenas a medida provisória.

Quem fica de fora?

Tereza chamou a negociação de um “acordo possível”, apesar de desagradar produtores gaúchos, disse ela. O texto não permite a renegociação a quem tomou empréstimos baseados na Lei 14.981, de 2024, que autorizou financiamento para a reconstrução do Rio Grande do Sul e outros estados que tiveram calamidades públicas em virtude de fortes chuvas.

Também fica de fora quem tem dívida rural encaminhada para a Dívida Ativa da União e quem tomou empréstimo com base na MP 1.314/2025, que durou entre entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026 e facilitou empréstimos aos produtores prejudicados por eventos climáticos adversos.

Fundo garantidor

A medida autoriza a criação de um fundo privado garantidor de crédito para dívidas rurais, que poderá ser criado e gerenciado por instituição financeira pública ou privada. O mecanismo garante aos bancos que os casos de inadimplência serão pagos pelo fundo, o que resulta em condições mais vantajosas para o tomador de empréstimo.

O fundo deverá ter a participação de produtores rurais e instituições financeiras, admitida a participação de estados e municípios..  

O ministro Durigan disse que a expectativa é que a União aporte R$ 2 bilhões e que funcione nos moldes do fundo garantidor de crédito para as instituições financeiras em geral.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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