POLÍCIA
Autores de roubo e extorsão à família de Cuiabá são presos pela Polícia Civil em operação de combate a sequestros relâmpagos
POLÍCIA
Dois criminosos foram presos em flagrante pelos policiais da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (DERFVA), nesta segunda-feira (26.08), envolvidos em crime de sequestro relâmpago em que uma família foi feita refém em Cuiabá.
Os suspeitos foram autuados por roubo qualificado e extorsão, crimes previstos nos artigos 157 e 158 do Código Penal. A ação integra os trabalhos da “Operação Cativo Efêmero”, idealizada pela DERFVA, para combater crimes de sequestro relâmpago na região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande.
O crime ocorreu no início da manhã de 23 de agosto em uma residência, na região do Tarumã, no bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá. Na ocasião, quatro criminosos, sendo três homens e uma mulher, invadiram a casa e submeteram as vítimas a momentos de terror, o que resultou em graves prejuízos e abalo psicológico.
As vítimas foram surpreendidas pelos criminosos que, armados com um revólver calibre 38, usaram de extrema violência para extorqui-los. Uma delas foi agredida com uma coronhada na cabeça. Durante a ação criminosa, os assaltantes forçaram as vítimas a realizar várias transferências bancárias via PIX, totalizando R$ 11,2 mil.
Além dos valores em dinheiro, os criminosos subtraíram duas caminhonetes de grande valor, uma Ford Ranger e uma VW Amarok, ambas de modelos recentes e outros objetos como televisão de 43 polegadas, diversos perfumes, joias, celulares e documentos pessoais.
Prisões
Assim que recebeu a comunicação dos fatos, a equipe da DERFVA iniciou as diligências para identificação e prisão dos autores do crime. O primeiro suspeito foi localizado na tarde de segunda-feira (26), utilizando um VW Voyage, que havia dado apoio à ação criminosa. A prisão ocorreu na Avenida da FEB, em Várzea Grande, onde ele foi interceptado.
No momento da abordagem, o suspeito estava de posse de vários objetos roubados das vítimas, além de um dos celulares utilizados para as transferências bancárias via PIX. Na delegacia, o preso passou por procedimento de reconhecimento pessoal e foi identificado pelas vítimas como um dos autores do sequestro relâmpago.
O segundo suspeito foi preso pela Polícia Militar após diligências realizadas na noite de segunda-feira, também na Avenida da FEB, em Várzea Grande. As investigações conduzidas pela DERFVA apontaram que ele estava diretamente envolvido na extorsão. O criminoso utilizou o celular das vítimas para realizar as transferências bancárias.
Durante a abordagem, ele foi encontrado com vários itens pertencentes às vítimas, incluindo documentos pessoais e objetos de valor. Assim como o primeiro suspeito, ele também foi submetido a um reconhecimento pessoal e não só foi identificado pelas vítimas, como também reconheceu uma das vítimas durante o procedimento, o que evidenciou seu envolvimento no crime.
Continuidade das investigações
O delegado responsável pelas investigações, João Paulo Firpo Fontes, destacou que a operação para capturar os criminosos envolveu diversas diligências desde o momento em que o crime foi noticiado.
“As investigações indicam que o grupo criminoso vinha monitorando a residência das vítimas desde a noite anterior ao crime, o que demonstra um planejamento detalhado por parte dos criminosos”, afirmou Firpo.
O delegado destacou ainda que as investigações seguem em andamento para identificar e prender outros membros do grupo criminoso.
O delegado titular da DERFVA, Diego Alex Martimiano da Silva, ressaltou que a especializada tem atuado de maneira firme no combate a crimes como o sequestro relâmpago. Esta foi a quarta operação deflagrada neste ano para reprimir esse tipo de crime na região.
“Vamos continuar trabalhando até que todos os responsáveis sejam identificados e respondam por seus atos”, frisou o delegado.
Fonte: Policia Civil MT – MT
POLÍCIA
Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá
A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.
Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.
A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.
“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela
Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.
“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.
Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.
“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.
Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola
A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.
“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.
Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.
O que diz a lei e o papel da escola
O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.
De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).
Prevenção como projeto de Estado
Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.
Serviço
Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.
Fonte: Policia Civil MT – MT
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