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Polícia Civil prende associação criminosa envolvida subtração de veículos apreendidos em Sorriso

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A Polícia Civil deflagrou, na manhã deste sábado (25.10), a Operação Eidolon para cumprimento de ordens judiciais contra uma associação criminosa, que fazia uso da função de guarda municipal de um de seus integrantes para subtrair, de forma ilegal, veículos apreendidos e sob a guarda da Prefeitura de Sorriso.

Na operação, foram cumpridos quatro mandados de prisão contra integrantes da associação criminosa, além de mandados de busca e apreensão, agastamento de dados telemáticos e sequestro de bens, expedidos pela 2ª Vara Criminal de Sorriso, com base nas investigações da Polícia Civil, que também contaram com apoio da Segurança Pública Municipal de Sorriso.

Os investigados respondem pelos crimes de associação criminosa, peculato, inserção de dados falsos em sistemas de informações, falsificação de documento público e uso de documento falso. O grupo estaria envolvido na subtração de pelo menos 69 veículos apreendidos sob a guarda da administração pública municipal.

As investigações, conduzidas pela Delegacia de Sorriso, iniciaram no mês de setembro após o administrador de uma empresa do Paraná procurar a delegacia relatando que havia sido abordado pelo guarda municipal de Sorriso, que solicitou vantagem econômica para restituir de forma ilegal um veículo.

No intuito de restituir o veículo dentro dos trâmites legais, a vítima se deslocou do estado do Paraná até a cidade de Sorriso, ocasião em que descobriu que o automóvel já havia sido retirado do pátio em que estava apreendido.

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Em análise da documento referente à restituição do veículos, algumas irregularidades foram percebidas de forma imediata, dentre elas, que o termo de liberação foi confeccionado pelos investigados para que o veículo fosse retirado do pátio em nome de um terceiro.

Esquema de desvio de veículos

Com avanço das investigações, foi possível identificar uma associação criminosa, formada por servidores públicos, falsificadores e receptadores, que desviava veículos apreendidos da Prefeitura de Sorriso e que estaria envolvida na subtração ilícita de pelo menos 69 veículos apreendidos sob a guarda da administração pública municipal.

Para praticar o crime, grupo criminoso operava em etapas bem definidas, sendo a primeira delas a identificação de automóveis vulneráveis, realizada pelo servidor público, que selecionava veículos com baixa probabilidade de serem reclamados por seus proprietários — geralmente motocicletas com pendências administrativas.

Na sequência, com apoio de cartórios e falsificadores, eram produzidas procurações fraudulentas em nome dos supostos proprietários. Algumas utilizavam adulterações em certificados digitais do Gov.br, outras eram confeccionadas por cartórios locais mediante pagamento de R$ 1 mil por documento.

O grupo então emitia termos de liberação falsos, autorizando a retirada dos veículos por comparsas. Os documentos apresentavam dados inconsistentes e assinaturas falsas. Os veículos eram retirados dos pátios credenciados após pagamento das taxas via Pix — muitas vezes em nome dos próprios envolvidos.

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Em alguns casos, os veículos eram adulterados e revendidos. Um dos receptadores identificados ostentava em seu perfil de WhatsApp o serviço de “retirada de veículos apreendidos” em todo o território nacional.

O servidor publico envolvido na fraude recebia entre R$ 1 mil e R$ 1.5 mil, por veículo liberado ilegalmente, sendo os pagamentos realizados via Pix, como comprovam os extratos bancários entregues voluntariamente à polícia.

Ordens judiciais

Diante das evidências, o delegado responsável pelas investigações, Bruno França, representou pelos mandados de prisão e busca e apreensão dos investigados, que foram deferidos pela Justiça e cumpridos neste sábado (25), sendo realizada a prisão preventiva de todos os suspeitos envolvidos no esquema.

Durante cumprimento de buscas em um dos alvos, foram localizados veículos, produto de roubo/furto, materiais utilizados em desmanches e para remarcar veículos. Além de ter o mandado de prisão cumprido, o suspeito foi conduzido à delegacia e autuado em flagrante pelo crime.

“A investigação revelou que o esquema contava com apoio de cartórios e centros de formação de condutores, usados para fraudes em processos de habilitação. Embora essa vertente ainda esteja sob apuração separada, ela reforça a complexidade e o alcance da organização”, disse o delegado.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos no crime.

Nome da operação:

O nome Eidolon vêm do grego e significa reflexo espiritual ou reflexo interno, tipo espelho.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá

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A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.

Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.

A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.

“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela

Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.

“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.

Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.

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“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.

Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola

A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.

“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.

Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.

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O que diz a lei e o papel da escola

O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.

De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).

Prevenção como projeto de Estado

Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.

Serviço

Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.

Fonte: Policia Civil MT – MT

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